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Chuvas chegam trazendo alegria para o campo e preocupação para a cidade

Chuvas chegam trazendo alegria para o campo e preocupação para a cidade

O mês de novembro iniciou trazendo as chuvas de trovoada para a região do Vale do São Francisco, na Bahia e em Pernambuco. Independente do estado onde estão localizados os municípios, a situação se repete como em tantos outros anos: população rural feliz com a chuva que abasteceu as aguadas, encheu os riachos e umedeceu o solo, alimentando a esperança de que a plantação e criação vai dar bons resultados; Por outro lado, o povo da cidade, especialmente as populações mais pobres, lamentam a perda de bens e o transtorno de mais uma vez ver a água invadir seu lar.

No início do mês de novembro, entre os dias 02 e 04, choveu 130mm em Juazeiro-BA, de acordo com os dados anotados por Haroldo Shistek, morador do bairro Tancredo Neves, onde faz há anos a medição da chuva. A alta precipitação, em um curto espaço de tempo, fez com que o nível dos riachos subissem rapidamente, alcançando residências em vários bairros.

A população de Juazeiro se acostumou a colocar a culpa dessa situação nas chuvas e nos canais, que na verdade são riachos que hoje transportam esgotos, mas deveriam servir exclusivamente para o escoamento das águas pluviais. Segundo Elisângela Cardoso, moradora do bairro Alto da Aliança e integrante do Movimento Popular de Cidadania - MPC, a agonia pela qual passam as famílias atingidas pelas cheias é algo histórico e previsível. “Choveu, vai ter pessoas desabrigadas, vai ter inundação”, resume. “A gente tem discutido que precisa drenar todos os esgotos que hoje estão dentro dos riachos, que precisa fazer uma limpeza, arborizar nossos riachos”, complementa a representante do MPC, destacando a importância de recuperar os nove riachos que hoje cortam Juazeiro. “Se os riachos estão limpos, sem os esgotos, sem o lixo, então a gente sabe que eles vão estar prontos para drenar a água de chuva para o Velho Chico”, aponta Elisângela.

A integrante do MPC destaca a preocupação com as famílias, geralmente de baixa renda, que muitas vezes enxergam as margens dos riachos como única opção para ter uma moradia. “A gente fica preocupada, triste de ver os nossos irmãos perdendo seus únicos bens: suas casas, seus objetos pessoais, seus documentos, aquele pouco que tem”, afirma Elisângela.

Se na cidade a chuva quase sempre representa preocupação, no interior as famílias festejam o início de mais um período chuvoso. Segundo Josivane Santos, agricultora e agente comunitária de saúde, 2020 está sendo “um ano atípico, com presença forte de doenças, tanto para as pessoas, quanto para os animais”, mas que as chuvas na região tem ajudado a aliviar os males que a população e a criação enfrentam este ano. Josivane mora na comunidade Lagoa do Meio, no Distrito Massaroca, em Juazeiro, onde as chuvas têm sido um alívio para as famílias.

De acordo com Josivane, “2020 foi um ano muito abençoado em relação as chuvas na região de Massaroca, desde o início. Houve muita fartura, muita plantação orgânica, logicamente resultando em segurança alimentar e renda para estas famílias”. Ela estima que na primeira semana de novembro choveu mais de 200mm e festeja a chegada das trovoadas. “Uma das maiores alegrias do sertanejo é ver a chuva no telhado, é ver a chuva cair, é ver a terra molhada”, afirma

A chegada do período chuvoso ainda é motivo de preocupação para a população da cidade de Juazeiro. O MPC nos últimos anos tem tido uma atuação forte no debate sobre saneamento, com foco na construção de políticas públicas tanto para o campo, quanto para a cidade. Em 2017 foi aprovado no município o Plano Municipal de Saneamento Básico, que prevê entre outras ações, a proibição da cobertura dos riachos, o que pode contribuir para reduzir os danos causados às população juazeirense.

O pesquisador Mateo Niggro diz que Juazeiro tem uma condição favorável aos alagamentos haja vista o grande número de riachos que passam pela cidade e que situação é agravada pela ação humana, que joga lixo e esgoto nos riachos que deveriam servir apenas para a drenagem da Chuva. O pesquisador defende, entre outras medidas, a revitalização dos riachos. “Se os riachos estivessem vazios, sem esgoto, já estariam prontos para receber essa água de chuva, não transbordariam com tanta facilidade. Por isso eu sempre defendo que o primeiro passo é tirar o esgoto dos riachos”, aponta Matteo.

Texto: Comunicação do Irpaa
Foto: Erica Daiane Costa 


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