Em diversos cantos do Semiárido existem agricultores familiares e grupos produtivos que estão contribuindo significativamente para a oferta de alimentos saudáveis; e fazem isso cuidando do meio ambiente, com práticas que prezam pela equidade de gênero e tantos outros temas da Agroecologia e da Convivência com o Semiárido. Entretanto, esse trabalho ainda precisa de mais apoio, seja de formação, seja de garantia de direitos básicos como acesso à água, saneamento rural, aprimoramento dos processos de produção, melhores estruturas físicas para comercialização, entre outros desafios.
Nesse sentido, para fortalecer a capacidade de produção de alimentos de algumas cooperativas, associações e de agricultores/as, começou a ser executado o Projeto Semiárido Produtivo II, com ações diversas em 25 municípios; 14 na Bahia, 5 em Sergipe e 6 em Alagoas. Serão atendidas: 1 cooperativa central, a Central da Caatinga, sediada em Juazeiro-BA; 7 cooperativas; 26 associações e 150 unidades familiares. No total, o Projeto vai atender 801 agricultores/as familiares, seja de forma direta ou que integram esses coletivos.
Proposto pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), o “Projeto Semiárido Produtivo II” foi contemplado na seleção pública de projetos do Edital Sertão + Produtivo, lançado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras em dezembro de 2024.
Como um marco inicial da execução do Projeto, foi realizado o primeiro “Encontro de planejamento, monitoramento e avaliação da equipe”. Durante a programação houve discussões sobre a missão institucional do Irpaa, os fundamentos da Convivência com o Semiárido, importância das políticas públicas e das tecnologias sociais e a organização da sociedade em classes; além de momentos para conhecer detalhes do plano de trabalho, com orientações técnicas e planejamento das primeiras ações.
O encontro começou na última terça-feira (28) e terminou na tarde da quinta (30), no Centro de Formação Dom José Rodrigues, a roça do Irpaa, em Juazeiro. Inclusive, aproveitando a oportunidade desse espaço formativo, em parte da programação houve a participação de novos integrantes da equipe do Irpaa que vão atuar em outros projetos e de egressos/as de Escolas Famílias Agrícolas (EFA’s) que estão fazendo uma vivência na República de Estudantes da instituição.




A nova colaboradora do Irpaa Joicemilla Xavier, que vai atuar no Semiárido Produtivo II em Alagoas, enfatiza que esse primeiro encontro foi de “grande experiência, grande importância para nossa vida, porque vai para além da nossa formação profissional. É um sentimento de gratidão, de felicidade em estar aqui, poder contribuir ainda mais para a equipe do Irpaa, hoje estou como colaboradora e voltando para Alagoas, quero poder aplicar ao máximo todos os aprendizados e aprender junto com todos”. Ela complementa ainda sobre as ações iniciais do projeto através dessa formação:
“A gente está voltando com muita responsabilidade, primeiramente, mas com muita informação, graças a Deus deu tudo certo, a gente está voltando com os planejamentos da primeira semana, do primeiro mês. Então, tá tudo organizado, agora é chegar lá e colocar tudo em prática”.
Maria de Jesus, também nova integrante da equipe, avalia positivamente o encontro e destaca a importância do Projeto para fortalecer os Territórios no estado de Sergipe. “Esses três dias de formação foram muito importantes para o desenvolvimento do projeto lá nos nossos territórios, nas nossas comunidades, nos municípios. Facilitou muito compreender quais as metas, o fazer do planejamento, quais atores que a gente vai estar trazendo junto, o que a gente pode melhorar lá nessa construção dentro desses territórios. Para mim esses dias, conhecer a equipe do Irpaa, a Convivência com o Semiárido, pensar perspectivas, coisas novas, novas tecnologias e dinamizar também esse processo com os camponeses, com a agricultura familiar dentro desse território foi muito importante”.
O coordenador do Projeto, Paulo César Santos, pontua que o encontro foi essencial para a equipe se apropriar do plano de trabalho e para o planejamento semestral das atividades. “A gente já consegue traçar quando que vai ser os primeiros encontros estaduais para apresentar o projeto para a sociedade em geral, aos territórios, grupos e parceiros; já começamos também a traçar as primeiras visitas em campo para fazer o diagnóstico inicial e, aos poucos, ir abrindo caminho para a execução do projeto no decorrer dos três anos”.
O Semiárido Produtivo II vai atender grupos e agricultores familiares que atuam com apicultura, fruticultura, caprinocultura, avicultura, horticultura e piscicultura. Estão previstos, por exemplo, o apoio na estruturação física de espaços coletivos, formações sobre diversos assuntos, registro de marca e rotulagem dos produtos.
Nesse sentido, o Projeto “vai fortalecer grupos, os movimentos sociais na base; com estruturação, acompanhamento e formação. Então, é o conjunto que constrói a Convivência e que complementa as demais políticas que já chegaram no campo, agora no sentido de estruturar grupos produtivos. O nome do edital já fala ‘Sertão + Produtivo’; então, estamos fortalecendo o trabalho de Convivência com o Semiárido em três estados, com grupos qualificados e com esse apoio do BNDES e da Petrobras. Acreditamos que esses grupos vão sair fortalecidos, gerando renda e produzindo alimento saudável para o Semiárido brasileiro. É um marco histórico e a gente, nessa formação, dá o primeiro passo para chegar nesses territórios e consolidar esse trabalho”, conclui Clérison Belém, coordenador Institucional do Irpaa.
No cronograma de atividades do Projeto, está previsto já para o mês de agosto o início dos encontros estaduais com assessorados/as, entidades parceiras e sociedade em geral para apresentar as ações que serão desenvolvidas.
Texto e fotos: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa




































