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Vitrine do modo de vida de um povo: diversidade e homenagem marcam Feira no Salitre

Vitrine do modo de vida de um povo: diversidade e homenagem marcam Feira no Salitre

A 3ª edição da Feira da Agricultura Familiar e de Caprinos e Ovinos do Vale do Salitre, realizada entre os dias 20 e 22 de setembro, mais uma vez contou com grande participação do público, reafirmando que o evento é também um momento de encontro e fortalecimento da identidade salitreira.

Quem esteve visitando a Feira, que acontece nas marges do Rio Salitre na sede de Junco, encontrou uma vasta produção oriunda, em sua maioria, das comunidades do distrito. Da decoração da entrada até os animais e produtos expostos por cada empreendimento, estava expressa a identidade da região, que tem na agropecuária o ponto forte da economia.

Animais melhorados, receitas de bolo e doce passadas de geração a geração, artesanato, frutas e verduras orgânicas, além de lanches, bebidas e pratos típicos da culinária local despertaram o olfato, paladar, visão e tato de quem prestigiou o evento. A audição também foi aguçada e a oportunidade de dançar forró, ouvir rap, mpb, se lançar na roda de São Gonçalo ou de samba de véio também foram atrativos para crianças, jovens, adultos e idosos. Houve ainda torneio leiteiro e de pista, premiando os animais que se destacaram, além do aconchego natural do ambiente, inclusive com banho de rio e área de brinquedos para a criançada.

O empreendedor Dirlei Cunha, da comunidade de Goiabeira II, juntamente com sua esposa produz doce de banana, produto que tem trazido para a Feira desde a 1ª edição. “As vendas sempre são boas, cada ano que passa melhora”, comemora Dirlei, informando que a partir das feiras o produto passa a ser mais conhecido e assim aumenta o número de consumidores/as interessados no doce.

Já Leidilene Ferreira, da comunidade de Umbuzeiro, fez parceria com duas irmãs e pela primeira vez participaram da Feira apresentando ao público bolo de côco, conhecido como grude, bolo de milho, de aipim, de puba, torta e biscoito de tapioca, chamados de bolachinha ou sequilhos. Satisfeita com as vendas, ela disse que a experiência foi positiva e foi incentivada por muitos/as consumidores/as a participar de outros eventos semelhantes.

Este ano, na avaliação da presidenta da União das Associações do Vale do Salitre – Uavs, Mineia Clara, o número de criadores e criadoras do Vale do Salitre que expuseram na Feira aumentou, o que mostra uma maior apropriação da Feira pela comunidade, consolidando o evento no calendário anual da região. Um dos criadores do Alto Salitre, Josemar Oliveira, destacou a importância de expor os animais na Feira, que, para ele, é um momento de troca de informações, principalmente, acerca das práticas apropriadas para melhoria dos rebanhos. Conforme Josemar, a oportunidade de ter uma Feira deste porte no distrito é algo que precisa ser valorizado, uma vez que para as/os criadores/as participarem de feiras na sede do município ou em outros locais exige uma logística maior.


Identidade

De acordo com o coordenador geral da Feira, Josemário Gonçalves, representante da Uavs, a cada ano tem sido visível que os produtos que mais tem saída são os que apresentam originalidade, aqueles típicos do Salitre ou que apresentam inovação porém sem perder de vista características da identidade das comunidades. A artesã Maria Costa, da comunidade de Tapera, bordou toalhas com o nome Salitre e obteve sucesso na venda do produto. Ela informou que fez poucas mas que vendeu todas, ficando de lado outras com outros dizeres mais comuns.

Além da exposição de animais e diversidade de empreendimentos, é “uma feira com potencial incrível através da sua cultura, dos artistas locais e do recorde de público (…), o que vem deixando a comunidade entusiasmada, na perspectiva de dá continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido, que fomenta a alegria, desenvolvimento econômico, diversidade de cultura e traz seu povo pra participar desse momento”, pontua a salitreira e coordenadora administrativa do Irpaa, Nívea Solange Rocha.

A valorização desta identidade, bem como o reconhecimento e expressividade dos potenciais econômicos locais são objetivos que busca-se alcançar com a Feira, que é realizada pela Uavs e pela Prefeitura de Juazeiro, através da Agência de Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Pecuária – Adeap. O evento “consolida um jeito de fazer com sabores e formas diferentes, aplicando a identidade própria, fortalecendo a agricultura familiar, implementando novos negócios e principalmente afirmando a cultura local, a regionalidade e todo potencial econômico, turístico, produtivo que o Vale do Salitre tem”, avalia o secretário da Adeap, Tiano Felix.

A III Feira da Agricultura Familiar e de Caprinos e Ovinos do Vale do Salitre contou com apoio do Irpaa, Carrapicho Virtual, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Juazeiro, Central da Caatinga, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, Cesol, Coafju, Adab, entre outras instituições, comerciantes e produtores/as do Vale do Salitre.


Homenagem

Inaugurando uma prática que pode ser replicada nas demais feiras distritais, o evento homenageou o criador José Virgínio, morador de Junco, conhecido como Seu Dedé. Visitante da feira em todas as edições, mesmo com pouca visão, Seu Dedé sempre demonstra seu carinho pelos animais ao percorrer a área das baias. Em janeiro deste ano, o criador mais velho de Junco completou 100 anos de idade, o que levou a organização da Feira a render-lhe a homenagem.

Na presença da família, de representantes da Uavs, da Prefeitura de Juazeiro e do público em geral, Seu Dedé prestigiou o momento marcado pela leitura do seu histórico, pela degustação de produtos da culinária local e pelo tradicional samba de véio, tendo à frente dos tamboretes sua esposa e um de seus filhos. “Nós em si não temos como agradecer, meu pai é um senhor lúcido, essa homenagem nós não vamos esquecer nunca”, expressa Lino Augusto, o filho mais novo de Seu Dedé e Dona Eulália.

A homenagem foi feita na “Tenda Seu Dedé”, espaço montado na área de visitação da Feira, onde elementos da história do mesmo estavam expostos, a exemplo de acessórios usados enquanto foi vaqueiro e elementos da música, uma das distrações do homenageado, que se mostrou muito grato com o reconhecimento.


Texto: Comunicação Irpaa
Fotos: Carrapicho Virtual

 

 


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