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Aumento da pobreza durante pandemia é resultado dos cortes no auxílio emergencial e redução do orçamento na saúde

Aumento da pobreza durante pandemia é resultado dos cortes no auxílio emergencial e redução do orçamento na saúde

Desde o início da pandemia, a crise econômica no Brasil tem se agravado e aumentado ainda mais a desigualdade social. A pesquisa "Efeitos da pandemia na alimentação e na situação da segurança alimentar no Brasil", realizada pelo Grupo de Pesquisa Alimento para Justiça da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a Universidade de Brasília (UnB) em 2020, divulgada neste mês de abril/2021, aponta que cerca de 125 milhões de pessoas viveram em situação de insegurança alimentar no ano passado.

Nesse cenário de desafios enfrentado por milhões de brasileiros e brasileiras, em 2021, o governo reduziu o orçamento destinado ao auxílio emergencial, bem como limitou o teto de gastos com outros serviços públicos tão necessários para a qualidade de vida do povo, como: saúde e educação. Com um recurso mais apertado, apenas 30 milhões de pessoas poderão receber a ajuda financeira utilizada para despesas básicas, como compra de alimentos.

Para a agricultora e criadora de caprinos, Odenice Ferreira dos Santos, da comunidade Barra da Fortuna em Uauá, “a renda da família é bolsa família e criação, que a gente cria [animais], pouca, mas cria, aí vende pra complementar, pra ajudar. E quanto ao auxílio emergencial que eu recebi, ajudou muito na alimentação” frisou dona Odenice, que em 2021 receberá apenas 4 parcelas de R$250,00.

Segundo dados apontados pelo Colegiado de Economia da Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Facape), que realiza mensalmente pesquisas sobre o custo da cesta básica em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), em março de 2021, era necessário R$406,81 para comprar itens básicos para alimentar um adulto na cidade baiana. Dessa forma, o valor do auxílio emergencial de 2021 não dará nem para suprir as despesas de alimentação de uma pessoa da família, se essa necessidade fosse levada a sério.

Outro corte sofrido no orçamento público, foi na pasta da saúde, que mesmo enfrentando uma pandemia, não tem recebido os recursos necessários. Para o deputado federal Afonso Florence (PT-BA), que também foi ministro do Desenvolvimento Agrário no governo Dilma, o corte na saúde está relacionado à Emenda Constitucional 95/2016, aprovada no governo Temer, que congelou por 20 anos os gastos públicos em saúde, educação e outros direitos básicos. “O corte na saúde, também é um absurdo. Os cortes decorrem da Emenda Constitucional 95. Mas também poderia ter comprado vacina, no ano de 2020 poderia ter sido estruturado o SUS, porque tinha um chamado orçamento de guerra e o governo Bolsonaro foi quem não quis fazer esses gastos”, destacou o parlamentar, que reforçou ainda a má vontade do governo em ter destinado recursos para ajudar a conter a crise.

Sobre esse assunto, o médico Pedro Carvalho Diniz, que atua na linha de frente da Covid-19 em Petrolina, destacou suas preocupações, pois a gravidade da doença não é só na saúde, mas escancara uma desigualdade, que revela quem são os mais impactados. “As populações periféricas, as populações negras, quilombolas, a população economicamente mais vulnerável, mais pobre - diversos estudos mostram que são mais afetadas pela pandemia. As chances de uma pessoa negra e pobre falecer por uma infecção do corona [coronavírus] é maior que uma pessoa branca e rica. E sem o auxílio emergencial ou com a redução do auxílio emergencial, a gente vê a crise que essas famílias estão passando”, pontua Diniz.

A maneira que o país vem conduzindo a crise sanitária e os cortes no orçamento público, tanto em relação ao auxílio emergencial, quanto na saúde, educação, infraestrutura e tantas outras políticas públicas, colocou o país novamente no mapa da fome. Cenário que se acentuou com ainda mais força no Semiárido, que por décadas, luta para ter investimento em políticas públicas apropriadas para a região.

Nesse sentido, dona Odenice destaca que “A crise tá muito grande. Hoje ir para o mercado com a mesma quantidade que ia ontem, não traz nem a metade do que trazia, é muito caro as coisas, principalmente remédio. Gás de cozinha então, eu não vou poder usar mais, porque é muito caro”. Esse relato é um reflexo do que milhões de famílias estão vivendo, travando uma luta diária para não serem atingidas pela Covid-19, e nem pelas mazelas decorrentes do descaso público.


Texto: Eixo Educação e Comunicação
Foto: Divulgação Andes 


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