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Agricultoras e agricultores da Bahia e Piauí participam de Escola de Formação de Convivência com o Semiárido

Agricultoras e agricultores da Bahia e Piauí participam de Escola de Formação de Convivência com o Semiárido

Uma mistura de perfis de mulheres e homens dos estados do Piauí e da Bahia preenche o espaço de formação mantido pelo Irpaa em Juazeiro (BA). São agricultoras e agricultores, de diferentes idades, origens e com distintas experiências, as/os quais integram o público da Escola de Formação para Convivência com o Semiárido, que teve início no dia 16 e vai até o dia 21.

A atividade é uma iniciativa da instituição, através do Projeto Semiárido Produtivo, que desde 2017 vem sendo executado nos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, além do Piauí e da Bahia. Na próxima semana será a vez de representantes dos demais estados comporem o público da Escola, que acontece no Centro de Formação Dom José Rodrigues, a 12 km da sede de Juazeiro.

Estudar a origem do Semiárido a partir do teatro foi um dos momentos iniciais da formação. Embaixo do frondoso Juazeiro, as/os participantes foram convidados/as a encenarem acontecimentos do período da colonização que levaram a concentração de terras no Brasil. O momento foi seguido de debate acerca dessa realidade a partir de uma visão crítica da história, o que ainda é pouco explorado pela historiografia oficial.

Durante a discussão, a agricultora Maria Alzair da Conceição, de Riachão Velho, Itainopólis (PI), relata que sua mãe sempre se referia a grandes terras em sua região de forma crítica: “aí é o pão mal dividido”. Segunda ela, a mãe estava certa, pois a dificuldade de acesso à terra inviabiliza atividades como criação de animais, plantio, etc, serem realizadas de forma mais autônoma pelas famílias. “Enquanto uns tem demais, outros não tem de jeito nenhum”, completa a agricultora, que é conhecida em sua comunidade pelo apelido de Dona.

A problematização acerca do processo de formação dos povos brasileiros também fez parte do debate, facilitado por colaboradores/as do Irpaa. Para as/os participantes, o desconhecimento da real história do país faz com que a maior parte das pessoas não se reconheça como etnia e muitas vezes neguem suas identidades. A situação de escravidão, por exemplo, fez com que o povo negro fosse levado a esconder a história da África e assim as gerações futuras passaram a negar sua origem e identidade negra: “toda história como foi contada fazia a gente negar nossa cor”, comenta Marinei Maria dos Santos, da comunidade quilombola Tapuio, em Queimada Nova (PI).

Ao fazer a relação entre a história e os povos tradicionais que resistem hoje no Semiárido, alguns/as participantes apresentaram as principais características de suas comunidades. Jovens moradores/as de comunidades Fundo de Pasto em municípios baianos como Pilão Arcado e Remanso, em sua maioria estudantes de Escola Família Agrícola, ao apresentarem o modo de vida nestas comunidades, ressaltaram a preservação ambiental, o uso coletivo da terra, as tradições, as atividades agropecuárias como características essenciais destes territórios tradicionais.

Já representantes de comunidades quilombolas do Piauí citaram alguns elementos que ainda mantém vivos até hoje e que tem origem africana. O jovem baiano Valdeir José da Silva, compartilhou sua experiência em participar da produção do documentário Vidas Quilombolas, que conta a história de Lages dos Negros, no município de Campo Formoso (BA). Ele destacou que é indispensável registrar a história a partir das pessoas mais velhas, sendo este um processo de conhecimento da própria história, essencial, especialmente, no processo de formação da juventude.

A programação da Escola segue com atividades teóricas e práticas voltadas para clima e água no Semiárido, produção apropriada, gênero, educomunicação, além de visitas a área experimental da Embrapa Semiárido, em Petrolina, e à Escola Família Agrícola e Hidrelétrica, em Sobradinho. A realização da Escola é uma das metas do Projeto Semiárido Produtivo, que conta com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES.

Texto e foto: Comunicação Irpaa

 


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