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Caderneta Agroecológica é debatida por 350 mulheres

Caderneta Agroecológica é debatida por 350 mulheres

A cidade de Senhor do Bonfim-BA recebeu cerca de 350 mulheres para debater a importância e o uso de uma ferramenta que tem causado uma revolução na forma de perceber e entender a importância do trabalho feminino nas propriedades rurais do Brasil. A caderneta agroecológica, instrumento desenvolvido para contabilizar a economia e/ou renda gerada pelo trabalho das mulheres foi o tema principal do encontro realizado dias 17 e 18 de dezembro. O evento teve a participação de mulheres de quatro territórios de identidade baianos, além de pesquisadoras, representações governamentais e entidades que prestam assessoria técnica.

Vista a grosso modo a caderneta agroecológica é como um simples caderno, onde são anotados os dados referentes à produção da mulher. Contudo, uma análise mais aprofundada, ou simplesmente uma conversa com uma agricultora que usa a ferramenta faz perceber que a caderneta visibiliza a contribuição do trabalho feminino para a renda familiar, algo que, em alguns casos, nem a própria agricultora se dava conta. “No primeiro mês mesmo quando eu somei foi um susto, porque deu quase quinhentos reais”, conta dona Silvany Gonçalves, enquanto expressa com a voz e expressão facial o quanto ficou surpresa com o resultado. Ela mora na comunidade Sariema, em Juazeiro e revela que essa produção foi alcançada em um período de seca.

Diferentemente de Dona Silvany, dona Delzuita Sousa, diz que já sabia que seu trabalho contribui muito para a geração de renda da família. Ela mora na comunidade Barriguda do Hipólito, em Umburanas e se diz muito satisfeita com o resultado obtido. “Eu não tinha uma contabilidade de quanto eu fazia durante o ano. E aqui eu ponho na caderneta e vou contabilizar tudo e vejo que fiz uma boa quantidade de dinheiro”, detalha a agricultora.

Elizabeth Cardoso, que trabalha na região da Zona da Mata, em Minas Gerais e foi uma das idealizadoras da caderneta agroecológica, acredita que o instrumento tem cumprido o papel para o qual foi criado. Segundo ela, a ferramenta surgiu diante da inquietação ao ver a alta produção protagonizada pelas mulheres, mas que não era contabilizada e por isso parecia não existir ou ser pouco significativa. De acordo com Elizabeth, diante do que visualizavam no dia a dia, as criadoras da caderneta pensaram: “a gente precisa mostrar o quanto essas mulheres produzem, o quanto elas produzem no quintal, ao redor de casa”.

Laetícia Jalil, da Universidade Federal Rural de Pernambuco desenvolve uma pesquisa sobre a ferramenta e diz que “a potencialidade da caderneta vem quando as mulheres começam a anotar sua produção e elas começam a perceber o tanto de coisas que elas produzem e era simplesmente invisibilizado”. Na opinião da pesquisadora a caderneta “é um instrumento político e pedagógico: É político porque transforma a vida das mulheres. É pedagógico porque é educativa.”.

Representante do Programa Semear no evento, Aline Martins, diz que “é muito difícil você lembrar o que foi consumido durante o mês todo. Se não anotar a gente vai se perder. Então a caderneta vem para suprir exatamente isso: o que estava sendo usado, consumido, vendido e não estava sendo contabilizado”. Aline conta que seis estados nordestinos têm projetos apoiados pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola – FIDA e que todos aderiram às cadernetas. Durante o evento foi revelado que a Bahia trabalha com quase metade das mulheres que hoje utilizam a caderneta.

Beth Siqueira, Assessora de Gênero do Pró-Semiárido disse ter ficado feliz com a quantidade de participantes no evento, que segundo ela atingiu o objetivo que era “fazer com essas mulheres entendam que todo aquele processo de anotar diariamente tem um significado”, explica Beth destacando a importância daquele momento para a construção de “elementos para novas políticas públicas para áreas invisíveis”.

O Pró-Semiárido é um projeto da Secretaria de Desenvolvimento Rural – SDR, implementado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), um órgão do Governo do Estado da Bahia, que conta com recursos advindos do Fida, através de um acordo de empréstimo.

Texto e foto: Comunicação do Irpaa 


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