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Mulheres à frente: uso de Cadernetas Agroecológicas desperta sentimento de protagonismo feminino em agricultoras, na Bahia

Mulheres à frente: uso de Cadernetas Agroecológicas desperta sentimento de protagonismo feminino em agricultoras, na Bahia

Mulheres agricultoras de cinco municípios da Bahia deram um passo à frente na conquista da autonomia e independência financeira em suas unidades de produção, através do uso da Caderneta Agroecológica. Essa ferramenta que foi criada pelo Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA) e o Movimento de Mulheres, e utilizada pelo Irpaa através do Projeto Pró-Semiárido, possibilita a sistematização e a gestão da produtividade, contribuindo para o desenvolvimento da agricultura familiar e o fortalecimento do protagonismo feminino nesse meio, além de buscar fortalecer a produção agroecológica, pois defende a preservação dos recursos naturais e o meio ambiente como todo.

As cadernetas foram utilizadas pelo Projeto Pró-Semiárido, realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), com cofinanciamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e executado pelo Irpaa em 27 territórios rurais e 59 comunidades, nos municípios Sento Sé, Sobradinho, Juazeiro, Remanso e Campo Formoso, na Bahia. Com ações de formação e assessoria técnica nos territórios rurais, o projeto também teve como proposta dar voz e força às mulheres, que puderam contar com acompanhamento técnico considerando no planejamento das atividades as questões do gênero, destacando o importante papel das mulheres no trabalho diário da agricultura familiar.

Ao todo, foram 90 mulheres assessoradas. Dessas, 41% de comunidades de fundo de pasto, 37% agricultoras familiares, 11% de assentamentos e 8% quilombolas. Ao longo do projeto, o grupo participou de encontros, rodas de aprendizagem, questionários, construção de mapas da unidade familiar, coleta de dados e visitas para acompanhamento e sistematização. Nesse período, todas foram estimuladas a criar o hábito de realizar anotações relativas à produção diária, como o que é consumido pela família, o que é comercializado, trocado e/ou doado. A assessora de gênero do Projeto Pró-Semiárido, Elizabeth Siqueira explica que, além de introduzir o uso da caderneta entre as mulheres, nas comunidades, também são aplicados, a partir do projeto, métodos de identificação e mapeamento.

“A ferramenta metodológica [caderneta] não vem sozinha. Ela vem com mais duas outras ferramentas: o questionário, que traz todo o olhar se essa mulher é indígena, quilombola, é de fundo e fecho de pasto, se ela acessa outras políticas, quantas pessoas na família, e um outro elemento que é marcante é o mapa da socioagrobiodiversidade, que possibilita ver as áreas ou as atividades que as mulheres desenvolvem sozinhas ou com seus companheiros e filhos/as, e quem está no comando desse processo de produção. Essa ferramenta possibilita às entidades que estão fazendo acompanhamento técnico a refletir sua prática, a entender também esse novo enfoque, que é o enfoque de gênero”, esclarece Beth.


Os desafios com o uso das cadernetas foram muitos: as dificuldades de leitura e escrita de algumas mulheres, obstáculos no contato via telefone e/ou ausência de internet, falta de ânimo e hábito para fazer as anotações e o acúmulo de atividades característico da relação mulher-família, e ainda as limitações geradas em 2020 com a pandemia de coronavírus, entre outras questões. No entanto, mesmo em meio as adversidades, as sementes foram plantadas e muitos frutos foram colhidos. As mulheres passaram a construir o sentimento de autoestima, de empoderamento e confiança em relação ao trabalho realizado na roça, aprendendo a organizar a produção e a visualizar a geração de renda através do trabalho diário. Também puderam participar de eventos, como o Seminário Estadual das Cadernetas Agroecológicas, e da produção de conteúdo para web, como a série de podcasts “Guardiãs da Agrobiodiversidade”.

De acordo com Aline Nunes, colaboradora do Irpaa, a construção da autoestima feminina, a geração de renda, o fortalecimento da segurança alimentar e a Convivência com a região do Semiárido estão entre os pontos positivos resultados da utilização das cadernetas pelas mulheres agricultoras. “Essa ferramenta tem sido revolucionária, pois a partir dela é possível visualizar essa produção, historicamente tida como pequena, insignificante, sem valor. A partir dessa ferramenta, nós temos resgatado a autoestima dessas mulheres. Através das anotações que elas fazem diariamente, elas têm percebido a importância do seu trabalho tanto para a segurança alimentar como para a geração de renda da família. É uma ferramenta que dialoga com a perspectiva de Convivência com o Semiárido, ao passo que ela trabalha com o respeito às tradições locais”, destaca.

A partir da coleta de dados realizada nos lotes de Campo Formoso e Juazeiro, composto por Sobradinho, Sento Sé e Remanso, foram identificados 288 produtos provenientes do trabalho das mulheres, sendo a maioria desses alimentos de origem vegetal. Outros produtos, como alimentos de origem animal, plantas e preparos medicinais, mudas e sementes estão entre os principais identificados. E, om a utilização das cadernetas agroecológicas, a circulação de recursos e de produtos cresceu nessas localidades, mediante a comercialização, troca e doação de produtos. Do qu é produzido, 59% é destinado para a venda. Das 90 agricultoras assessoradas, 85 vendem seus produtos em casa, 34 na comunidade e 16 de porta em porta. “É surpreendente a renda gerada. É de aproximadamente R$ 270 mil [o valor total gerado no período de 01 ano nos cinco municípios de atuação do projeto]. Nós temos agricultoras, por exemplo, que têm uma renda média de R$ 1.390 por mês, oriundos do seu trabalho no quintal [produtivo]”, destaca Aline. De maneira geral, a renda média por agricultora chegou a ser de R$ 482 em 01 mês de produção, em junho de 2020.

Maria Silvani Gonçalves dos Santos, agricultora que mora no Distrito de Pinhões, zona rural de Juazeiro (BA), enxerga o uso da caderneta como um instrumento de geração de renda e confiança no trabalho diário. Para ela, é um meio de animar as mulheres. “Nós começamos as anotações na caderneta, tudo aquilo que a gente produz, tudo que a gente colhia no nosso dia a dia, toda a nossa alimentação tirada da roça, do quintal, nós passamos a anotar tudo aquilo [...] Um ovo que a gente consumiu ou vendia, o frango que vendia ou consumia, nada disso a gente tinha conhecimento de quanto rendia. E com a caderneta nós passamos a saber o rendimento da nossa produção [...] Depois dessa caderneta, muitas mulheres vão saber que aquele trabalho delas do dia a dia não é pra desanimar. É pra se animar e produzir cada vez mais, porque, realmente, a gente gera renda. Ou pra vender, ou pra colher, pra botar na panela pra economizar a renda do mês”, declara.

Texto e Foto: Comunicação Irpaa 


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