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Horta Comunitária do João Paulo II, em Juazeiro, comprova viabilidade da agricultura orgânica na região

Horta Comunitária do João Paulo II, em Juazeiro, comprova viabilidade da agricultura orgânica na região

Sem assessoria técnica especializada e com o uso de adubos orgânicos, produtos como coentro, alface, couve, cebolinha, beterraba, cenoura, rúcula, além de plantas medicinais como alecrim, agrião, hortelã, manjericão, tansagem são cultivados por 117 produtores e produtoras associados/as da “Horta Comunitária Povo Unido” do Bairro João Paulo II, em Juazeiro (BA).

A experiência teve início em 1987 quando as Irmãs da Congregação das Oblatas de São Luiz Gonzaga (Irmãs Luizinhas) conseguiram junto à Diocese de Juazeiro uma área para que mães de famílias tivessem uma fonte de renda através do cultivo orgânico de hortaliças. “A Diocese deu em comodato pra gente. Começou pouquinho, pedimos doação no comércio pra fazer a cerca e pedimos ajuda naquele tempo até pra comprar o esterco. A gente arrumava a carrada e dividia um pouquinho pra cada um. Os irrigador... tudo era em comum, cada qual chegava bem cedo e pegava pra ir molhar, mas era difícil, a água não tinha não”, conta uma das fundadoras, Dona Jovita Pereira que é membro da diretoria da Associação.

No início a água usada para molhação dos canteiro sera do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), mas hoje é a Mineração Caraíba que cede 1.200 m². Com o aumento da produção nos dois últimos anos, o excedente da água utilizada é pago pelos/as horticultores/as. “A luta pra gente conseguir essa água da Mineração Caraíba foi grande”, lembra Dona Jovita. Nos primeiros anos, com o apoio de Dom José Rodrigues, a associação foi buscando parcerias. O Irpaa chegou a ministrar formações, mostrando principalmente a viabilidade da produção orgânica através das técnicas de adubação, plantio adequado, defensivos naturais, etc.

Cada lote tem o tamanho de 10 m², o que é suficiente para construir seis canteiros, em sua maioria, com cultivos consorciados. De 2006 pra cá, há uma deliberação da Associação que limita o máximo de cinco lotes para cada sócio/a. A Horta possui 31.790 m² loteados e mais 27 mil m² ainda sem produzir. Para a Associação, depois de 2006, a organização melhorou muito e hoje muitas famílias estão vivendo deste trabalho.

A produção é totalmente orgânica, sendo o esterco o principal adubo utilizado. A palha de café comprada em uma fábrica existente no bairro é também um importante componente usado para fazer o composto aplicado nas lavouras. Questionado sobre um eventual uso agrotóxico, João Soares, atual presidente da Associação, diz que “até falar o nome agrotóxico aqui é proibido”.

 

Comercialização

A venda dos produtos se dá de diversas formas. Há quem venda diretamente na Horta, onde um molho de alface ou coentro sai por um real. A venda em domicílio, seja pela oferta avulsa ou por entregas solicitadas, também é feita por alguns/as horticultores/as. Outra forma de comercialização acontece nas feiras e mercados, a exemplo da Feira da Areia Branca, em Petrolina (PE), onde a produção entregue, de acordo com as/os produtores/as, se esgota antes mesmo das 7h.

Dentro da horta, há ainda horticultores/as que compram a produção de outros lotes para fornecer para Supermercados ou entidades, como acontece com João Soares que entrega produtos para os dois Restaurantes Popularesgerenciados pela Prefeitura e para um grande Supermercado localizado no centro de Juazeiro (BA).

Para Dona Jovita, a venda para oatravessador ainda é um problema. “A gente vende o molho de alface a um real, aí eles vão vender a dois e a três”. Ainda não há uma organização da associação para pensar a melhor forma de comercialização, a exemplo de um modelo de cooperativa ou mesmo o acesso aos mercados institucionais. Por enquanto, diz Dona Jovita, cada produtor/a vai vendendo sua produção como acha melhor. Ciente de que vender para o atravessador não é o melhor negócio, ela anuncia: “não quere sair de lá de dentro”.


Os lucros

Quem trabalha somente com isso, nunca lucra menos que um salário mínimo por mês. O horticultor Antônio Barreto chega a obter uma média de 1.800 reais mensais com a venda de cebolinha, alface, salsinha, rúcula, cenoura e beterraba produzidas nos quatro lotes que possui. Segundo ele, tem meses que a renda chega a 2 mil reais.

Eliane Francisca dos Santos, há dois anos cuida de um lote junto sua mãe. Ela diz que “o gasto é pouco, só com o esterco. Semente não tem gasto, a gente faz mudas”, explicou. A assessoria técnica faz falta aos produtores e produtoras, mas mesmo assim, cada um/uma vai inovando em sua forma de cultivar, visando um lucro que, segundo quem consome, não vem só do produto em si, mas da qualidade dos mesmos.

Vantagens

Quem compra os produtos diretamente na horta, paga um preço menor porque não passa pelo atravessador. Estes consumidores/as adquirem por um baixo custo hortaliças, legumes, frutas orgânicas pelo mesmo preço de outros produtos do mercado convencional, os quais em sua maioria possui alto índice de venenos.

Além disso, o consumo desta produção contribui para o fortalecimento deste modelo de organização comunitária que tem garantido a sustentabilidade de mais de 100 famílias de um bairro de Juazeiro que ainda é carente de uma maior atenção por parte do poder público local.

 


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