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Mulheres e suas histórias: Lutas e labutas com uma pandemia no meio do caminho

Mulheres e suas histórias: Lutas e labutas com uma pandemia no meio do caminho

No Semiárido Brasileiro são muitas as histórias de mulheres que em meio as lutas e labutas, constroem sua trajetória e buscam dias melhores para si, para sua família e para o mundo. Porém, neste cenário de pandemia, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, sete milhões de mulheres abandonaram o mercado de trabalho na última quinzena de março de 2020, quando começou a quarentena. Esse efeito, que tem relação direta com a necessidade de cuidar dos filhos, faz aumentar ainda mais o peso e desafios enfrentados, que tem relação com a desigualdade de gênero.

Apesar dos avanços conquistados pelas mulheres, fruto de muita luta e resistência, como direito a trabalhar fora e ter renda (até 1962, as mulheres casadas só podiam trabalhar fora se o marido permitisse), estudar e decidir sua vida, muitas mulheres, em especial do Semiárido, ainda enfrentam obstáculos no campo social, cultural e econômico na garantia pela igualdade de gênero. O nível de desafio que cada mulher encontra nessa caminhada pode ser maior de acordo com o lugar onde mora: campo ou cidade.

Maria Sebastiana Lopes da Silva, que tem sua origem na agricultura familiar, mas por falta de mais políticas públicas que a ajudasse a continuar no campo, se viu obrigada migrar para Juazeiro (BA) em busca de emprego junto com seu esposo e os 2 filhos, deixando de lado a vivência do campo, junto com os demais familiares, para trabalhar em uma empresa que exporta uva.

Ela, que é trabalhadora rural, tem uma rotina de acordar às 3h30 da madrugada para se organizar e seguir para o trabalho, em uma empresa de fruticultura irrigada, junto com outras mulheres, aborda como uma das consequências mais dura da pandemia o distanciamento dos filhos, “para mim, enquanto mulher, o que está sendo mais difícil nesta pandemia é que, com a suspensão das aulas presenciais […] como eu trabalho o dia todo, foi necessário elas [as crianças] passarem alguns meses na casa dos avós, sem que eu tivesse contato físico com eles” relatou Maria, com emoção.

Em contraponto a esta realidade, a agricultora familiar Joelma Candeias Batista que mora na comunidade rural de Gangora, Juazeiro (BA) , casada e tem 1 filho, aponta como impacto negativo da pandemia em sua vida, algo mais ligado a queda na comercialização dos seus produtos. “O que está sendo mais difícil é a questão de vendas. Tem produção, mas na hora de vender… Nós que vendíamos de porta em porta agora não podemos mais. Mas, vendemos pelo aplicativo, pelo celular e fazemos só a entrega”, declara a agricultora.

Sem dúvidas, a agricultora que também é guardiã das cadernetas agroecológicas, tem diversos desafios de ser mulher e encarar as muitas desigualdades de gênero, que talvez nem perceba, porém, por morar no campo, ela não foi “obrigada” a se distanciar do filho e ter que continuar com o peso dos outros afazeres e com uma grande sobrecarga emocional igual a Maria Sebastiana.

A pandemia escancarou um problema vivenciado por muitas mulheres, a exemplo de Maria, a dificuldade das mães em encontrar formas de conciliar o trabalho e o cuidado com os filhos – um problema que antes era invisibilizado no campo comunitário e social, rompe as fronteiras da estrutura familiar e expressa a necessidade de discutir e implementar de fato políticas públicas sob esta perspectiva: a maternidade.

A história de Maria Sebastiana e Joelma mostra que, ser mulher nesses tempos de pandemia e morar nos centros urbanos, paradoxalmente, traz um peso ainda maior no campo emocional. Essa história reforça também a necessidade da construção de sociedade justa, igualitária e fraterna, e que essa luta perpassa pela consolidação da Convivência com Semiárido e toda sua defesa pelo Bem Viver dos povos do Semiárido.

Texto: Eixo Educação e Comunicação / Foto: Arquivo pessoal 


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