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"A vacina é importante porque vai nos proteger e o auxílio emergencial é para uma alimentação melhor", diz Naidison Batista

A ASA Brasil, uma rede formada por mais de 3 mil organizações que atuam pela convivência com o Semiárido, está em campanha em defesa da vacinação contra à Covid-19, e em defesa também da retomada, até o fim da pandemia, do auxílio emergencial, uma alternativa ao desemprego e à fome agravados pela pandemia.

Nesta entrevista, o membro da coordenação Executiva da ASA Brasil pelo estado da Bahia, Naidison Batista, desmente algumas das fake news, que negam a eficácia da vacina e prejudicam a adesão à campanha de imunização da população nacional. “A vacina é para nos proteger, não é para nos estragar. É para ampliar a nossa saúde e não para ampliar a nossa doença, ” defende.

O coordenador destaca porque é importante que as organizações difundam informações positivas sobre a vacina, visando a preservação da vida e o controle da pandemia. O imunizante irá possibilitar à retomada da vida em comunidade, das reuniões físicas e dos debates em torno da convivência com o Semiárido.

Naidison também enfatiza a relação entre a falta de renda, com a suspensão do Auxílio Emergencial, e a vulnerabilidade das famílias do Semiárido ao vírus. “O que faz desembocar na Covid-19 é o vírus. É o cuidado que nós não temos de andar com máscara... mas há uma outra coisa que faz com que a gente se contamine, que é a fraqueza, a falta de alimentação. O Auxílio Emergencial é importante para poder comprar comida, ter uma alimentação melhor, viver uma vida mais tranquila”, pontua.


Asacom - Que tipo de informações afirmando a ineficiência da vacina estão sendo disseminadas no Semiárido e qual impacto desta desinformação na adesão à vacina por parte da população local?

Naidison - Há muitas informações desarrumadas sobre a vacina. E essas informações prejudicam. Pois elas produzem uma mentalidade contrária à vacina. O que é que a gente está escutando? Em alguns locais, em alguns grupos, em algumas igrejas, está sendo dito que a vacina é coisa do diabo e que a gente não deve tomá-la. Outros estão dizendo que a vacina não vai ter efeito, é mais uma bobagem, mais uma besteira e que não vai ter efeito porque a pandemia é um castigo de Deus e que não adianta a gente querer se colocar contra o castigo de Deus, pois o castigo de Deus vai nos pegar de qualquer jeito.


Outros ainda dizem que a vacina é comunista, por quem vem da China, outras, mais tarde, virão da Rússia, ou seja, de outro lugar comunista, e o que vem do mundo comunista não presta. Olha... essas informações, além de serem mentirosas, produzem um efeito contrário a nossa saúde, contrário à saúde pública, e contrário à saúde de cada um de nós que estamos no mundo, que estamos em comunidade.


Então, essas informações levam as pessoas a não tomarem a vacina, tornando-se uma ameaça para as suas famílias, para as suas comunidades e para o seu município. Com isso, podemos dizer que é um crime contra à saúde pública, um crime contra à comunidade.


Asacom - Diante deste problema, a ASA Brasil está mobilizando as suas organizações para atuar em defesa da vacina. Qual o chamado para as organizações neste momento?

Naidison - A ASA é uma rede forte, uma rede grande, que se estende por todo o Semiárido. A ASA nasceu a serviço da vida, a ASA quer a vida, especialmente das pessoas de todo o Semiárido. O que nós pedimos aos integrantes é que divulguem o máximo possível notícias positivas sobre a vacina. É importante tomar a vacina, por que a vacina nos protege. A vacina não é uma coisa do diabo, a vacina é uma coisa de Deus! Foi Deus quem nos deu a inteligência e com a inteligência, nós, pessoas humanas, criamos a vacina. A vacina é para nos proteger, não é para nos estragar. É para ampliar a nossa saúde e não para ampliar a nossa doença. E Deus não está castigando ninguém! Deus é um pai que quer o bem de todos os seus filhos. A ASA está pedindo as suas organizações integrantes que, em todos os contatos que fazem com as suas comunidades, e são muitos, pois a ASA faz assistência técnica, trabalha economia solidária, trabalha grupos de mulheres, faz cisternas nas escolas, e que em todas essas oportunidades, a gente pergunte as pessoas se elas já se vacinaram. Que possamos mobilizar o poder público para que garanta a vacina de forma gratuita, universal e pelo SUS. Pedimos a todas as organizações que coloquem em todas as suas redes, sites, dados e notícias que afirmam o poder da vacina para o bem. Nós precisamos ganhar a guerra contra essa desinformação, contra esta postura intencional de querer levar à morte. Nós precisamos levar a vida.


Asacom - A ASA pede que as organizações divulguem os benefícios da vacina junto às organizações integrantes. Você pode citar alguns desses benefícios da vacina contra à Covid-19?

Naidison - As vacinas, todas elas, são de grande benefício para a humanidade. E é justamente graças às vacinas, que a humanidade está viva e está caminhando e ultrapassando muitas dificuldades. Veja bem, quase todo o ano, nós nos vacinamos contra a gripe, a gripe é um vírus também. E se a gente não se vacinasse contra a gripe, nós teríamos várias pessoas morrendo de gripe.


