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Diversidades de temáticas são debatidas durante Seminário do projeto Bahia Produtiva

Diversidades de temáticas são debatidas durante Seminário do projeto Bahia Produtiva

Mais de quarenta representantes de empreendimentos do Território Sertão do São Francisco participaram do primeiro seminário do terceiro ano do projeto Bahia Produtiva, realizado no Centro de Formação Dom José Rodrigues, nos dias 27 e 28 de fevereiro. Durante o evento as/os participantes apontaram os avanços alcançados nos primeiros dois anos do projeto e explicitaram os pontos que ainda precisam ser melhorados, além de participar de palestras debatendo temas como melhoramento da produção, inovação na criação de produtos, comercialização e protagonismo feminino nos empreendimentos familiares.

Para Maria Aparecida Mendes, conhecida como Cida Pescadora, os produtos da agricultura familiar precisam ser vistos como pedras preciosas, ou seja, já são naturalmente valorizados, mas é com a lapidação que ganham mais valor. Há também casos em que o produto tem valor muito baixo, mas pode se tornar um produto de alta aceitação no mercado, gerando renda. Foi exatamente isso que aconteceu com o cedezinho, como é popularmente conhecido um peixe encontrado no Rio São Francisco. A pescadora, que é integrante da Cooperativa de Produção e Comercialização dos Derivados de Peixes de Sobradinho – Coopes, criou uma farinha de peixe que tem tido alta aceitação no mercado, sendo utilizada em vários pratos feitos com peixe.

Cida Pescadora foi uma das palestrantes do evento e estimulou as/os participantes a observarem o que há na comunidade e avaliar aquilo que pode ter valor agregado a partir do beneficiamento. Com isso Cida acredita que é possível “fazer um trabalho diferenciado e gerar uma renda para a família, para a sua casa, para a sua comunidade”.

Umas das alternativas para a geração de renda que tem ganhado espaço no Território Sertão do São São Francisco é a apicultura. “É uma atividade extremamente adequada e rentável”, explica José Fernandes Neto, da Bahia Ater. Ele elenca fatores positivos da atividade em nossa região: clima quente; facilidade de comercialização da produção; preservação da Caatinga; incompatibilidade com o uso de veneno. José Fernandes ainda cita a solidariedade comunitária como mais um ponto forte da apicultura. “É uma atividade que normalmente se faz com pessoas da família, com compadres ou com vizinhos. Sempre a retirada do mel é coletiva, a centrifugação e o beneficiamento também é coletiva e isso estimula muito a cooperação”, detalha.

O representante da Bahia Ater acredita que os grupos produtivos precisam investir no melhoramento e diversificação para agregar mais valor aos produtos. “A produção da cera, por exemplo, que é vendida aqui na região muito barata, você pode transformar em cera alveolada e comercializar com todo o Brasil, com um preço bem mais vantajoso”, aponta José Fernandes, que ainda dá como exemplos a produção de própolis e pólen, outras formas de gerar mais renda.

Nos últimos anos a agricultura familiar passa por uma transformação, com o beneficiamento de frutas nativas, diversificação e inserção de produtos nos canais de comercialização. Nesse contexto, as mulheres têm ocupado um papel central. Os ganhos, no entanto, não são apenas econômicos. Segundo Simone Santarém, embaixadora da Campanha “Mulheres Rurais, Mulheres com Direito” da FAO, “a discussão do feminismo avançou”, levando as mulheres ao papel de protagonistas na geração de renda, o que contribuiu para escancarar a violência contra mulher, que, segundo a palestrante, era velada nas comunidades. “Com esse empoderamento econômico, a sua autonomia financeira, ela [a mulher] tem condições de sair das situações de violência”, aponta Simone. A represente da FAO explica, no entanto, que nem tudo se resolve com a autonomia financeira, mas que isso contribui para a liberdade feminina.

“Essa discussão a gente não tem na sala de aula, também não tem, na maioria das vezes, em casa”, pontua Simone. Ela defende que esse é um debate que precisa ser feito em todos os espaços, inclusive naqueles onde há a produção para a geração de renda.

Avaliação e expectativas

Dona Ednalva Rocha Silva, da comunidade Tanque Novo, em Casa Nova, foi uma das participantes do seminário. Ela avalia como importante os aprendizados obtidos nos primeiros dois anos de assessoria do Irpaa através do projeto Bahia Produtiva. Segundo ela foi a partir da assessoria que ela atentou para cuidados simples como utilizar medicação caseira no tratamento de doenças nos animais e fazer a limpeza do chiqueiro. “Eu não fazia a limpeza e agora eu faço”, afirma.

Em cada ano do projeto novos grupos passam a ser assessorados, como é caso da Associação de Pescadores e Pescadoras de Remanso – APPR, que tem enfrentado o desafio de gestar o projeto. “Para nós é uma coisa nova, que nós necessitamos de apoio, para a gente saber lidar com as dificuldades do projeto”, conta Eliete Cunha, tesoureira da APPR. Além da orientação em quesitos administrativos, ela espera que a assessoria auxilie na melhoria dos processos de comercialização do empreendimento. “A gente espera que possa melhorar a questão do beneficiamento do pescado em Remanso”, projeta Eliete.

O projeto Bahia Produtiva é uma ação da Secretaria de Desenvolvimento Rural, executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional – CAR, com recursos do Governo do Estado da Bahia e do Banco Mundial. O seminário também foi apoiado pelo Projeto EcoForte Redes, da Fundação Banco do Brasil. 

Texto e foto: Comunicação do Irpaa


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