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Romaria de Canudos rememora o ideal de resistência na sua trigésima terceira edição

Romaria de Canudos rememora o ideal de resistência na sua trigésima terceira edição

Pandemia, agravamento das desigualdades e injustiças sociais e ambientais não impediram a realização da 33ª edição da Romaria de Canudos, que aconteceu de 16 a 18 de outubro, de forma virtual, mantendo a mística, a fé e a simbologia histórica desse evento. Celebração e ato inter-religioso, mesas redondas, homenagens, músicas, cordel, teatro, caminhada virtual e outras atividades marcaram os três dias do evento, que teve como tema “Romaria de Canudos: experiência de fé, organização popular e de resistência em tempos de insegurança e medo”.

“Não é só a história de um homem é a história de um povo. A romaria é um ideal de resistência. É essa história que Canudos nos lembra. A bala, o canhão, a morte não venceram. Venceu a vida de Deus, que é força de ressurreição. Antônio Conselheiro continua vivo, vivo nas lutas de seu povo, em tudo que lembre os valores do reino”, registra o Pároco de Canudos, Jailton Gomes, durante a abertura da Romaria. Ele disse ainda que a romaria é um convite ao povo a ser resistência e a força de Conselheiro viva nessa ápoca, que é preciso beber na fonte da história de Canudos para se nutrir de fé e coragem para vivenciar os dias de incertezas e medos.

No ato inter-religioso, o Pastor Marcos Monteiro, manifestou que essa mensagem reverbera na prosa dos dias atuais e que traduzida na prática histórica significa que os opressores não mataram os ideias de um homem e de um povo: “as matadeiras não destruíram a Canudos, porque levamos Canudos na alma, nos braços. Canudos é estratégia de resistência. É a força dos pequenos que se movem numa forma maior”, expressa.

Para a descendente de sobrevivente, Joselina Oliveira Rabelo, “se não fosse a romaria, a história do povo de Canudos, que não se rendeu, já teria sido apagada”. Ela explica que antes da Romaria ninguém podia falar o nome de Antônio Conselheiro, “foram as romarias que estimularam a gente aprender, a conhecer, a si conscientizar da verdadeira história de Canudos!”, registra.

Iniciada em 1986, a Romaria promove a mais de três décadas a conscientização e a organização popular de diversas gerações que honram a herança ancestral dos povos e comunidades tradicionais. Nesse caminhar, a juventude vem sendo chamada a manter viva e aquecida essa história que foi contada pela voz de quem resistiu as diversas tentativas de invisibilizar a verdadeira história de Canudos.

Com esse intuito, manteve-se na programação da romaria o envolvimento ativo dos/as jovens com a realização da mesa redonda “Juventudes camponesas em tempo de pandemia: experiências de resistências e perspectivas para o futuro”, que teve a participação de diversos/as jovens de comunidades tradicionais, indígenas e movimentos populares de várias regiões da Bahia e Sergipe. Essa conferência virtual expressou como os/as jovens tem mobilizado, se organizado, quais as pautas, lutas e também quais as suas perspectivas diante do atual momento. O momento foi articulado com o apoio de diversas entidades.

A romaria foi encerrada no dia 18, com uma celebração eucarística e uma caminhada virtual pelos pontos históricos de Canudos, um momento de viagem pelo portal da história. Na oportunidade, quem assistia a romaria podia acompanhar o poeta José Américo Amorim fazer o percurso que é realizado pelos romeiros até o monte do Conselheiro.

Essa celebração, já conhecida mundialmente, pôde, na sua 33ª edição, ser documentada na íntegra e disponibilizada por tempo indeterminado nos canais da Paróquia Santo Antônio de Canudos e da TV Canudos, no Youtube. “Mesmo sendo virtual a gente conseguiu aproximar muitas pessoas nessa mística do Belo Monte”, avalia Vanderlei Leite, presidente do IPMC. Ele acrescenta ainda que a romaria cumpriu sua missão “de continuar juntando o povo nessa luta para resgatar e divulgar cada vez mais a Canudos Conselherista”, pontua.


Três Conselheirista

Nessa edição, foi prestada homenagem a três líderes religiosos que agregam na sua missão a luta contra as injustiças e opressões, que faleceram neste ano, mas deixaram seu legado em vida por sua missão evangelizadora pela justiça social, em nome de Deus e pelo amor ao povo, Pedro Casaldálgia, Pe. Alberto com Barbosa e Pastor Djalma Torres.

Para o vice-presidente do IPMC, Padre José Wilson Andrade, diante da experiência de Canudos e de tantas outras lutas populares, as igrejas precisam pensar seu papel diante dessa sociedade de hoje e tudo que está acontecendo no país. “Somos igrejas que devemos rezar, mas que também devemos lutar. Aquilo que ensinou tão bem Conselheiro: a fé que se engaja na defesa da vida dos mais pobres e que também ajuda a quebrar as correntes da opressão”, destacou.

O evento foi realizado pela Paróquia Santo Antônio, Instituto Popular Memorial de Canudos e Comissão da Romaria, com apoio de diversas entidades e organizações.

Texto: Comunicação Irpaa 


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