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"Nossa relação com a natureza tem que ser repensada", diz bispo sobre usina nuclear

Estudos de órgãos federais consideram Itacuruba o local apropriado para abrigar uma usina nuclear na região Nordeste, em virtude da aproximação com o rio São Francisco. De acordo com declarações do Ministério de Minas e Energia do Governo Federal, a energia nuclear seria importante para manter a matriz energética do país. Porém, a instalação da usina pode trazer impactos para a vida de comunidades quilombolas e povos indígenas. Em entrevista ao Brasil de Fato Pernambuco, Dom Gabriel Marchesi, bispo da Diocese de Floresta, fala sobre os impactos desse empreendimento para a vida das pessoas, como expulsão de povos tradicionais de seus territórios, além da Campanha da Fraternidade 2019.

Brasil de Fato: O que a possibilidade de instalação da usina representa para a região do sertão de Itaparica e o estado de Pernambuco?

Dom Gabriel: O que representa para o governo eu não sei, talvez uma implementação de energia elétrica. Eu sei que, para nossa região, para nosso povo, representa uma ameaça. Quais são os riscos para as vidas das pessoas? Quem deve sair das suas terras? Está se tomando uma decisão que tem a ver com a vida de muitas pessoas, sem dizer nada para essas pessoas. Cadê o respeito à vida das pessoas? A participação do cidadão na construção do seu presente e no seu futuro? Então, para nós, nesse momento, é uma surpresa e uma ameaça.

De acordo com a revista New Scientist, as usinas nucleares são consideradas lixos radioativos e o Brasil não possui um depósito seguro para esses dejetos radioativos. Como você vê esse cenário de risco à saúde da população?

Vejo com muita preocupação. Vai ser um investimento de bilhões para produzir quanta energia? Uma usina nuclear, sozinha, não incide de um jeito significativo na produção de energia elétrica no Brasil. Então, não pode ser só uma, tem que ser muitas, com custo altíssimo e riscos muito grandes para a vida. O Estado não pode pensar em promover a economia sem promover a vida das pessoas, sem a população ser beneficiada por essa economia. Na época do acidente de Chernobyl, eu morava na Itália, há milhares de quilômetros da Ucrânia. A nuvem radioativa passou sobre a Itália. Por muito tempo, não pudemos nos alimentar do que cultivamos nas hortas nem beber o leite das vacas. É desenvolvimento ou é negócio? Em um negócio tem sempre um que ganha e um que paga. Meu medo é que a nossa população do sertão seja quem vai pagar as contas do negócio que outros vão se beneficiar.

Vocês acabaram de vir de uma caminhada no sertão do Itaparica. Como foram esses dias?

Foi um ato de protagonismo do povo, saímos daquele estado de infância em que muitas vezes somos deixados na convicção de que só os poderosos podem fazer as coisas, para redescobrir que o povo também pode ser construtor da própria história. Todo mundo tem palavras para dizer, desejos para manifestar, vontade para encaminhar a história em uma direção. Foi um momento extremamente importante porque as pessoas redescobriram que podem se juntar e expressar sua vontade. Podem, de fato, entrar em um colóquio para decisões importantes sobre a vida deles mesmos.

O rio São Francisco já está sofrendo com a comunicação dos rejeitos de brumadinho e a contaminação de agrotóxicos na região. Será que o rio ainda aguenta os rejeitos de uma usina nuclear?

A resposta é fácil: não pode aguentar. O rio São Francisco é importante para a vida e para a economia de muitas pessoas, em diferentes estados do Brasil. Não podemos continuar a pensar que a natureza tenha só um aspecto econômico. Na mentalidade comum de hoje, a natureza é só instrumento para exploração econômica por parte do homem. Estamos esquecendo que é um único organismo vital, do qual dependemos e ao qual nós podemos oferecer vida. O relacionamento entre a natureza e a atividade humana tem que ser repensado. É o que o Papa Francisco nos sugere, mas, também, é o que a nossa ciência está nos dizendo.

A Campanha da Fraternidade de 2019 traz como tema central as políticas públicas. Qual sua avaliação sobre essa campanha?

Posso dizer que as primeiras impressões são muito positivas, porque houve um acordar por parte de muitas pessoas e nós não podemos entregar, mesmo no sistema democrático, as escolhas para a organização das nossas vidas exclusivamente a outras pessoas. É preciso uma participação e um controle popular de toda atividade política. É um momento para despertar atenção e suscitar colaboração das igrejas, com seus valores, em favor da vida política, para o bem efetivo na justiça e no respeito.

 

Da Redação - Brasil
Edição: Marcos Barbosa

 


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