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Agricultoras/es de Campo Formoso debatem os riscos do uso de veneno nas plantações

Agricultoras/es de Campo Formoso debatem os riscos do uso de veneno nas plantações

Durante um período de trabalho a agricultora Lucineide Lopes, da comunidade Baixinha, se sentiu incomodada. Seu corpo estava empolado e tinha manchas avermelhadas. “Eu fui no médico e ele disse que era intoxicação”, revela a agricultora. Nesse tempo ela trabalhava no cultivo da uva, em uma fazenda do município Campo Formoso.

Casos como o de dona Lucineide não são raros na região de Pacuí, em Campo Formoso. A caminho da comunidade (que é forte produtora de tomate e cebola) é muito comum encontrar propriedades onde há uso intensivo de veneno nas plantações. Ainda mais preocupante é a facilidade de encontrar agricultoras/es aplicando os produtos tóxicos sem uso de Equipamento de Proteção Individual – EPI. Assim, se torna fácil encontrar pessoas que relatem casos de intoxicação, embora o aprofundamento do tema ainda seja um tabu nas comunidades.

Mesmo sendo um assunto delicado, moradoras/es da comunidade Baixinha receberam pessoas de outras três comunidades para debater os riscos ocasionados pelo uso de agrotóxicos. O público, formado por agricultoras/es assessoradas/os pelo Irpaa através do projeto Pró-Semiárido, participou de uma palestra, onde a professora Sheila Bedo, da Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf, apresentou informações sobre os principais problemas causados pelos venenos.

A professora da Univasf apresentou dados sobre o uso de veneno nas plantações, os efeitos dessa prática para o meio ambiente e as principais doenças causadas pelo contato com tais substâncias. Ao ver Sheila Bedo citar alguns possíveis sintomas de intoxicação por uso de agrotóxicos, Dona Lucineide Lopes logo comentou que já havia passado por aquela situação. “Nasceu uma bolha no meu pé, que não sarava. Quanto mais eu botava remédio era pior”, acrescentou. Segundo a agricultora, o problema só foi resolvido quando o médico a proibiu de utilizar qualquer remédio, com exceção àqueles que ele havia receitado para fazer a desintoxicação.

Mesmo fazendo uso de veneno nas plantações algumas/alguns agricultoras/es reconhecem os riscos. É o caso de Francisco Soares, morador da comunidade Baixa Grande. Ele acredita que é possível mudar aos poucos e um dia ter a comunidade livre do uso de agrotóxicos. Hoje a situação é preocupante, com casos de exposição grave aos agrotóxicos. “As pessoas vão fazer a colheita e às vezes um dia antes o produtor aplica o veneno, não respeita a carência”, revela Francisco. O agricultor ainda conta que às vezes algumas mães levam suas crianças para roça, isso acontece até mesmo com lactantes. “Enfim, são situações como essas que a gente vê rotineiro em toda a região do Salitre, onde é uma grande produtora de tomate, cebola, pimentão, repolho”, comenta Francisco.

Por conta de suas pesquisas, a professor a Sheila Bedo é acostumada a ver de perto os problemas causados por agrotóxicos. Mesmo assim ela ficou perplexa com o contexto vivido pelas famílias no Vale do Salitre. “Me assustou muito algumas práticas, principalmente o descarte das embalagens, no meio do campo”, expõe a pesquisadora.

Como forma de auxiliar no processo de mudança, através da ações do Pró-Semiárido a equipe do Irpaa que atua na região tem estimulado o debate acerca dos problemas causados pelos agrotóxicos para a saúde humana e para o meio ambiente, assim como têm sido debatidas formas de produção orgânica. Durante a palestra ficou acertado que as comunidades farão um mutirão de coleta de embalagens de veneno, descartadas de modo inadequado no meio ambiente. Também foi acordado que o grupo faria o debate para viabilizar a produção orgânica em uma área coletiva, como forma de experimentar este tipo de produção e incentivar sua disseminação. Além disso a equipe do Irpaa está estudando possibilidades de intercâmbio para que as/os agricultoras/es possam conhecer experiências de produção orgânica na região.

O Pró-Semiárido é um projeto da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia - SDR, com recursos oriundos de Acordo de Empréstimo entre o Governo da Bahia e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida). O Irpaa executa o projeto em Campo Formoso, Juazeiro, Sobradinho, Sento Sé e Remanso.

Texto e foto: Comunicação do Irpaa


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