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Preservação da Caatinga em pé e fortalecimento da juventude rural fazem parte das ações do projeto Ater Bioma Caatinga

Preservação da Caatinga em pé e fortalecimento da juventude rural fazem parte das ações do projeto Ater Bioma Caatinga

As famílias agricultoras de comunidades rurais precisam ter acesso a direitos básicos, como: água, saneamento básico, educação e informação, que, infelizmente, muitas vezes são negados. Para que esses direitos sejam assegurados, são criadas as políticas públicas, ou seja, programas ou ações realizadas pelo Estado para garantir e colocar em prática o que está determinado na Constituição Federal de 1988 ou em outras leis para atender às demandas que afetam a coletividade. Um exemplo dessas políticas públicas é o projeto de Assessoria Técnica e Extensão Rural (Ater) Bioma Caatinga, do estado da Bahia, que visa fortalecer a agricultura familiar, preservar a Caatinga em pé, fortalecer a juventude, as mulheres rurais e promover o Bem Viver.

Nos municípios de Casa Nova, Curaçá, Juazeiro, Sobradinho e Sento Sé, no Território Sertão do São Francisco, 1080 famílias agricultoras serão assessoradas pelo Ater Bioma Caatinga através do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), no período de 4 anos. O projeto visa despertar os/as agricultores/as sobre a preservação da Caatinga; estimular práticas de cultivo e criação de animais de forma agroecológica; promover a ideia de pertencimento às comunidades, de modo que, principalmente a juventude, consiga enxergar possibilidades e viabilidades nas comunidades rurais do Semiárido.

O projeto também tem o objetivo de animar as famílias e associações a reivindicarem o acesso a outras políticas públicas que garantam direitos, por exemplo, à água, através das cisternas de consumo e de produção, saneamento básico rural, produção apropriada, dentre outras. “A gente vai trabalhar com as famílias com foco em olhar o território, a Caatinga em pé, a preservação, extrativismo, plantas nativas. A partir do olhar como um todo é que a gente vai poder animar as famílias a também pensarem no acesso às políticas públicas, geração de renda, protagonismo da mulher, da juventude”, ressalta o colaborador do Irpaa, Alessandro Santana.

Sobre a participação das mulheres, o colaborador do Irpaa, Júlio Cézar Lopes, aponta que “[...] é muito importante para o projeto Ater Biomas, mas também para o desenvolvimento local e regional, já que elas, na sua grande maioria, que estão nas unidades produtivas cuidando tanto da produção, quanto da família. Então, ter essa participação feminina é importante”.

A agricultora Cremilda Alves Feitosa, da comunidade tradicional de Fundo de Pasto Santa Tereza em Sobradinho, destaca que com este projeto, os/as agricultores/as vão aprender mais como conviver no Semiárido. Ela também ressalta a necessidade de envolvimento de toda a comunidade. “É importante todos se juntar e todos caminhar, assim a coisa vai em frente, buscando cada dia aprendizado (…) o importante é a gente abraçar o que vem pra gente na Caatinga”.

Durante a mobilização e cadastro das famílias que serão assessoradas pelo Ater Bioma Caatinga, um dos desafios encontrados, e que são ocasionados por diversos fatores, é a adesão da juventude ao projeto. No entanto, é preciso insistir nesta participação, despertando nos/as jovens a importância da Convivência com o Semiárido e a necessidade de darem continuidade à luta pela defesa da Caatinga. Pensando em como fortalecer a juventude, Alessandro conta que pretende “[...] fazer um trabalho específico, a gente quer ouvi-los, reunir, formar grupos de jovens ou reanimar os grupos de jovens que existam para discutir a Convivência com o Semiárido, a preservação da Caatinga, do bioma”.

A jovem agricultora Ingrid Bruna Lima, da comunidade tradicional de Fundo de Pasto Santa Tereza em Sobradinho, está engajada e deseja adquirir mais conhecimentos para poder cuidar melhor do seu cultivo, da criação de animais e da natureza. “Eu quero aprender o que fazer na minha terra, plantar, porque eu mesmo ainda não sei muita coisa, e eu participando [do Projeto] vou aprender um pouco”. Ingrid também acredita que a participação no projeto vai contribuir para o seu desenvolvimento pessoal. “Eu sou muito tímida, eu acho que a proximidade de muita gente vai me ajudar a melhorar [meu raciocínio], porque estou acostumada só com eles aqui [a família]”.

Também é necessário destacar que as políticas públicas de acesso à água ainda são o sonho de algumas famílias, como é o caso da agricultora Ienice Santos, mais conhecida como Soraia, da comunidade tradicional de Fundo de Pasto Mucambo, em Curaçá. Ela relata a dificuldade de acesso à água. “Aqui chove, mas não tenho barreiro (...) pra gente juntar uma aguinha, porque no tempo da seca a gente não tem água, os bichos fica tudo com sede”. Soraia ressalta ainda que, com esse direito básico garantido, ela poderia aumentar a plantação, tendo mais alimentos para consumo e para venda, o que melhoraria a renda familiar.

Assim, o Bem Viver das comunidades rurais perpassa pela criação de políticas públicas voltadas às necessidades desse povo, respeitando sua cultura e os modos de viver. “Eu sempre pedi a Deus que voltasse todos os projetos do homem da Caatinga, da mulher da Caatinga que deixa de viver na rua [cidade], desempregada, sem ter a sobrevivência. A roça, a gente não larga por dinheiro nenhum! Sei que um dia Deus vai me levar, mas vou com pena de deixar a Caatinga”, afirma a agricultora Maria Magnólia da Silva, também da comunidade Santa Tereza.

Na próxima etapa do Ater Bioma Caatinga está prevista a realização de diagnósticos nas comunidades. A partir das informações coletadas nessas atividades, que têm o objetivo conhecer a história, as potencialidades e as demandas de cada localidade, será realizado o planejamento das etapas seguintes. O projeto é financiado pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater).

Texto e foto: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa


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