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Tecnologias sociais de tratamento de esgoto e redução de perda de água por evaporação são apresentadas durante CIIERD

Tecnologias sociais de tratamento de esgoto e redução de perda de água por evaporação são apresentadas durante CIIERD

A ausência dos serviços referentes ao saneamento básico causa uma série de problemas relacionados a saúde da população e do meio ambiente. Mesmo diante da exigência legal, através da lei 11.445/2007, a realidade dos municípios frente, especialmente, ao acesso a água potável e a coleta e tratamento do esgoto, é precária. Segundo dados do site Trata Brasil, apenas 52,36 % da população tem acesso a coleta do esgoto e, destes, apenas 46% é tratado, ou seja, 54% do esgoto é lançado no meio ambiente sem nenhum tratamento. Esse índice é mais preocupante em relação a região Nordeste, que trata apenas 34,73 % dos 26,27% de esgoto coletado.

Esse cenário é ainda pior no meio rural, como revelou o censo demográfico de 2010 realizado pelo IBGE, que há apenas 17,1% do esgotamento sanitário adequado nos domicílios rurais, e que o deficit é de 82,9%, destes há 54,2% do esgoto em situação precária e 28,7% dos lares sem o serviço, dados estes que serviram de base para a elaboração do Plano Nacional de Saneamento Básico, conforme informa a Fundação Nacional do Saneamento – Funasa. O país tem a meta de universalizar os serviços de saneamento básico das cidades até 2033, conforme previsto no Plano Nacional de Saneamento Básico, mas essa projeção cai para 70% para as populações do campo.

Diante de uma realidade de escassez do serviço e quase nenhuma prioridade dos municípios em garantir este serviço ao meio rural, algumas instituições do Semiárido tem se lançado em aplicar, estudar e desenvolver tecnologias sociais que contribuam para atender a realidade das famílias rurais no tocante a coleta e tratamento do esgoto doméstico. Vale ressaltar, que esta demanda também é decorrente da garantia do acesso a água através, principalmente, das cisternas de placas ao lado das casas, que aumenta a produção de esgoto, que ora era destinado para fossa séptica/ou rudimentar ou lançado a céu aberto, por falta de atendimento ao serviço.

Os resultados preliminares das tecnologias do Bioágua e do Sistema de tratamento de esgoto total com reator UASB foram dois dos quatro trabalhos de pesquisa apresentados pela equipe do Irpaa durante o II Congresso Internacional Interdisciplinar em Extensão Rural e Desenvolvimento – II CIIERD, no dia 05 de dezembro. Os trabalhos são resultados de pesquisa do Irpaa há pouco mais de um ano, que após estudos e visitas em torno das experiências desenvolvidas pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e a organização não governamental Patac, na Paraíba, já foram implementadas 32 tecnologias, envolvendo 250 pessoas, que passaram por formação sobre a questão. A aplicabilidade e a análise da qualidade das tecnologias têm sido possíveis por conta das parcerias entre às famílias e a Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf, com apoio da Cáritas da Alemanha.

Clérison Bélem, colaborador do Irpaa que atua na equipe que gesta o projeto na Instituição, explica que as famílias do campo estão validando essa tecnologia a partir desse uso e do manejo e, “a partir das análises, a gente está qualificando este tratamento (…). A gente precisa evidenciar o manejo das famílias, o problema dos resíduos sólidos, o controle de vetores e que não sirva só para a zona rural. Essa tecnologia se soma a outras, como as cisternas, que vem se complementando, a gente não pode depender somente de uma tecnologia. Essa diversidade é que fortalece no contexto das mudanças climáticas e do aquecimento global, a gente precisa está construindo propostas viáveis para a nossa região e a proposta do saneamento rural é muito importante”, pondera Clérison. Ele esclarece ainda que a ideia do sistema é também de reutilizar a água tratada na propriedade da família, de forma que garanta recurso hídrico para a produção de plantas forrageiras e frutíferas no quintal das propriedades.

As experiências foram apresentadas durante o Grupo de Trabalho “Tecnologias Sociais para a Sustentabilidade do Desenvolvimento Rural” e durante a mesa redonda “Mudanças Climáticas, Agroecossistemas e Sustentabilidade”, que teve a participação da Ong de Pernambuco, Caatinga, o Insa e do agricultor Gilmar Oliveira Lino. Neste momento, o Irpaa apresentou os resultados preliminares, os métodos, como funciona o sistema de tratamento de esgoto total, os desafios para ampliar estas tecnologias, aportando também as perspectivas de transformá-la em política pública de forma apropriada a cada realidade das famílias camponesas. “A gente está apostando nesta discussão junto com a pesquisa, ensino e a extensão para trazer essa proposta e sensibilizando com a temática. Então, o CIIERD pôde ser um momento de divulgar e disseminar na nossa área de atuação. Provocando essa troca de experiência a gente vai avançando nessa divulgação e querendo construir um Semiárido melhor”, pontua Clérison.

