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Clima e Água no Semiárido brasileiro são debatidos com Escola Família Agrícola em zona de transição com o clima semiúmido

Clima e Água no Semiárido brasileiro são debatidos com  Escola Família Agrícola em zona de transição com o clima semiúmido

Escolas Famílias Agrícolas(Efa) que estão em locais com o clima semiúmido também participaram da formação “Educação, Comunicação para o Clima e água no Semiárido brasileiro”, realizado pelo Irpaa, em parceria com a Refaisa e apoio da entidade austríaca, Sei So Frei. A última formação do projeto, aconteceu nos dias 03 e 04 de maio, na sede da Efa de Brotas de Macaúbas, Bahia, reunindo também a Efa de Correntina e Paratinga.

Características do semiárido, realidade de clima e território dos municípios onde as Efas estão sediadas, foram os temas que deram início a formação, que reuniu mais de 30 integrantes dessas sete escolas famílias agrícolas. O objetivo da formação foi discutir o tema gerador Clima com o olhar da educação e comunicação contextualizadas, agregando a educomunicação como um campo de atuação para trabalhar o tema na escola.

Clima e água no Semiárido brasileiro

O primeiro conceito trabalhado com as equipes foi o ciclo hidrológico, destacando: a evaporação, a transpiração e a precipitação, onde as turmas foram instigadas a apresentar o que tem como conceito, funcionamento e qual a relação deste fenômeno com a vida e prováveis modificações que estes fenômenos vem sofrendo. Para tanto, os/as participantes também utilizaram como subsídio a Cartilha “A busca da Água no Sertão”, publicação do Irpaa, onde, em grupos, estudaram os conteúdos apresentados na cartilha e debatem a partir de suas realidades.

Teatro, cordel, exposição oral, demonstração de tecnologias simples foram algumas das formas que os grupos usaram para apresentar para as/os demais participantes a compreensão final que tinham desses fenômenos. Após a apresentação de cada grupo, outros aspectos e questões também foram problematizados por André Azevedo, colaborador do Irpaa, que estava conduzindo esse estudo.

Para André, um dos desafios das duas últimas formações do Projeto foi trabalhar a diversidade climática das Efas presentes (Semiúmido e Semiárido) sem que haja material contextualizado para dar conta das duas realidades, já que o Irpaa já possui uma gama de material contextualizado sobre o semiárido que dialogue com os ensino das Efas que estão inseridas neste clima. “Mas por outro lado, tem a riqueza de saberes que enriquece a discussão”, argumenta André, que diz ainda que a dificuldade também foi uma “oportunidade de está possibilitando que outras pessoas, grupos, famílias, entidades de outros biomas e realidades climáticas possam desenvolver programas de convivência com o clima local, assim como nós estamos aqui trabalhando com esta perspectiva da Convivência com o Semiárido. Então, ao mesmo tempo que temos esses desafios temos os potenciais e os ganhos que terminam sendo maior que as dificuldades”, argumenta.

“Nós estamos aqui trazendo também a nossa situação do Cerrado. Isso não está desassociado. É preciso ser integrado, pois o estudo do clima se faz tão necessário para a continuidade da vida”, argumenta a Gestora da Escola Família Agrícola de Correntina, Anailma de Oliveira. Ela menciona ainda que todo o conteúdo apresentado pode ser apropriado pela equipe da escola e adaptado para a realidade deles: “o material pode ser adaptado e ajudar bastante no processo de ensino aprendizado, nós temos materiais da Asa e outros [materiais] são do processo de construção mesmo com aquilo que nós temos”, aponta.

Neste contexto, um dos objetivos do projeto também foi instigar as instituições de ensino a extrapolarem o estudo do clima para além da questão geográfica, ampliando o conceito através também da transdisciplinaridade, contribuindo para quebrar um ciclo histórico de superficialidade do tema ou da redução a questão da água. “Não se apegar somente às questões hídricas do direito,… entretanto, estudar os fenômenos atmosféricos, que afetam todos estes fenômenos e que muitas vezes são negligenciados. Entender o ciclo da água e que precisa ser compreendido os fenômenos atmosféricos, ajudam a compreender as naturalidades desses processos de seca, enchentes … é primordial para compreender a superfície onde a gente vive. Compreender tudo isso requer um esforço que vai além do chão que pisamos”, argumenta Azevedo.

Foi explicado os quatro regimes de chuva no Semiárido, questionando a crise hídrica e ambiental, expondo o quanto os rios aéreos são destruídos pelo desmatamento dos biomas, por exemplo, 18% na amazônia, 50% Cerrado e 46% na Caatinga, e o quanto isso impacta direto no regime de chuvas em todo o país. Os fenômenos La Nina e El Nino também foram abordados, tratando também o quanto a soma de todos estes fenômenos impactam os regimes de chuvas. “ A nascente sofre três agressões: infiltrou menos porque desmatou, reduziu a fonte porque os poços tiram a água antes dela jorrar, choveu menos porque desmatou”, explicou Azevedo.