Quando nós saímos do hospital, já saímos vacinados contra três tipos de tipos de doença. Inclusive saímos vacinados contra a Paralisia Infantil, que desapareceu do Brasil e desapareceu por que as pessoas estão vacinadas, por que o vírus ainda está à solta. Agora, ele não tem força de atacar a pessoa, por que a pessoa está vacinada.


Quando viajamos para determinados países, é exigido que a gente vá imunizado contra a Febre Amarela e por quê? Para garantir que a gente não leve a Febre Amarela pra lá ou que traga a Febre Amarela pra cá.


Hoje, no mundo, graças à inteligência das pessoas, tem muitas vacinas. A vacina contra a Covid-19 é mais uma que nós vamos ter que tomar constantemente.


A gente não tem que correr dela, a gente tem que brigar para que o governo amplie, agilize, vá mais depressa, pois no ritmo que ele está vacinando, vai morrer muito mais gente ainda. Nós temos que abraçar a vacina, divulgar, difundir, mostrar que ela é uma coisa boa. Não temos que ficar com essa conversa de que ela é um produto ruim. Ela é boa! Ela é produto da nossa inteligência, ela é uma bênção, vamos correr atrás dela.


Asacom - Como parte desta mobilização, a ASA lançou uma carta enfatizando dois pontos: a importância da adesão à vacina e da retomada do Auxílio Emergencial. Em relação ao último ponto, qual o impacto do fim deste benefício nas vidas das populações do Semiárido?

Naidison - O que faz desembocar na Covid-19 é o vírus. É o cuidado que nós não temos de andar com máscara. É o cuidado que, muitas vezes, a gente não tem de lavar as mãos. O cuidado que a gente não tem porque andamos em grupos de risco sem máscara. Então, isso faz com que o vírus nos contamine. Mas há uma outra coisa que faz com que a gente se contamine, que é a fraqueza, a falta de alimentação. A falta de alimentos necessários para que o nosso corpo possa andar bem.


O que acontece no Brasil é que há um grande desemprego e esse desemprego vem da pandemia, mas vem também da política do governo. O desemprego é filho deste governo. O Auxílio Emergencial, que aqui no Brasil ajudou muitas pessoas, faz falta. Porque aquelas pessoas que não puderam vender os seus produtos, não puderam ir para a feira, as pessoas que não puderam fazer os trabalhos que normalmente fazem, o pedreiro, o carpinteiro, o ajudante de pedreiro, então, essas pessoas receberam o auxílio emergencial.


Esse auxílio foi cortado e cortar este auxílio representa o quê? Fome, miséria, mau trato e o corpo aberto para dizer para a Covid-19, venha que eu quero você. Então, nós temos que brigar politicamente, pressionar prefeitos, deputados, senadores, governadores, para que venha o Auxílio Emergencial. O Auxílio Emergencial é um direito nosso, das pessoas do Semiárido. Vamos buscar este auxílio!


Asacom - Para finalizar, Naidison, de que forma tanto a adesão à vacina contra a Covid-19, quanto a retomada do Auxílio Emergencial podem ajudar as famílias do Semiárido a atravessarem a pandemia e retomarem as suas vidas quando, finalmente, a pandemia for controlada?

Naidison - O Auxílio Emergencial e muitas outras políticas de bem estar da população são obrigação do Governo Federal e elas devem ser buscadas pelos nossos representantes. É para isso que a gente elegeu prefeito, deputado, senador. A gente não elegeu este povo para ficar lá em Brasília conversando não, mas sim, para buscar a nossa qualidade de vida. Foi para esta finalidade que nós elegemos eles.


A vacina é importante para nós por que ela vai nos proteger, para quando o vírus chegar e querer pegar a gente, a gente dizer: “Êpa, olhe, eu tô vacinado! Vá procurar outro canto!”
O Auxílio Emergencial é importante para poder comprar comida, pagar a sua água, ter uma alimentação melhor, viver uma vida mais tranquila. É bom para as pessoas da comunidade, que poderão comercializar os seus produtos, pois sem ter dinheiro, não tem para quem vender os produtos.


Além do Auxílio Emergencial, a cisterna é importante porque ela nos traz água, para que possamos fazer a nossa higiene, possamos lavar as mãos, ou seja, nos garante as condições necessárias para fazer a limpeza e enfrentar o vírus.


As sementes, o plantio e a vida em comunidade também são importantes neste processo. A vacina vai nos dar de novo a oportunidade de nos reunirmos, de sentarmos para discutirmos os nossos problemas, de darmos encaminhamentos aos nossos problemas e de podermos andar novamente na comunidade, na sociedade, sem medo de estarmos sendo prejudicados ou de prejudicar alguém.


É para trazer estes benefícios que a vacina vem e é por isso que temos que conquistar o Auxílio Emergencial. Agora, uma coisa é certa: cidadania e todas essas políticas a gente só consegue com luta. Nós não podemos nos entregar, não podemos abandonar a luta. Temos que ser fortes!


Vamos nos unir, vamos nos organizar na ASA e em outras instituições, vamos exigir essas políticas do poder público! Vamos criar qualidade de vida para nós, para nossos filhos, para nossos netos e para todas as pessoas.

Texto: Adriana Amâncio - Asacom  


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