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Mulheres de Curaçá promovem empoderamento feminino e geram renda através do beneficiamento da produção

Mulheres de Curaçá promovem empoderamento feminino e geram renda através do beneficiamento da produção

Agregar valor aos produtos, aproveitar as potencialidades da localidade para gerar renda e fortalecer a identificação com o modo de vida tradicional de uma comunidade de Fundo de Pasto. É dessa forma que agricultora/es de Esfomeado, em Curaçá, estão se organizando para garantir a melhoria da renda e também somar na luta pela defesa e a identificação da população com o seu território.

A Associação de Mulheres em Ação da Fazenda Esfomeado (Amafe), atua desde setembro de 2013 para estimular a participação feminina nos espaços comunitários e gerar renda. Com a construção de uma unidade de beneficiamento, a entidade reforçou a missão junto às famílias agricultoras. “O objetivo principal é o empoderamento da mulher. Dar visibilidade, dar espaço de vez e de voz, trazer a mulher para as discussões sociopolíticas da comunidade. Esse foi o primeiro intuito da associação. Pós a fundação da entidade, a gente começa a pensar em agregar uma renda para essas mulheres e assim foi a ideia da agroindústria. A gente inicia com o beneficiamento do biscoito de sequilho e os derivados da mandioca, por também entender que a mandioca é um elemento que nós não temos na comunidade, mas temos em comunidades vizinhas e a ideia era justamente da unidade entre as comunidades, dessa geração de renda local, da troca de experiências”, afirma Cristiane Ribeiro, presidenta da Amafe.

Com a unidade de beneficiamento, a Amafe consegue auxiliar a/os agricultora/es no escoamento da produção. Atualmente, são feitos por mês, aproximadamente, 50 quilos de biscoito, 20 litros de licor e 150 potes de geleia. “A gente hoje está trazendo um diferencial, não só geleias das frutas da Caatinga, mas também geleias do quintal das agricultoras e dos agricultores. A gente faz geleias de tomate, de cebola, de pimentão; que são ingredientes que são possíveis de serem plantados em hortas comunitárias ou individuais. E aí você ter essa renda, não só quem está no beneficiamento da unidade, mas também quem está lá no seu quintal produtivo ter pra onde vender o seu produto”, explica Cristiane.

 

Dona Odete

Os rótulos dos produtos beneficiados estampam o nome “Dona Odete”, que é uma mulher da comunidade de Esfomeado que serve de inspiração para as demais quando o assunto é participação ativa na sociedade, união e independência. Cristiane Ribeiro destaca que Dona Odete “Foi a primeira ativista, a primeira empreendedora social da comunidade. Ela começa trazendo ainda nos anos 70 o associativismo, ela já trazia essa ideia de unidade, já promovia os aspectos sociopolíticos e veio fazendo um trabalho muito bacana dentro do processo social, da busca de direitos, na luta por igualdade, por políticas públicas. Foi uma forma que encontramos de manter viva essa trajetória bacana de uma mulher, que lá nos anos 70, dentro da invisibilidade maior da mulher e, ainda, diante do processo do machismo, ela era uma dona de casa , tinha filhos e mesmo assim ela saia do discurso pra fazer a prática”.

A vice-presidente da Amafe, Cíntia Graciela dos Santos, afirma com orgulho que a inspiração e o legado da Dona Odete vão ser levados sempre adiante, através da atuação das mulheres. “Estamos sempre propagando: somos mulheres, podemos mais, podemos estar onde queremos estar! Por mais Odetes, vamos levar a nossa história, a nossa raiz. Eu, mais uma Odete, junto com essas Odetes aqui, queremos mais e não vamos parar. Não vamos parar em momento algum! Vamos trazer mais, vamos ousar mais e vamos sair mais. Em qualquer espaço a gente vai estar. Sempre, vocês aí nas estradas da vida, vão saber: as Odetes passaram, porque a ousadia a gente traz no Sangue!”, expressa orgulhosa Cíntia Graciela.

O trabalho da associação já envolve diversos moradores das comunidades no território, seja na produção das matérias-primas ou no beneficiamento e comercialização. O plano é aumentar o alcance das atividades. “A gente começa a perceber horizontes. É possível que mais mulheres venham para o projeto, é possível a gente conseguir atingir mais mulheres. Hoje estamos com 15 mulheres na entidade, formalizadas, mas nós temos de forma indireta um contingente de mais de 30 mulheres. E famílias, a gente tem em torno de 50” destaca Cristiane.

Os produtos da Amafe podem ser encontrados em lojas ou feiras de agricultura familiar da região, inclusive no Armazém da Caatinga, loja da agricultura familiar inaugurada recentemente na orla de Juazeiro-BA.

Texto e fotos: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa


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