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Mulheres do Alto Salitre se reúnem na Cachoeira em Roda de Aprendizagem

Mulheres do Alto Salitre se reúnem na Cachoeira em Roda de Aprendizagem

Poder relembrar a infância e a juventude foi um dos prazeres da agricultora Luzia Gonçalves Ribeiro, da comunidade de Passagem do Sargento, na manhã do último dia 31. Ela foi uma das participantes da Roda de Aprendizagem realizada pelo Irpaa na Cachoeira do Salitre, tendo como público alvo mulheres e como tema principal a discussão acerca da história do Vale do Salitre e a identidades dessas mulheres nesse contexto.

As participantes da Roda eram moradoras das comunidades de Gangorra II, Sobradinho e Passagem do Sargento, no Alto Salitre, município de Juazeiro. Beneficiárias do Pró-Semiárido, projeto do Governo da Bahia executado pelo Irpaa, elas optaram por fugir um pouco da prática de reuniões em locais fechados e decidiram aproveitar o cenário natural que dispõem na região. Embaixo da quixabeira, árvore nativa da Caatinga, e ao som da queda d’água, muitas informações foram trocadas, promovendo o auto reconhecimento enquanto mulher salitreira.

O debate foi provocado pela colaboradora do Irpaa Lealda Santos, técnica em agropecuária que acompanha as comunidades, e enxergou a necessidade das mulheres se reconhecerem na própria história, refletindo sobre o modo de vida, as lutas e conquistas. O grupo contou também com a contribuição de Érica Daiane Costa, também colaboradora do Irpaa e pesquisadora da história do Salitre. Na oportunidade, Érica utilizou trechos da monografia “Da passadeira ao canal de concreto: a agricultura e as mudanças no modo de vida da população do Vale do Salitre em Juazeiro – BA”, defendida pela mesma no curso de História da Universidade de Pernambuco – UPE, em 2013.

A conversa foi sendo costurada pelas colaboradoras do Irpaa à medida que as demais participantes da Roda iam trazendo elementos presentes na memória individual e coletiva. Dona Luzia Ribeiro, por exemplo, contou com detalhes como funcionava o modelo de irrigação por volta dos anos de 1960, onde havia a predominância do cultivo da cana-de-açúcar e produção de derivados como mel e rapadura. A partir disto, Érica, que também é salitreira, apresentava trechos do trabalho monográfico que registra esse período da história do Vale.

A evolução dos modelos de irrigação e a chegada da energia elétrica apareceram no debate como pontos centrais na mudança dos modos de vida no Salitre. Problemas como a má gestão da água do rio, a dominação por parte de grandes produtores, muitas vezes vindos de outras regiões, também foram apontados pelas mulheres como problemas que hoje causam, sobretudo, os atuais conflitos por água na região.

Para Ildete Nunes de Oliveira, esses momentos não existiam antes do Pró-Semiárido e garante: “tá motivando a gente a se unir”. A presidenta da Associação de Gangorra II, Maria Lúcia Simões, ressalta que é preciso “ter mais momentos como esses porque cada vez mais a gente vai aprender, ter uma aprendizagem muito valorosa”. Para Lúcia, que assumiu a presidência da Associação a partir da reanimação feita pela equipe do projeto, a troca de informação que acontece nas Rodas de Aprendizagem tem grande importância para quem participa e segundo ela “quem não participa é quem tá perdendo”.

Morando em média a seis quilômetros da cachoeira, Lúcia havia visitado o local há 30 anos. Outras mulheres nem conheciam ainda o ponto turístico do Salitre que hoje a cada final de semana recebe centenas de pessoas para aproveitar o banho e a paisagem paradisíaca. Lealda Santos destaca que é necessário trazer essas discussões pra dentro do Projeto, valorizando a história local, a cultura, incentivando as pessoas a se apropriarem da mesma e assim fortalecerem suas identidades.

As Rodas de Aprendizagem são metas do Projeto Pró-Semiárido, que é executado pela instituição em Juazeiro, Sobradinho, Sento Sé, Remanso e Campo Formoso, com recursos oriundos de Acordo de Empréstimo entre o Governo da Bahia e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).


Texto e fotos: Comunicação Irpaa

 


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