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Pesquisa aponta impactos das mudanças climáticas para a região

Pesquisa aponta impactos das mudanças climáticas para a região

 Os efeitos das mudanças climáticas no Submédio São Francisco foi o motivo que atraiu pesquisadoras/es ligadas/os a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais - Rede Clima. O grupo realizou visitas e entrevistas na região para tentar entender quais são os efeitos da seca plurianual mais recente e como as pessoas aqui estão lhe dando com o fenômeno.

Após um ano da primeira visita, as/os pesquisadoras/es retornaram à região, neste mês de novembro, para apresentar os dados sistematizados e ouvir a opinião da população em comunidades rurais de Juazeiro, Uauá e Rodelas, na Bahia.

Para Manoel Matias de Alencar, técnico de irrigação do Distrito Mandacaru a equipe de pesquisa apresentou dados condizentes com a realidade da comunidade. “O que a gente vê em relação ao clima, às chuvas, tudo isso que eles falaram bate com o que a gente pensa”, explica o técnico.

Em Mandacaru ainda é muito comum o uso de veneno nas plantações. Com base em dados apresentados na pesquisa, o uso de agrotóxicos tende a crescer nos períodos em que aumento da temperatura média. De acordo com os moradores de Mandacaru, isso de fato ocorre, pois o número de pragas que atacam a plantação aumentam com as altas temperaturas.

As informações apresentadas pela equipe da Rede Clima podem ajudar a “melhorar o trabalho em relação a irrigação, em relação a aplicação de defensivos”, afirma Manoel. De acordo com ele, o Perímetro Irrigado do Mandacaru já faz um esforço para economizar água. Ele destaca o cuidado com o sistema de irrigação, para “não ter vazamento, fazer a irrigação no período noturno, que o custo de energia é bem mais barato e até as perdas de água vão ser menores”. Além disso ele afirma os agricultores locais têm feito “um manejo de irrigação adequado, considerando o KC [coeficiente de cultura], fase da cultura, período… isso gera uma economia de energia e de água”, detalha Manoel.

Satisfeito com o aquilo que foi apresentado, o agricultor Juracy Manoel dos Santos, diz que as/os pesquisadoras/es deram uma importante contribuição para a resolução de problemas graves. “Eles pesquisaram, buscaram soluções, estão apresentando... e vai ficar registrado. Se alguém quiser fazer alguma coisa, via governo ou qualquer outra entidade, tem hoje uma ferramenta, um ponto de partida”, argumenta Juracy.

O agricultor entende que não dá para impedir a seca, mas que a partir dos estudos, é possível saber “quais os impactos da seca e como amenizar isso para o agricultor”. Na opinião dele a crise hídrica de 2014 expôs a população um sério risco de impacto “econômico e ambiental”. Ainda de acordo com Juracy, por conta das mudanças climáticas as/os agricultoras/es estão sofrendo com o aumento do preço da energia e maior gasto para combater pragas, este último fator ocasionado pelas altas temperaturas. A combinação desses fatores resulta em menor produtividade.

Priscylla Mendes, integrante da Rede Clima e estudante da Universidade de Brasília - UnB, explica que o trabalho tem o objetivo de trazer uma visão do meio acadêmico e construir com agricultores o conhecimento. Ela avalia essa metodologia como um ponto positivo e chama atenção para a sintonia entre a interpretação da Rede Clima e a visão dos agricultores. “Isso mostra que a percepção que a gente teve a partir do trabalho de campo foi muito válida”, comemora Priscylla.

A pesquisadora diz ainda que ouvir os agricultores foi interessante, pois possibilitou ver a realidade do ponto de vista do agricultor, que, segundo ela, “é quem mais sofre com os impactos dessa estiagem”.

Fundo de Pasto e as mudanças climáticas

Em Uauá, o debate ocorreu com representantes de Fundo de Pasto das comunidades de Ouricuri, Laje da Aroeira e São Bento. Segundo o colaborador do Irpaa João Gnadliger, as principais preocupações apontadas foram sobrepastoreio, fogo, desmatamento causado por mineradoras. De acordo com João o grupo apontou como saídas: o Recaatingamento, a regularização dos Fundos de Pasto, educação a partir da caatinga e preservação das áreas não degradadas. “As comunidades de Fundo de Pasto querem ser ‘Cuidadores da Caatinga’, que prestam um serviço à natureza, à sociedade e para isso, no futuro, deve haver remuneração, a exemplo dos Produtores de Água no Sul do Brasil”, opina João.

Nessa fase da pesquisa as atividades devolutivas estão sendo realizadas em perímetros irrigados, comunidades indígenas e de Fundo de Pasto, mas Priscylla espera retornar em 2019 para dialogar com outros grupos que já participaram da primeira etapa, como agricultores da Feira de Orgânicos de Juazeiro, lavadeiras, pescadores e catadores de recicláveis, nos municípios Juazeiro-BA, Petrolina, Santa Maria da Boa Vista e Afogados da Ingazeira-PE.

Texto e Foto: Comunicação Irpaa


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