E para compreender ainda mais sobre a infiltração no Semiárido, a turma conheceu os tipos de rochas presentes na região e quais os potenciais de estoque e disponibilidade de água nos subsolos, o que determina diretamente a disponibilidade hídrica de determinadas regiões e suas profundidades. Ao longo do dia, a turma foi compreendendo o quanto estas informações não são aprofundadas na sociedade e nos espaços de ensino, o que impacta na forma como o uso de poços tem crescido desordenadamente e o desconhecimento que estas fontes de água tem seus limites e tempos distintos de recargas, que estão sendo afetados diretamente pela degradação dos solos e da supressão da vegetação. “Quem vive nestas áreas não pode contar muito com essa fonte de água, mas se concentrar na captação e armazenamento da água da chuva, pois a rocha por si não favorece ao estoque”, esclarece André.

André ainda trouxe alguns dados sobre a predominância do solo do semiárido ser granito e como isso gera alguns impedimentos de uso dessas terras, onde 44% das terras tem vocação agropecuária apropriada, 16% tem vocação para agricultura de sequeiro e somente 4% tolerância a uma prática de irrigação, sendo que 36% deve ser destinado a reserva, apontando também o tamanho de terra apropriado ao Semiárido para uma produção sustentável e ecológica. “É preciso entender as limitações para saber quais as atividades de produção são ecológicas e sustentáveis”, explicou André.

Educomunicação
O campo da educomunicação foi apresentado a turma como uma possibilidade de desenvolver práticas e aperfeiçoar instrumentos pedagógicos que discutam a questão climática de forma transdisciplinar no contexto do ensino das Efas, passando pela compreensão que a Educomunicação é um campo de intervenção social. O uso das mídias na educação, educação para as mídias, ecossistemas comunicativos, gestão compartilhada e produção e divulgação de informações por parte dos atores envolvidos são os princípios de uma ação educomunicativa.

Outros debates também contribuíram para a compreensão do direito à comunicação, os meios de comunicação de massa e sua influência nas relações sociais, na desinformação sobre o clima semiárido, além da leitura crítica da mídia.  Estes assuntos também foram para contextualizar a construção do esteriótipo da região Semiárido e da região Nordeste como um lugar sem perspectiva de vida digna, onde só tem calamidades e fome, desinformando ao invés de informar.

Qual o lugar da evaporação na compreensão do clima? Por que se diz que no Semiárido não chove? Por que não conhecemos o nosso clima? Foram algumas indagações lançadas aos participantes também no intuito de explicar a influência que os meios de comunicação de massa tem sobre a construção do imaginário brasileiro sobre o Nordeste, as chuvas, o bioma Caatinga, dentre tantos aspectos sociais, econômicos e políticos da região, o que contribuiu historicamente para invisibilizar as potencialidades e a compreensão da proposta de Convivência com o Semiárido. “Uma sucessão de equívocos: está seco porque não choveu. Não choveu porque Deus não quis. Para encher o lago precisa chover em Sobradinho” , afirmou André sobre reportagens que abordaram de forma deturpada sobre a crise hídrica no lago do Sobradinho.

Disponibilidade hídrica das escolas

A formação contribuiu também para que fosse problematizada a relação social e política da questão hídrica nas localidades onde estão sediadas as escolas. Para a professora Sandra Barbosa, da Efas de Irará, a formação também vai ser importante para ampliar a perspectiva de diálogo junto com os alternantes e suas famílias na discussão, especialmente, do acesso a água e a compreensão climática: “essa formação é imprescindível. Nos provoca a criar as estratégias de intervenção juntos aos filhos de agricultores… na medida que a gente vai se fortalecendo, de encontrar meios e formas de parcerias e prefeituras de nos ajudar com verbas pra gente garantir a estrutura para captação da água de chuva que ainda não existe na escola”, avalia a professora.

“A escola precisa desenvolver mais a questão do aproveitamento da água da chuva, utilizar a potencialidade de água que tem aqui. A gente deixa a água ir embora por falta de conhecimento”, aponta Tercina Souza, da gestão da Escola Família Agrícola de Brotas de Macaúbas, que esclarece que a escola ainda não tem uma sustentabilidade hídrica, mas que há perspectiva de desenvolver e buscar meios de garantir, ao menos, a captação e armazenamento da água de chuva que atenda toda a demanda da escola, sem necessitar de fontes externas.

Esse encontro na Efa de Brotas de Macaúba encerrou o ciclo de quatro formações juntos as Efas de quatro regiões do Estado. As próximas ações a serem realizadas serão as visitas de monitoramento em cada uma das escolas que participaram deste primeiro momento. Ao final do Projeto durante momento de culminância, ainda este ano, serão conhecidas as experiências desenvolvidas pelas escolas no âmbito da Educomunicação com o tema gerador Clima e água no Semiárido.

Texto e Foto: Comunicação Irpaa
 


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