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Em Juremal, discussão sobre manejo e gestão de quintais em comunidades de sequeiro envolve adultos, jovens e adolescentes

Em Juremal, discussão sobre manejo e gestão de quintais em comunidades de sequeiro envolve adultos, jovens e adolescentes

A sala da casa de Iara Carvalho e Heidson Duarte, na Fazenda Santa Maria, em Juremal, distrito de Juazeiro (BA), foi o ponto de encontro de membros do Grupo de Interesse de Quintais Agroecológicos, as/os quais participaram de uma Roda de Aprendizagem no último dia 12. A partir de metodologias que promovem a reflexão sobre o modo de produção das famílias, bem como demonstrações práticas, o Irpaa e a CAR (Companhia de Ação Regional) facilitaram a atividade, que é parte do Projeto Pró-Semiárido.

A intenção foi discutir o manejo e a gestão dos quintais, uma vez que as famílias foram beneficiadas com estruturas como canteiros, cisternas de produção e galinheiros e agora já começam a produzir ao redor da casa. A iniciativa do Governo da Bahia, através desta ação do Pró-Semiárido nas comunidades rurais, visa justamente promover a produção de alimentos saudáveis, além de possibilitar uma ageração de renda a partir da produção apropriada à região.

A atividade teve início com o levantamento das tarefas realizadas por mulheres e homens ao longo do dia na propriedade. Através do relógio do tempo, ficou explícito que o papel desempenhado pela maioria das mulheres em casa e nos quintais consome mais tempo do dia das mesmas, enquanto os homens acabam tendo mais tempo para descanso e lazer. Um dos objetivos do uso desta metodologia foi identificar quem mais se relaciona com atividades como quintais e aviário. Para Iara Carvalho, o exercício ajudou a visualizar as referidas funções e o tempo que é gasto em cada atividade, ficando o incentivo de que a família precisa se organizar melhor, inclusive para dar atenção ao quintal que está sendo implementado pelo projeto.

De acordo com Vitor Leonan, Técnico em Desenvolvimento da CAR, problematizar o tempo de trabalho do homem e da mulher é algo necessário, inclusive para que haja uma maior valorização das relações de gênero nas famílias rurais. “A função da Roda de Aprendizagem é um pouco disso, problematizar para que gere uma ação nas atividades que vão ser executadas nas estruturas que o Pró-Semiárido tá propondo”, explica Vitor. Somado a isso, o acompanhamento técnico e a participação ativa nas atividades coletivas de formação visam fazer com que a comunidade perceba que a produção agroecológica nos quintais possibilita uma economia significativa para a família, que, além de consumir produtos saudáveis, pode doar, vender ou até mesmo trocar, deixando de gastar seus recursos financeiros no mercado convencional.

Neste sentido, outro instrumento utilizado foi um quadro onde as/os agricultores/as listaram a diversidade da produção hoje existente nos quintais e o destino da mesma. Frutas, legumes, hortaliças, aves, vão para a mesa da família, muitas vezes de vizinhos/as e em alguns casos o excedente também é comercializado. Nesta lista pode-se adicionar ainda as ervas medicinais e as forragens. Após essa discussão, o grupo observou algumas demonstrações de cuidados com o solo e adubação orgânica, aprendizados que para o agricultor José Dilson Trindade só tem importância quando cada agricultor e agricultora colocam em prática.

Partilha de saberes

Ao lado dos canteiros cercados e cobertos com sombrite e depois de ter conhecido a técnica de uso da cobertura seca, que ajuda a manter a umidade do solo, a neta de Seu José Dilson ajudou a explicar como se faz o composto para adubação das plantas. Maria Clara Trindade, que cursa o 7º ano na sede do distrito, aprendeu na escola todas as etapas de preparação do composto orgânico. Ao ver a atividade sendo desenvolvida durante a Roda de Aprendizagem ela se aproximou para socializar também o que já conhecia. De acordo com a adolescente, ela já havia repassado para a mãe os procedimentos que passou a conhecer a partir da iniciativa de um professor em construir uma horta orgânica no colégio com o intuito de produzir alimentos para a merenda escolar, bem como para distribuir na comunidade.

A importância do esterco também esteve em evidência. É comum nas comunidades rurais as famílias comercializarem o esterco para fora e pouco aproveitar como adubo na lavoura. Com o intuito de incentivar o uso nos quintais, a colaboradora do Irpaa, Maiara Carvalho, juntamente com Vitor Leonan, explicaram as vantagens e melhores formas de usufruir do adubo proveniente dos caprinos e ovinos.

Esses momentos práticos, de acordo com as/os agricultores, são importantes para sanar dúvidas e dar respostas a curiosidades que as/os mesmas/os possuem. Como encaminhamento, cada participante se comprometeu em desenvolver nas respectivas Unidades de Produção Familiar as práticas aprendidas naquela manhã. Além disso, ficou definido que a próxima Roda deverá demonstrar como produzir defensivos naturais, muitos produzidos a partir do nim, urina de animal e chorume, por exemplo.

Maiara Carvalho, que acompanha as comunidades beneficiadas com o Pró-Semiárido em Juremal, aponta que o envolvimento das/dos agricultores/as tem sido positivo, tanto no momento de realização da Roda quanto na aplicação dos conhecimentos no dia a dia. Maiara destaca que isso aparece refletido na própria atividade, onde é satisfatória a participação ativa das/dos agricultores/as, que acabam direcionando o roteiro da discussão.

A jovem Bianca Duarte, conta que participa das atividades do projeto porque desperta sua curiosidade. Ela diz que busca se esforçar para aprender “pra que lá na frente eu tenha esse conhecimento pra passar de geração pra geração”. Bianca reforça: “aquele conhecimento que você aprende no projeto [Pró-Semiárido] não é apenas para ficar lá, mas sim pro cotidiano (…), é mais um conhecimento adquirido que a pessoa tem, não somente aquele do colégio, mas também esses da Roda de Aprendizagem, porque é uma forma muito lúdica de aprender.”

As/os participantes da Roda de Aprendizagem integram o Território Rural Sertão Forte, que é composto pelas comunidades de Olho d’Água, Riacho do Meio, Fortaleza e Lagoa do Angico. Neste Território o Projeto Pró-Semiárido já instalou 27 galinheiros, 08 cisternas de enxurrada com bomas elétricas, 15 canteiros telados e 07 canteiros econômicos.

O Irpaa executa o Pró-Semiárido em outros distritos de Juazeiro e também nos municípios de Remanso, Sobradinho, Sento Sé e Campo Formoso. Essa experiência com o Grupo de Interesse de Quintais em Juremal irá constar em um livro que está sendo produzido pelo Serviço Territorial de Apoio a Agricultura Familiar – Setaf Juazeiro. A publicação irá sistematizar a ação do Núcleo de Estudos em Agroecologia e Convivência com o Semiárido, que tem pesquisado, refletido e aplicado conhecimentos nas comunidades por meio do projeto.

Texto e fotos: Comunicação Irpaa


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