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Mulheres do Sertão do São Francisco somam-se a milhares de lutadoras na Marcha das Margaridas

Mulheres do Sertão do São Francisco somam-se a milhares de lutadoras na Marcha das Margaridas

Integrar a Caravana da Bahia na 6ª Marcha das Margaridas foi gratificante para Yoná Pereira, representante dos povos de terreiro do Sertão do São Francisco. Junto com ela, mais 46 mulheres de Juazeiro e municípios vizinhos viajaram uma média de 60 horas para participar do evento, somando-se a milhares de mulheres de todas as regiões do Brasil.

A Marcha contou com atividades nos dias 13 e 14 de agosto, em Brasília, reunindo a força, a alegria e a disposição de mulheres que desafiam o machismo e as dificuldades do dia a dia para manter-se firmes na luta por direitos e equidade de gênero. Quilombolas, pescadoras, agricultoras, estudantes, artistas, artesãs, indígenas, educadoras, religiosas, mulheres do campo, da cidade, trabalhadoras, coloriram o Parque da Cidade e as ruas da capital do país até o Congresso Nacional, onde a Marcha culminou.

Trazendo como lema “Margaridas na Luta por um Brasil com Soberania Popular, Democracia, Justiça, Igualdade e Livre de Violência”, a Marcha denunciou a indignação com retrocessos como a Reforma da Previdência, que tramita no Congresso e traz prejuízos para trabalhadoras e trabalhadores. Houve ainda a reivindicação de direitos como saúde, educação, defesa de territórios tradicionais, respeito ao corpo e à vida das mulheres, reforma agrária, combate ao uso de agrotóxico, dentre outras pautas.

“O que dá força é a gente saber que nosso estado, nossos municípios, estão com vontade de trabalhar pra melhorar a situação que está aí – com tanta perda de direito – pra derrubar esse governo que tá aí”, declarou Maria do Socorro Santos, representante da Rede Mulher do Sertão do São Francisco e uma das organizadoras da caravana desta região da Bahia.

Integrante do Movimento das Mulheres Camponesas de Santa Catarina, Diva Vanidetus, salienta que no contexto atual do país “deveria todos estar nas ruas, todos, principalmente o povo trabalhador, pelo fato de não tá muito por dentro do que tá perdendo, todos nossos direitos indo por água abaixo”. A militante lembra que “a gente teve uma luta de quase 30 anos para conquistar e agora em alguns meses a gente tá perdendo tudo”.

Durante os dias de evento, a arte esteve presente, sobretudo a música, seja vinda do palco, das batucadas improvisadas com latas ou da sanfona típica do Nordeste. Os gritos de ordens, estandartes criativos, faixas, bandeiras e blusas também deram o tom da diversidade da Marcha.

A pernambucana Paula Menezes, integrante da CUT – Central Única dos Trabalhadores, relembra que a primeira Marcha surgiu durante o Governo Fernando Henrique Cardoso e foi um momento de denúncias e reivindicações, embora sendo possível abrir um canal de diálogo. Nos anos seguintes foi possível, segundo Paula, discutir as pautas centrais da Marcha com os governos Lula e Dilma que sempre recebiam as manifestantes. “Mas nesse agora a gente está vindo mesmo pra denunciar e mostrar que a gente diz não à retirada de direitos e estamos na resistência, dizendo não a esse governo”, revela Paula.


Jardim de Margarida

A participação das nordestinas na Marcha foi algo a destacar. Apesar de viverem a milhares de quilômetros do Distrito Federal, as conterrâneas da paraibana Margarida Maria Alves se fizeram presente em grande número, contribuindo significativamente para o total de mais de cem mil participantes da Marcha, que ocorre de quatro em quatro anos.

Margarida Alves foi assassinada em 1983, após militar durante vários anos no sindicalismo no estado da Paraíba e defender o direito à terra para quem precisa e produz nela. As mulheres nordestinas levaram para a Marcha a força das trabalhadoras do campo, das florestas, das jovens e das idosas que, assim como a líder sindical que dá nome a maior Marcha de trabalhadoras da América Latina, não temem às lutas sociais.

A participação dos homens também foi importante para reafirmar que a luta das mulheres é uma questão social do país e não apenas do segmento. O secretário de Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte, Alexandre Lima, registra que “as mulheres nordestinas, em especial, deram uma demonstração de força, de organização e, sobretudo, de resistência nesse momento”. Alexandre ressalta ainda que “a Marcha simboliza todo esse movimento, esse processo de luta que existe hoje no país. É preciso que o feminismo cada vez mais se fortaleça, que as políticas públicas para as mulheres cada vez mais avancem e que a gente no Nordeste consiga ser essa grande Frente”.

Marcha das Mulheres Indígenas

No dia 13 aconteceu a Marcha das Mulheres Indígenas, reunindo diversas etnias e pautando, sobretudo o direito à vida e à terra para os povos originários do Brasil. No dia 14, o encontro entre as duas Marchas foi um dos momentos marcantes do evento.

A liderança tupinambá Araponga, do Sul da Bahia, chamou atenção para a luta pela demarcação das terras, entendendo que sem “a demarcação a gente não pode dá uma escola digna para nossos filhos, a gente não pode dá uma vida melhor pra nossos filhos, pra nossos pais que já estão de idade e não podem mais tá no campo trabalhando”. Araponga destaca ainda que a luta é pela valorização de todos os povos tradicionais, por isso o respeito e união entre todas as representações presentes na Marcha é algo tão necessário no momento atual.

Texto e fotos: Comunicação Irpaa


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