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Viver no sertão é conviver com o Clima

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Clima e água

Ao se propor em contribuir para a ruptura de paradigmas como “Combate à seca” para a “Convivência com a realidade climática local”, dentre outros eixos temáticos, o Irpaa adotou o Clima e Água como questões centrais e indissociáveis, para este avanço almejado no Semiárido brasileiro. Considera-se requisito a isso, uma profunda compreensão de especificidades do clima – limitações, potenciais, busca apropriada e incessante por segurança hídrica universal, em quantidade, qualidade e regularidade para as pessoas e para o meio ambiente.

Desde o princípio da ação, evidencia-se que, além do desafio de lidar com a estiagem de pelo menos oito meses por ano sem chuvas, há de considerar: a forte irregularidade das chuvas em tempo, espaço geográfico e volume, cujas médias desse último são quase sempre inferior a 800mm/ano; uma evapotranspiração potencial que alcança 3.000mm/ano; a predominância de subsolos de rocha granítica, maciça, rasa e rica em sais, com baixo volume de armazenamento e qualidade de água subterrâneas; e solos extremamente vulneráveis à desertificação.

Assim, o clima semiárido pode adquirir características de suas variáveis mais próximas do árido. Isso, aliado à falta de políticas públicas apropriadas para conter as causas de tais mudanças e promover processos de adaptação, se constituem como ameaça à capacidade das gerações presentes e futuras de usufruir dos direitos humanos, incluindo o direito à vida.

A frase “No Sertão não Falta Água, Falta Justiça”, de D. José Rodrigues, um dos idealizadores da proposta de Convivência com o Semiárido, ainda na década de 1990, soa como um marco do processo de mobilização e reflexão das pessoas em torno da busca por direitos e qualidade de vida. Outra frase diz que “No Semiárido, viver é aprender a Conviver”, reconhecendo que há estiagens anuais e secas anuais e plurianuais, ambas naturais e cíclicas, não podendo ser extintas ou modificadas, mas passivas de terem seus efeitos minimizados com soluções apropriadas e antecedentes à ocorrência das mesmas, sobretudo, na promoção de estoque de água de chuva, de modo artificial e natural, como cultura do povo e política pública de Estado.

É necessária a mudança de paradigmas e propósitos: do Combate à seca à Adaptação ao clima; da Indústria da seca à Garantia de direitos; das Grandes obras hídricas à implementação de Reservatórios descentralizados; do Agronegócio à Produção Agroecológica.

É preciso compreender as especificidades do clima semiárido (regime de chuva, temperatura) e do bioma caatinga (solo, plantas, animais, povos), aprender sobre a “Convivência com o Semiárido” e transformá-la em política pública, e fortalecer uma cultura de estocagem de sementes, alimentos e água de chuva.

Assim, defendemos “As Cinco Linhas de Luta pela Água”, a qual se constitui numa Proposta de caráter holístico, acerca do Abastecimento e Gestão de Água em Comunidades rurais difusas, baseada na captação das chuvas por meio natural e artificial, para os diversos fins, e também na reciclagem da água, como parte da Convivência com o Semiárido. As Cinco Linhas de Luta pela Água, dispõe dos seguintes componentes:


1) Água da Família (por meio de cisternas unifamiliares para água de consumo humano);
2) Água da Comunidade (reservatórios de médio e grande volume para água de uso na higiene pessoal e do lar, sob gestão unifamiliar e/ou comunitária);
3) Água da Produção Animal e Vegetal (diversas tecnologias de estoque de água para dessedentação animal, manutenção de hortas, pomares, e beneficiamento de produtos agropecuários, no âmbito familiar e/ou comunitário);
4) Água de Emergência para anos de estiagem (uso emergencial do carro pipa, e em locais de subsolo cristalino, poços, para uso apenas quando as demais fontes já não dispõem mais de água – em virtude do maior dispêndio econômico e/ou energético destes, sobretudo, quando dispõe de elevado teor de sais, o que é predominante);
5) Água do Meio Ambiente (manutenção da caatinga em pé, recuperação e preservação de estruturas de recarga de fontes naturais – recaatingamento e intervenções hidroambientais em microbacias hidrográficas, coleta e tratamento de esgotos para reúso agrícola das águas servidas).
 

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