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2ª edição do projeto Ecoforte é apresentada para empreendimentos da agricultura familiar

2ª edição do projeto Ecoforte é apresentada para empreendimentos da agricultura familiar

A manhã do dia 22 de julho foi para lançar para o Território Sertão do São Francisco a segunda edição do Projeto Ecoforte – Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo, e Produção Orgânica. O Encontro reuniu mais de 30 representantes de associações, cooperativas, grupos de empreendimentos, entidades não governamentais na sede do Irpaa, em Juazeiro – BA. O Ecoforte é realizado pelo Irpaa em Convênio com a Fundação Banco do Brasil,  Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com a Central da Caatinga.

O Encontro teve o objetivo de apresentar as ações e os resultados da primeira edição do Ecoforte e esclarecer quais as novas ações, prioridades e abrangência dessa segunda edição do Projeto. O momento também foi para ouvir dos grupos presentes quais demandas existem, assim como anseios  e necessidades em relação ao que está previsto para os próximos 18 meses do Projeto. “Em cada passo do projeto, a gente vai de mãos dadas, avançando junto nas demandas e necessidades dos grupos e das comunidades. Fica visível que nós estamos caminhando certo, colocando o processo formativo como principal elemento de fomento ao projeto junto às cooperativas e empreendimentos”, avalia a Coordenadora Administrativa do Irpaa, Nívea Solange Rocha.

“O Projeto trouxe a formalização e reconhecimento produtivo da agricultura familiar do Território, formalizando uma rede produtiva e criando o espaço comercial para disponibilizar esses produtos numa loja física”, relata o colaborador do Irpaa, Paulo César de Jesus, que coordenou a primeira edição do projeto. Ele lembra que isso fortaleceu a comercialização dos produtos da Rede Sabor Natural do Sertão, que era uma articulação fruto também do trabalho da Articulação Nacional da Agroecologia. Paulo César apontou ainda outros resultados do Projeto, como o tratamento da água das unidades de produção familiar, a criação das marcas e rotulagens dos produtos, fortalecimento da Rede de Mulheres do Território e da comercialização.

Tais resultados foram enfatizados pelos/as participantes do projeto presentes no Encontro. A presidenta da Associação de Apicultores de Sento Sé (AAPSE), Jaciara Ladislau, destaca que a disponibilização de equipamentos para os grupos, assim como as mudas, que já estão colhendo os frutos, contribuíram para manter a produção, além de apontar que “os grupos não perderam o foco da economia solidária”. Ela avalia que o Ecoforte garantiu a visibilidade do potencial dos grupos, uma vez que “ele veio para fortalecer o coletivo. A gente não tinha uma venda muito grande. Com a construção da Central da Caatinga, abriu-se um ponto comercial para, além dos produtos, fortalecer isso”, destacou.

Para o representante da Coopervida, Domingos José dos Santos, com a criação da Central da Caatinga houve uma outra perspectiva para os alimentos e produtos da agricultura familiar: “o nosso produto está lá. Em supermercado nenhum a gente encontra. É alimento, é saúde”, avalia o agricultor. “Sem falar que a gente não está produzindo alimento só para colocar na nossa mesa, mas na mesa de outras pessoas”, complementou o representante da Associação de Produtores Familiares de Fartura (APAF), em Sento Sé, Claudiomário Rodrigues. O agricultor informou que, a partir desse engajamento, a associação de sua comunidade começou a comercializar para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do município.

Para o representante da Associação de Ladeira Grande, município de Casa Nova, Antônio dos Santos, houve um avanço no setor da caprinovinocultura familiar. “Através desse projeto e parceria com a Central da Caatinga, a Associação recebeu o selo da agricultura familiar. A única que recebeu na região de Casa Nova”, destacou orgulhoso.

