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Cirandeiras/os de Uauá debatem relações de gênero a partir de atividades ludicoeducativas

Cirandeiras/os de Uauá debatem relações de gênero a partir de atividades ludicoeducativas

A capacitação de cirandeiras/os, realizada entre os dias 15 e 17 de outubro, na comunidade Logradouro, em Uauá, trouxe à tona a importância de realizar atividades que coloquem em pauta as relações de gênero nas comunidades rurais. No decorrer da formação foram apresentadas atividades ludicoeducativas que as/os cirandeiras/os podem usar como forma de provocar o debate sobre as relações entre homens e mulheres nas comunidades.


Para a cirandeira Jisbel de Souza, moradora da comunidade Caldeirão dos Lalaus, boa parte do machismo existente na sociedade advém da educação familiar. Ela diz que geralmente as famílias fazem uma divisão explícita sobre quais atividades que devem ser comuns às meninas e aquelas que devem ser comuns aos meninos, uma divisão que alcança a cor da roupa a ser usada. “Acho que a cor não vai mudar a masculinidade ou feminilidade da criança”, aponta Jisbel.


O cirandeiro Antônio Nilson, da comunidade Curundundum, acredita que as famílias praticam uma exclusão, de modo que “os próprios pais limitam as brincadeiras que os filhos têm que brincar… isso ocasiona vários problemas e uma criança pode crescer com uma visão fechada”, aponta o cirandeiro. Segundo Antônio, “as pessoas colocam na mente que a brincadeira de roda é só de mulher... Só que na verdade não é. Os dois gêneros podem trabalhar e brincar quaisquer brincadeiras”, detalha o cirandeiro.


Na avaliação do arte-educador, Antônio Ivo, o debate de gênero é um tema que exige muito cuidado no tratamento quando for pautado nas comunidades. “É uma tema delicado. A zona rural tem esse processo impregnado do machismo”, reconhece Ivo, que facilitou a oficina de brincadeiras. De acordo com o profissional, enquanto brinca, a criança pode compreender a importância da responsabilidade masculina nas atividades domésticas. Ele sugere que no jogo da trilha, por exemplo, pode haver uma pergunta: “você guarda seus brinquedos depois de brincar?” Neste caso, a criança avança no jogo se a resposta for positiva, contribuindo para que as crianças compreendam que as tarefas domésticas são importantes e de responsabilidade dos homens também, não só das mulheres.


Antônio Ivo acredita que as brincadeiras podem facilitar a compreensão das crianças acerca de determinados temas. Já a cirandeira Jisbel de Souza cita as brincadeiras como uma forma possibilitar de que as crianças, especialmente as menores, se expressem de maneira não verbal, facilitando a percepção de possíveis problemas pelos quais passa a criança. “Tem uma brincadeira que a gente bota elas para desenhar o que elas sentem. Tem criança que ainda não sabe escrever, aí elas desenham e, a partir do desenho, a gente sabe o que ela está passando”, explica a cirandeira.


Em um dos momentos da formação o grupo assistiu o filme “Sozinhas”, que trata das relações de gênero, chamando a atenção para a violência contra a mulher em comunidades rurais de Santa Catarina. O vídeo fomentou o debate no tocante às várias formas de violência contra mulheres, algo naturalizado no campo, tão forte que quase todas/os as/os cirandeiras/os disseram ter presenciado ou ouvido relatos de violência contra a mulher em suas comunidades. “Tem pessoas que estão participando com a gente no curso que estão precisando de ajuda também”, afirma Rita da Silva, cirandeira da comunidade Riacho do Juazeiro. “Como elas vão poder ajudar, se elas não têm um lar adequado para sobreviver? Se já vêm de famílias que não são bem estruturadas?”, questiona a cirandeira.


Durante a oficina de contação de histórias e a oficina de brincadeiras, o grupo foi provocado a pensar formas de agir diante de situações onde existe a violência, seja contra a criança ou contra a mulher. Em momentos de dramatização e debate as/os participantes apontaram saídas para a superação da violência, citando como principais possibilidades o diálogo com vizinhos, familiares e órgãos de apoio, como os Centros de Referência da Assistência Social – CRAS.


Uauá foi o quarto município do Território Sertão do São Francisco a receber a oficina do projeto Cirandeiras, uma ação integrada com o Pró-Semiárido, um projeto da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional – CAR, órgão ligado à Secretaria de Desenvolvimento Rural – SDR, que conta com recursos advindos de um Acordo de Empréstimo entre o Governo da Bahia e o Fundo Internacional de Desenvolvimento da Agrícola – FIDA.

 

Texto e foto: Comunicação do Irpaa 


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