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Lideranças Comunitárias de Lage dos Negros estudam Estatuto Racial durante Seminário do Projeto Juventude Quilombola

Lideranças Comunitárias de Lage dos Negros estudam Estatuto Racial durante Seminário do Projeto Juventude Quilombola

A juventude quilombola e lideranças comunitárias da região de Lage dos Negros se reuniram no dia 15 de setembro, na Escola Rural Quilombola, para estudar o Estatuto da Igualdade Racial de Combate ao racismo e a Intolerância Religiosa do Estado da Bahia. O estudo ocorreu durante um seminário, que faz parte do projeto “Juventude Quilombola e Memória Coletiva: Documentando a História e Cultura do Território Quilombola de Lage dos Negros, Campo Formoso – Bahia”. O Seminário contou ainda com  a participação da Secretária de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis.  

A palestrante Luana Soares, da Secretaria de Promoção de Igualdade Racial – Sepromi, enfatizou o quanto é recente (2014) o Estatuto da Igualdade Racial, mas chamou atenção para a importância da lei, que prevê políticas públicas que proporcionem a correção de séculos de prejuízos ao povo negro. Segundo Luana, o documento “é a lei que prevê todas as políticas públicas que estão relacionadas ao povo negro”.

Soares explica que “a origem do estatuto é dos movimentos: os movimentos negros, os movimentos de mulheres negras, os movimentos quilombolas organizados que pautaram o estado e ajudaram na escrita do estatuto”, detalha a integrante da Sepromi.

Marenise Oliveira, Coordenadora Pedagógica que acompanha o projeto, acredita que ainda é preciso haver organização popular para que haja a implementação prática do estatuto. “Penso que demorou para criar o estatuto e pensar nos direitos dos negros… O estatuto da igualdade racial só tem quatro anos, então ainda são muitas indagações. É necessário, é urgente fazer esse estatuto valer, sair do papel e a gente ter acesso aos direitos que estão no estatuto”, pondera Marenise, que integra a equipe da Associação de Assistência Técnica e Assessoria aos Trabalhadores Rurais e Movimentos Populares – Cactus, responsável pelo projeto.

A aplicação do Estatuto certamente contribuirá para a redução do que Luana Soares chama de “vulnerabilidade da juventude negra”. A palestrante entende como essencial a “existência de uma lei que garante direitos para a população negra”, pois, segundo ela, é a juventude negra que “está na linha de frente de uma violência policial. É a juventude que está em menor situação de escolaridade”, declara.

Esse quadro, na opinião de Marenise, pode mudar com o acesso às políticas públicas e mobilização. “Podemos mudar essa triste realidade fazendo um processo de intervenção na história... a juventude pautar as políticas públicas para a comunidade, exigir o cumprimento dessas políticas públicas e lutar pelo acesso. Acessar as políticas públicas para a juventude quilombola, segundo o Estatuto da Igualdade Racial, é um direito nosso e um dever do Estado. E sobretudo se manter organizados junto com a comunidade”.

Enriquecimento das experiências

Para Marenise, “o seminário apresentado trará sobretudo conhecimento, enriquecimento das experiências, o acúmulo de saberes socializados, tanto pelos palestrantes, quantos pelos participantes e, sobretudo, o conhecimento da história da comunidade”. A ideia é que o aprendizado acumulado durante o evento possa contribuir para a produção do documentário que será produzido pelas/os jovens e contará a história do Território Quilombola de Lage dos Negros.

No segundo dia do encontro foi realizada mais uma etapa da formação em comunicação, quando as/os estudantes experimentaram a elaboração de perguntas e todo o processo de gravação de entrevistas, em formato semelhante ao que acontecerá durante as gravações do documentário. “São nesses momentos práticos que a juventude tem a oportunidade de sentir como será a construção do documentário, além de ser o momento de experimentar, tirar as dúvidas, dar vida à parte teórica que foi discutida na oficina”, explica Gisele Ramos, instrutora de comunicação no projeto.

Diversidade cultural

Durante os dois dias de encontro aconteceram várias apresentações culturais como teatro, candomblé e ciganagem. Esta última foi apresentada por jovens de Gameleira do Dida, comunidade que faz parte do Território Quilombola de Lage dos Negros.

Vitória Carvalho, 17 anos, que participa do Projeto Juventude Quilombola, conta que a ciganagem não nasceu em Gameleira do Dida. “Há muito tempo, eu creio que há uns 50 anos... Ela [a ciganagem] foi trazida pelo pessoal da Lagoa do Porco. Eles começaram a ir se apresentar na nossa comunidade e o pessoal gostou tanto que começaram a dançar também e acabou virando uma cultura da gente”, revela Vitória, que junto com outras jovens fez uma pesquisa com as pessoas mais antigas da comunidade.

“A ciganagem tem vários personagens místicos: a índia, a cigana, a Lua, o Céu… Acho que o ponto forte são os versos. Quando a gente estava fazendo um processo de pesquisa a gente saiu juntando o que os mais velhos sabiam para criar as músicas”, explica Vitória.

Texto: Comunicação Irpaa
Fotos: Comunicação Irpaa e Adriano Souza Santos 


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