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Semiárido Show 2019 sedia Feira de sementes crioulas vegetais e animais

Semiárido Show 2019 sedia Feira de sementes crioulas vegetais e animais

Guardiões, guardiãs de sementes crioulas e visitantes do Semiárido Show 2019 se reuniram ontem (20) na “II Feira da Agrobiodiversidade – Sementes Crioulas: Patrimônio dos Povos do Semiárido a Serviço da Vida” para compartilhar conhecimento e troca de sementes que são cultivadas de geração em geração, como é o exemplo do seu Alberto Santos, da comunidade Caldeirão Grande, que aprendeu a guardar as sementes com seu pai e desde os 18 anos se tornou guardião. “Meu pai dizia: Esse é um futuro que a gente deixa para os nossos filhos e eu penso nisso, no futuro, meus filhos ter uma semente que ela não contém veneno”

“A semente crioula representa a minha vida, porque é minha saúde. É uma semente que eu planto e sei que ela não tem problema para prejudicar minha própria saúde e da minha família”, afirma Seu Alberto. A certeza do guardião é baseada no entendimento de que as sementes crioulas, seja vegetal ou animal, são livres de qualquer modificação genética ou utilização de produtos químicos. Essa prática dos agricultores e agricultoras familiares de cultivar e guardar as sementes crioulas promovem o enfrentamento ao modelo da agricultura convencional que, na maioria das vezes, é pautada no agronegócio e no monocultivo, realidade bem distante da propriedade da guardiã de sementes, Dona Iracema Pereira Santos, do Sitio Bonfim, em Pilão Arcado.

No quintal de Dona Iracema é possível encontrar uma riqueza de semente vegetal, uma parte da diversidade ela trouxe para expor na Feira. “Aqui tem semente de abóbora, mandioca doce de três espécies e trouxe da que a gente faz farinha e ração, umburana de cheiro (...) se nós não temos semente, nós não vamos plantar, nós temos que guardar para ter o que plantar”, explica a agricultora. Essa variedade de sementes presentes na agricultura familiar contribui significativamente na luta pela segurança alimentar no país.

Para Clerison Belém, colaborador do Irpaa, as sementes crioulas contem uma diversidade genética. Ele faz um destaque para a semente animal: “a raça nativa é bem adaptada à nossa região, às nossas condições climáticas, a exigência nutricional dos animais é bem menor, então é mais apropriado, eles conseguem produzir com menos (…) não é raça que vai definir a produção, mas sim manejo, a alimentação que comunidade dispõe”, explica Belém. Na Feira foi possível visitar sementes animais de cabras e também de galinhas, a exemplo da raça canela-preta, que estava sendo exposta pelo estudante da República do Irpaa, Paulo Queiroz. A raça canela-preta “quase foi extinta e hoje está se introduzindo dentro das comunidades (…), essa raça é adaptada às nossas condições climáticas”, argumenta Paulo.

Paulo destaca outro elemento positivo na criação da galinha da raça canela preta, que é a produção da ração a partir das plantas existentes na Caatinga: “a ração que a gente tem aqui usa algaroba, feijão andu, a parte aérea da mandioca, a raiz da moringa (…). A gente tá preservando nossas galinhas das transgenia”, explica Queiroz. A ração de galinha canela preta foi um das ganhadoras da premiação dos guardiões e guardiãs de sementes.

A Feira contou também com a participação de outros/as agricultores e agricultoras familiares dos municípios baianos localizados nos territórios Sertão do São Francisco, Piemonte Norte do Itapicuru e Piemonte da Diamantina.

Lançamento do Projeto Semente Crioulas

Projetos com sementes crioulas serão executados por duas organizações da sociedade civil, o Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (Sasop) e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) em parceria com o Pró-Semiárido, projeto do Governo da Bahia financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

O colaborador do Sasop, Eduardo Rodrigues Araújo, explica que o projeto trabalhará com agricultores e agricultoras assessorados/as pelo Pró-Semiárido nos municípios do Sertão do São Francisco e em Campo Formoso. “A ideia é fortalecer os territórios que têm os bancos de sementes e, além disso, existe uma série de atividades como diagnóstico da biodiversidade, construção de estratégia de resgate e multiplicação de sementes, seja nível de quintal ou roçados comunitários”, pontua Araújo.

Durante o lançamento, Leomárcio Araújo, dirigente do MPA, abordou a importância das sementes crioulas para a soberania alimentar, afirmando que “a semente crioula é pilar para a soberania”. Ele ainda afirmou que é muito significativo lançar esse projeto no Dia da Consciência Negra, lembrando de todo conhecimento ancestral que existe na prática de guardar e partilhar as sementes.

Essa ancestralidade também apareceu na peça “Teatralizando sementes no plantio agroecológico”, que, a partir do diálogo entre duas personagens representando duas agricultoras, abordou a importância das sementes crioulas em contraposição aos perigos das sementes transgênicas e convencionais. Durante a peça as agricultoras abordam a Lei de Mudas e Sementes, de nº 10.711/2003 e seus desafios na execução, além de pautar questões ligadas gênero, comunicação popular, acesso à terra e água. A obra contou com direção de Kátia Souza Gonçalves, com interpretação da mesma e de Neuraide Moraes Marinho, ambas estudantes do mestrado em Extensão Rural da Univasf, (PPGExR/Univasf). A peça é uma realização do Núcleo de Estudos e Pesquisa Sertão Agroecológico da referida universidade.

A Feira foi uma realização do Projeto Pró-Semiárido em parceria com o Sasop, com apoio da Embrapa Semiárido. O momento integrou a programação da 8ª edição do Semiárido Show, realizado pela Embrapa entre os dias 19 e 22 deste mês, em Petrolina (PE).

Texto e fotos: Comunicação Irpaa


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