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Paulo Freire: um ser humano exemplo de compromisso com a luta do povo!

Paulo Freire: um ser humano exemplo de compromisso com a luta do povo!

 

Se estivesse vivo, o pernambucano Paulo Freire completaria em 19 de setembro, 100 anos. E nada mais justo homenagear ele, considerado Patrono da Educação Brasileira, e reconhecido mundialmente, tanto por sua vasta produção teórica, como pelo seu ativismo político em defesa dos oprimidos.

Vida e trajetória política

Nascido de família de classe média, Paulo Freire quando criança conheceu a dureza da fome e da pobreza, mas nunca deixou de ter esperança, pois foram essas dificuldades que lhe deram a certeza de que sua vida estaria dedicada à luta junto às pessoas mais pobres. Com auxílio da família, pôde dedicar-se aos estudos, chegando a cursar a Faculdade de Direito do Recife em 1943. Apesar de bacharel em direito, a sua grande paixão foi o ofício de ensinar, exemplo herdado de sua irmã Stela. Para ele, que ensinava língua portuguesa, a escola é um espaço para o encantamento com o mundo.

Em sua trajetória profissional iniciou na década de 60 uma experiência pedagógica de alfabetização, que depois ficou conhecida como Método Paulo Freire, onde alfabetizava pessoas em 45 dias. Uma das suas experiências mais marcantes foi em Angicos, no Rio Grande do Norte, em 1963. A partir daí, e com o incentivo do então presidente do Brasil João Goulart, Freire iniciou um projeto ainda maior, conhecido como os Círculos de Cultura, que destinava-se a realizar a alfabetização de trabalhadores e trabalhadoras.

Pela importância do seu método, Freire em 1964, durante a ditadura militar, ele foi considerado um subversivo e acabou sendo preso durante 70 dias. Após sua saída da prisão Freire vai para o exílio, e onde passou deixou inúmeras experiências. Em sua passagem pelo exílio, Freire morou em diversos países e por onde passou deixou. No Chile, por exemplo, trabalhou no Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e na Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação. Em sua passagem pela Suíça contribuiu como consultor educacional do Conselho Mundial de Igrejas, além de atuar como consultor em países do continente africano, como Moçambique e Guiné-Bissau.

Com a anistia em 1979, Paulo Freire pôde voltar ao Brasil, e já envolveu-se na luta, filiando-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), contribuindo nos programas de alfabetização promovidos pelo partido entre 1980 e 1986. Exerceu o cargo de secretário municipal de educação da prefeitura de São Paulo entre os anos de 1989 a 1991, e dentre suas ações de relevância criou o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA), que até hoje vem sendo utilizado pelo poder público.

Para a Educadora Popular, Juzileide Carvalho do Nascimento, a grande contribuição para a educação brasileira deixada por Freire é ter pensado uma proposta de Educação para a classe trabalhadora. “ A grande contribuição de Paulo Freire é que ele pensou uma educação de caráter inclusivo; a educação de Paulo Freire é uma educação para a realidade dos trabalhadores e das trabalhadoras”, e acrescenta “eu acredito, pelo que eu tenho lido, vivido, experimentado no processo de Educação Popular é um processo que olha para a realidade do povo”.

Para falar com propriedade de Paulo Freire, é preciso mergulhar na vida, na obra e na história dele”, reafirma Juzileide. Ela também destaca que as ideias de Paulo Freire são tão profundas que é necessário que pesquisadores e pesquisadoras possam se debruçar sobre sua obra.

Suas ideias e seu legado para a Educação Brasileira

As ideias de Paulo Freire não nasceram com ele, muito pelo contrário, elas foram sendo construídas dia a dia, na vivência com as pessoas e nas experiências da vida. Suas ideias fundamentam-se em princípios humanistas, carregados de amorosidade e compromisso com a vida das pessoas mais humildes, que ele chamava de oprimidas, enfatizando assim que aquela condição de opressão não era um fenômeno natural, e sim uma condição em que essas pessoas eram submetidas.

Em torno da Pedagogia, Freire deixou grandes reflexões e contribuições para se pensar uma nova forma de se fazer educação. Ele criticava o modelo educacional “bancário, onde colocava o estudante como um mero receptor de informações, nunca tendo a oportunidade de pensar por conta própria e de definir seu próprio processo educativo.

Além das críticas à forma de se fazer educação, Freire também criticava aquilo que chamava de “cultura do silêncio”, que para ele criava comportamentos e formas de pensar que os colocavam em situação de opressão. “Eu penso que a ideia central de Paulo Freire é a liberdade. A educação libertadora, a educação para a autonomia dos sujeitos”, enfatiza Juzileide. Ela reforça que tanto a autonomia, como a liberdade precisa ser na vida social, econômica e política das pessoas, e que esta é a grande contribuição que Freire deixa para pensar um país com justiça social.

É por isso que Paulo Freire neste momento da história, com o avanço de ideias e grupos conservadores, que ele tem sido tão atacado e desconsiderado. “ A educação freireana não é uma proposta educacional para poucos, é uma proposta para todos. É uma educação que pensa todas as pessoas, no seu contexto, na sua realidade, mas também é uma educação que pensa em melhorar a vida das pessoas, ampliar uma visão de mundo”, destaca Juzileide.

Ao longo de sua trajetória como educador, Freire escreveu mais de 35 livros. Foi o brasileiro mais homenageado da história, com pelo menos 35 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades de todo mundo; recebeu diversos galardões como o prêmio da Unesco de Educação para a Paz em 1986. Em 13 de abril de 2012 foi sancionada a Lei nº 12.612, que declara o educador Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira.

Texto: Educação e Comunicação Irpaa

Foto: Instituto Paulo Freire




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