A preocupação ambiental também foi um resultado apontado pela representante da COOPES Peixe, de Sobradinho, Maria Aparecida Mendes (Cida Pescadora): “nós trabalhamos com peixe e gera muito resíduo. O produto a gente vende, mas o resíduo? A gente com a ajuda do projeto conseguiu fazer beneficiamento das escamas, começamos a confeccionar bio joias, produtos, flores, vários tipos de artesanatos. Agora, nós estamos planejando um outro curso que beneficie o couro, que vem sendo descartado. Um projeto desse não pode parar”, exclamou a pescadora.

2ª edição do Ecoforte

A 2ª edição do Ecoforte tem o objetivo de fortalecer a Rede Central da Caatinga, através da adoção de novas técnicas de beneficiamento e de comercialização dos produtos da agricultura familiar e da economia solidária, fomentando a estruturação e o acompanhamento técnico aos empreendimentos coletivos no Semiárido. Ao todo serão contemplados 20 empreendimentos da agricultura familiar do Território Sertão do São Francisco que participaram da primeira edição do Ecoforte. 

As ações planejadas constam de atividades práticas, estruturação dos empreendimentos coletivos, formações coletivas, diversificar canais de comercialização, dentre outras. “O primeiro projeto foi a estruturação das unidades produtivas. O foco desse é potencializar a comercialização, fortalecendo a Central da Caatinga e os grupos que estão dentro dela. Acompanhar, assessorar e ver o apoio necessitados pelos grupos”, esclarece Nívea.

A coordenadora argumenta ainda que a perspectiva é continuar com esse processo formativo no intuito de “que os grupos possam alcançar cada vez mais a plena qualidade de vida para que eles avancem no mercado, colocando produtos de qualidade com a marca de sua comunidade”, explica Rocha.

O Diretor Presidente da Central da Caatinga, Adilson Ribeiro, parceira no projeto, vê o financiamento voltado para estes grupos como uma estratégia do investimento na base da produção, de orientação de todo o sistema produtivo. “É o que precisa ser feito agora, com foco na comercialização para que possa garantir produto na prateleira do supermercado, garantindo a sustentabilidade na sua base de produção e renda para as famílias”, argumentou.

Central da Caatinga

O momento também foi para evidenciar o trabalho desenvolvido pela Central após seus três anos de existência e um pouco mais de um ano de loja, contemplando nove cooperativas e mais 20 associações e grupos produtivos. Na ocasião, foi exposto o que está planejado como estratégia para fortalecer a comercialização dos produtos da agricultura familiar, como o funcionamento da loja, a possibilidade de um empório na orla de Juazeiro, aliança com o setor privado, identificação de novos produtos, dentre outras ações.

Para Adilson, o objetivo maior da Central é “fazer com que gere renda nas bases de produção. Não adiante a Central ter dinheiro na conta se nas bases continuar do mesmo jeito. A gente precisa mostrar como resultado que o bolso do agricultor mudou a vida dele”. Ele defende que os grupos precisam colaborar para que a Central seja referência e tenha resultados para todos/as, como por exemplo, “fazendo as adequações necessária para a comercialização, acessar mercados”, frisou.

Desafios na comercialização

Outro ponto que foi evidenciado pelos/as participantes foi o desafio da Agroindustria familiar frente as exigências da inspeção sanitária, que não atendem as especificações das unidades de produção da agricultura familiar. Ficou evidente o anseio que o Estado cumpra o seu papel em fortalecer a agricultura familiar, “mas até agora nenhum dos movimentos cobram do Estado isso, que reconheça e legalize essas pequenas unidades, para o governo acelerar a regularização das unidades de produção”, aponta José Moacir dos Santos, representante da Coopervida e presidente do Consea. Cida pescadora desabafa: “É burocracia demais. O maior gargalo não é produção, não é a capacitação, mas um local que atenda todas as exigências da legislação”, argumentou.

“A gente sabe que os produtos na base de produção tem qualidade, eles tem um valor nutricional enorme, além do enriquecimento do produto. O que o Estado precisa entender é justamente isso, que a gente tem produtos diferenciados, (...) com a mão de obra de agricultores e produtores que trabalha para garantir esse produto saudável (...). Então, isso precisa ser levado em consideração”, defende Adilson.

Texto e Foto: Comunicação Irpaa
 


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