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Juventude da 27ª Escola de Formação para a Convivência com o Semiárido estuda sobre Mudanças climáticas e as suas consequências

Juventude da 27ª Escola de Formação para a Convivência com o Semiárido estuda sobre Mudanças climáticas e as suas consequências

“Há necessidade de recaatingar. A Caatinga cumpre sua função no contexto das mudanças climáticas”, essa foi a afirmação de João Gnadlinger, assessor do Irpaa, no momento inicial do estudo sobre mudanças climáticas, que aconteceu na manhã do dia 17 de julho, durante a 29ª Escola de Formação para a Convivência com o Semiárido, realizada anualmente pelo Irpaa. O tema faz parte da discussão sobre o clima e a água no Semiárido, compondo a formação de quase 30 jovens de três estados do Semiárido brasileiro, que estão reunidos desde o dia 08 deste mês, no Centro de Formação Dom José Rodrigues, em Juazeiro.

O momento teve o objetivo de realizar uma discussão com os jovens sobre o que são mudanças climáticas, as suas causas e consequências, principalmente, na região Semiárida brasileira. “Replantar floresta não só na amazônia, por isso que é preciso recaatingar. É preciso começar a plantar e diminuir o desmatamento. A Caatinga no semiárido segura a água em si mesma, pouco tem no subsolo. Esse é o milagre da Caatinga. Por isso, é importante deixar a Caatinga em Pé”, argumenta João sobre a contribuição do Bioma e os impactos que o mesmo sofre com ação humana, principalmente, com um modelo de desenvolvimento ultrapassado frente as mudanças do clima.

Para a Jovem Loranne de Soares, de Pilão Arcado, que está entre as participantes da Formação, o tema das mudanças climáticas revela ainda mais a necessidade de conhecer sobre o clima semiárido. A jovem explica que compreende que qualquer impacto da ação humana no meio ambiente precisa ser repensada, de forma que garanta a existência da biodiversidade para as futuras gerações. Um passo para isso seria que houvesse uma consciência maior das populações para a preservação da Caatinga em pé e de uma perspectiva positiva da região. “Eu particularmente não gostava do lugar que vivia, colocavam pra mim que aqui não era bom, sem chuva, não tinha futuro. A partir do momento que eu comecei a estudar e aprender mais como é viver aqui e a importância que tem o Semiárido, que só aqui tem a Caatinga, que é um lugar bom de viver, isso é muito importante para a nossa realidade”, argumenta.

“A mudança climática significa aquecimento global”, explica João, que questiona: “O aquecimento global acontece porquê?”. Para responder, essa e outras questões, ele fez uma explanação sobre o que é aquecimento global, efeito estufa e projeções existentes do aumento da temperatura do planeta. Nisso, apontou para os jovens que desastres ocorridos recentemente, por exemplo, na África, podem ter alguma relação direta ou indireta com as mudanças climáticas. Ele chamou a atenção da turma para refletir se tais desastres podem acontecer no Semiárido, questionando: “Vai acontecer aqui um desastre de um dia para o outro?” “Qual a probabilidade?”. Por fim, João esclareceu que existem perspectivas da temperatura do planeta aumentar 3º a 4º graus, “a tentativa é diminuir essa perspectiva para no máximo 1,5º a 2° graus para evitar os desastres”, esclarece.

Ele apontou esforços internacionais em assinarem acordos para limitar e conter o aquecimento global, enquanto países vão no caminho contrário, como os Estados Unidos que já manisfestou interesse em sair desse acordo. “Uma das opções é queimar menos petróleo, uma vez, que o órgão de ciência climática das Nações Unidas apontou, em relatório publicado em 2018, que o mundo caminha para atingir o aquecimento de 1,5 º até 2040”, explica.

Em um dos momento João instigou aos/as jovens a refletirem quais políticas contribuem para, a partir da realidade, conviver com as mudanças climáticas no semiárido. “Haverá as mudanças climáticas e é necessário que as mudanças políticas sejam apropriadas”, acrescenta João, que fez a relação com a história das quase três décadas de trabalho do Irpaa na luta por políticas apropriadas ao Semiárido. Na última grande seca (2010 a 2018), “nós saímos de um milhão de mortos para um milhão de cisternas”, disse João sobre os impactos da incidência política de organizações não governamentais em defesa da criação de ações e projetos apropriados ao Semiárido, demonstrando o quanto a compreensão do clima e adoção de políticas impactam diretamente na relação que o homem precisa ter com a natureza, garantindo a sua própria existência.

Foi o que também defendeu a Jovem Loranne, que argumenta que diante de previsibilidade dos ciclos de estiagem prolongada é ainda mais necessário ter a perspectiva de recuperar e preservar a Caatinga, “se a Caatinga não estiver em pé vou ter menos chuva e mais evaporação. Como a gente só tem quatro meses de chuva… essa é a importância de ter a caatinga em pé, de não desmatar, de ter cuidado com as criações…”, argumenta a jovem.

Para o estudante e agricultor, Wilson da Silva Souza, do Sítio Pedrão, em Campo Alegre de Lourdes- BA, a mudança climática é um tema que toda a sociedade deveria estar ciente e compreender, a fim de entender que há impactos na vida das populações e no meio ambiente, o que vai influenciar o modo de vida das populações. “A preocupação é passar que hoje estamos vivendo em um ambiente semiárido e corre o risco de, no futuro, de ter um clima árido. Se a gente não fizer por onde recaatingar, preservar, cuidar do meio ambiente, a gente pode ter um clima só árido, um risco de vida para nós e para o planeta”, aponta.

Outra perspectiva dos/das jovens é que estas formações sejam apropriadas pelos/as participantes e que sejam multiplicadas para as suas comunidades de origem. “Muitos jovens que estão nessa formação podem ser multiplicadores do conhecimento, principalmente, para as comunidades que tem outra visão...”, defende Thaís. Já para Silva é uma possibilidade de alertar às comunidades sobre os impactos das mudanças no seu ambiente, “debater sempre para que as pessoas tenham ideia da gravidade e do perigo que correm com essas mudanças climáticas, que muitos não percebem que o clima está diferente de antes”, pondera.

Ao longo do momento do estudo, o assessor defendeu a necessidade de que os jovens encarem o desafio de serem protagonistas da luta pela água diante das mudanças climáticas. Ele tomou como premissa a necessidade de todos cuidarem da “casa Comum”, apontando exemplos mundiais de jovens ambientalistas.

A edição da 29ª Escola de Formação para a Convivência com o Semiárido encerra dia 19 de julho desse ano. O evento é realizado pelo Irpaa com apoio de entidades internacionais.

Texto e Foto: Comunicação Irpaa 


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