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Caprinovinocultura é tema de oficina em Salgueiro

Caprinovinocultura é tema de oficina em Salgueiro

 As famílias de Conceição das Crioulas, em Salgueiro-PE, participaram nos dias 25 e 26 de setembro, da oficina temática sobre criação de animais. O encontro, realizado na Sede do município e na comunidade Boqueirão, faz parte do Projeto Semiárido Produtivo, executado pelo Irpaa em cinco estados do Semiárido.

“Essa é a novidade”, diagnosticou a agricultora Ana Vicência de Oliveira, moradora no Sítio Areia, ao relatar que não sabia da necessidade de cortar o cordão umbilical dos animais e tratar com iodo. “Cortar o ‘imbigo’ dos cabritos, isso é novidade. Nunca tinha visto falar em ‘canto’ nenhum que cortasse o ‘imbigo’ dos cabritos”, reforça Dona Ana Vicência.

As técnicas de cuidado pós-parto foram apresentadas por André Luiz, colaborador do Irpaa. Segundo ele, apesar de apresentar características tradicionais de criação, a comunidade “faz pouco os cuidados necessários para as cabras e ovelhas”. No entendimento de André “o encontro serviu como um despertar, de como utilizar medicamentos, plantas, substâncias naturais para controlar as principais doenças do rebanho.”

Além das receitas naturais e de uma série de cuidados necessários no manejo do rebanho, a fim de que se possa controlar as doenças, reduzir custos e melhorar rentabilidade da caprinovinocultura no Semiárido, André pontuou a importância de armazenar alimento para os animais. A mensagem transmitida pelo colaborador do Irpaa foi vista na prática: “Eu tenho aqui um pouco de reserva de alimento que é milho... que estava prestes a se perder. Eu não deixei secar totalmente, cortei e aproveitei”, exemplifica Seu João Alfredo de Souza, morador na comunidade Boqueirão.

“Eu disse a meu filho: ‘Nós perdemos a roça? Não perdemos, porque nós cortamos e guardamos’”, reforça seu João, ao dizer que, por conta da baixa quantidade de chuvas, o milho não se desenvolveu. A saída foi cortar todo o milho, triturar na forrageira e guardar em tambores. “Pelos cálculos, eu tenho aí uns dois mil e poucos quilos de alimento guardados. Eu considero que este ano eu estou um pouco mais aliviado”, comenta ele, prevendo que tal alimentação suprirá as necessidades alimentícias do rebanho por dois meses. Antes de usar o silo de milho, Seu João e o filho utilizaram capim e sorgo, servido para as ovelhas na fase final de gestação, o que ajudou a garantir o nascimento de filhotes saudáveis. O sorgo inclusive é uma planta mais adaptada à região semiárida do que o milho.

Apesar de a comunidade ter como objetivo a ampliação e melhoria da unidade de beneficiamento de frutas, as famílias beneficiadas pelo projeto têm como uma das principais características a criação de caprinos e ovinos. Este foi o principal motivo para a escolha da temática do evento. Aurivan Santana, assessor produtivo do Irpaa em Pernambuco, afirma que “nas reuniões a gente diagnosticou que além do agroextrativismo do umbu, da criação de galinhas e de algumas famílias que produzem no quintal produtivo, é uma característica muito forte a criação de caprinos e ovinos. A gente percebe que é uma característica bem marcante”.

A análise de Aurivan é que a atividade foi “completa e participativa, discutindo sobre coisas que a gente pode fazer no dia a dia. O sal vermífugo, por exemplo, é uma formulação fácil de fazer, fácil de encontrar os materiais”, relata o colaborador do Irpaa.

Envolvimento da comunidade

O professor Francílio Bezerra, da Escola Prof. José Mendes, em Conceição das Crioulas, soube que haveria o evento na comunidade e decidiu levar alguns estudantes para o encontro. Um desses estudantes é Evanilson Gomes, 14 anos, morador do Sítio Paula e estudante do 6º-7º ano, que assim como alguns colegas fez perguntas, tirou dúvidas e diz que vai clocar em prática alguns aprendizados obtidos durante a oficina. “Eu aprendi sobre os caroços que aparecem nos bodes. Eu sou criador de bode também... Meus cabritos adoecem demais com essa doença [o caroço]”, conta o estudante, que diz criar cerca de 60 animais.

Além dos estudantes e do professor, outras pessoas da comunidade participaram da atividade, mesmo sem fazer parte do projeto, o que afirma a vocação da comunidade com a caprinovinocultura, atividade produtiva bastante apropriada ao Semiárido brasileiro.

Memória e aprendizado

Dona Ana Vicência, disse que além dos ensinamentos sobre criação, achou muito interessante a canção “Água de Chuva’, de Roberto Malvezzi (Gogó), cantada na abertura do segundo dia do evento. “Chamou atenção relembrando a nossa vida”, revela a agricultora.

Ela conta que certo dia um padre da paróquia local questionou as famílias sobre a possibilidade de guardar a água. “Quando chove não tem como vocês guardarem a água?”, conta Dona Ana. Observando a letra da música a agricultora disse entender exatamente o que o padre queria com aquele questionamento. “Já tem muito lugar que a gente guarda [a água]. É nessas cisternas, é nos açudes, já tem poço. Já é um ponto que chegou na altura do ele quis dizer, não é?”, pergunta a agricultora, deixando a dúvida se sua fala é mesmo interrogação ou afirmação.

O Semiárido Produtivo conta com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e está sendo executado desde 2017 no estados da Bahia, Pernambuco, Piauí, Alagoas e Sergipe.


Texto e foto: Comunicação do Irpaa


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