A professora Andréa Button, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, observou pelo que foi relatado, que a dimensão do sistema integrante da tecnologia não se preocupa apenas com o tratamento do esgoto, mas com o reúso desta água nas práticas agrícolas e pecuárias familiares, na “sua importância na gestão do recursos hídricos e na sua conexão com a convivência com o Semiárido”, sintetiza. Mas ela pondera que “esta experiência está relacionada com a utilização do espaço que tem o protagonismo muito forte das mulheres, os espaços dos quintais, então ter o cuidado para o que se planta neste lugar não seja apenas forrageira, mas sejam frutíferas, criação de galinhas, elas são muito importante para garantir esse protagonismo e esse tipo de atividade que as mulheres costumam exercer nestes lugares”, ponderou.

Para o agricultor Gilmar Oliveira Lino, que fez um relato sobre a sua experiência com o Bioágua, o evento é estratégico para evidenciar o potencial das famílias do Semiárido que acreditam e colocam em prática as tecnologias sociais. “Essas novas tecnologia chegando estão ajudando muito a comunidade (…) eu já sabia que dava certo. Porque, ela [a água] não ia mais sumir, ia ficar pra dali eu bombar para as plantas. Foi muito interessante. Hoje todo mundo tá correndo atrás para ter um Bioágua”, explicou.

Gil Célio de Castro Cardoso, professor da Universidade do Ceará, que coordenou o GT, se diz surpreso com o que foi apresentado durante o CIIERD, “uma grande surpresa você ter uma Organização não Governamental realizando pesquisa e extensão, buscando novas tecnologias para sustentabilidade e desenvolvimento rural. Estou muito contente com que foi apresentado aqui”, disse o professor se referindo também ao conjunto de trabalhos apresentados ao longo dos quatro dias do Congresso.

Para o agricultor e líder comunitário Raimundo Nonato de Souza Primo, de Campinas do Piauí, no estado do Piauí, o que foi demonstrado sobre os sistemas de tratamento do esgoto rural foram inovadoras e precisam ser disseminadas para outros lugares: “essas práticas que a gente aprende aqui a gente tem que levar elas para nossa comunidade, principalmente, para as escolas. Nós, como lideranças, temos papel fundamental de tá levando estas formações e informações para a escolas para fazer o papel educativo da nossa juventude rural, são experiências muito ricas”, argumenta o agricultor.

Diminuir a incidência da evaporação no Barreiro trincheira

O outro trabalho apresentado foi o de “Redução de Evaporação em barreiro trincheira por cobertura suspensas em clima semiárido: eficiência de três modelos diferentes.”, sistematizado por colaboradores do Irpaa a partir do estudo da experiência, que tem o intuito de diminuir a incidência da evaporação. Para tanto, André Azevedo, colaborador do Irpaa, que apresentou o trabalho, explicou quais foram os métodos e tipos utilizados para se alcançar o parâmetro e os materiais que atendam a demanda de custo-benefício. Em todos os tipos de cobertura tiveram um percentual de evaporação reduzido.

Os resultados demonstraram que tem melhor estabilidade, o custo e a perda de água a tela sombrite. O momento foi para apresentar para o campo acadêmico uma possibilidade de tecnologia social de armazenamento da água da chuva destinada para a dessedentação animal ou produção de espécies forrageiras. A partir dos resultados obtidos com o estudo, a equipe aponta a viabilidade da tecnologia frente a realidade das famílias e do contexto climático de evaporação do Semiárido.

CIIERD

O Congresso aconteceu de 04 a 07 de dezembro, no espaço Multieventos da Univasf e oportunizou que centenas de trabalhos de pesquisas no âmbito da extensão rural fossem socializados, demonstrando significativos resultados de tecnologias sociais apropriadas ao Semiárido, no âmbito da pesquisa biológica para tratamento de águas residuárias, ações de extensão rural para fortalecer os quintais produtivos, a organização em torno da comercialização e produção agroecológica, dentre outros aspectos estudados por instituições de ensino, pesquisa e extensão presentes no Semiárido brasileiro.

Para o professor Gil Célio, a realização do Congresso em Extensão é estratégico também da valorização deste campo para a construção do conhecimento científico, “em geral a gente [Universidade] cuida muito pouco da extensão, a gente trabalha muito com pesquisa e ensino, a dimensão da extensão é pouco esquecida. O CIIERD traz esse destaque d dimensão da extensão, que é muito importante, que esse é o tripé do conhecimento científico”, conclui Gil Célio.

O II CIIERD foi promovido pelo Mestrado Profissional Interdisciplinar em Extensão Rural (PPGExR) e pelo Doutorado Profissional Interdisciplinar em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial (PPGADT), ambos da Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF. O Evento conta com a parceria e apoio de diversas instituições, entre elas, O Irpaa, através do projeto EcoForte Redes. da Fundação banco do Brasil, que investiu na estruturação dos empreendimentos coletivos.

Texto e foto: Comunicação Irpaa  


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