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Recaatingamento é avaliado pelas comunidades Fundo de Pasto

Recaatingamento é avaliado pelas comunidades Fundo de Pasto


Alfavaca, Araticum, Quixabeira, Umburana de Cambão, Jericó, Aroeira, Macambira, Maracujá da Caatinga, Angico, Catingueira, Rabo de Raposa, Umburuçu, Umbuzeiro, Maniçoba são algumas das plantas da Caatinga identificadas pelas comunidades recaatingueiras durante atividade do Projeto Bem Diverso. A informação faz parte do levantamento da fauna e da flora das 11 áreas do Recaatingamento existentes nos municípios de Canudos, Uauá, Curaçá, Sento Sé, Remanso, Campo Alegre de Lourdes, Pilão arcado, Sobradinho, Juazeiro e Casa Nova, todos na Bahia.

Esse levantamento teve início em 2018 e faz parte da atividade de avaliação da metodologia do Recaatingamento, um dos objetivos da Carta de Acordo do Projeto Bem Diverso com o Irpaa. Além desta atividade, as comunidades também avaliaram as ações do Recaatingamento ao longo dos seus quase 10 anos de existência. Luís Almeida, colaborador do Irpaa e responsável técnico por estas atividades explica que o projeto tem dois aspectos principais que são “contribuir com o conhecimento científico sobre a Caatinga e também com o fortalecimento das comunidades tradicionais de Fundo de Pasto”.

São 895,5 hectares de área recaantingada nestes 10 municípios desde 2009, quando teve início o projeto Recaatingamento, realizado pelo Irpaa. Em 2019, as comunidades já identificam os bons resultados do projeto, a exemplo do aspecto socioambiental e também mudanças na própria organização da comunidade. Essas mudanças também são constatadas no relatório final do projeto, que foi elaborado a partir de um processo metodológico participativo entre as comunidades e entidades parceiras que estão junto com o Irpaa na realização do Bem Diverso, como a Embrapa Semiárido, a Univasf e o IF-Sertão PE.

Desde o ano passado vem sendo realizadas atividades de planejamento com os parceiros, famílias e equipe da Instituição, bem como ações coletivas nas áreas, reunindo as famílias envolvidas nas ações de recuperação e preservação da Caatinga nas comunidades tradicionais de Fundo de Pasto. Foi a partir destes encontros, atividades, comparação com o marco zero, coleta da amostra dos solos, da fauna e flora, que se elaborou o relatório contendo a avaliação da metodologia do Recaatingamento, com base científica e no etnoconhecimento.

Resultados

Um das constatações também apontadas durante este processo avaliativo foi o impacto positivo da ação do Recaatingamento na recuperação da Caatinga e surgimento de novas plantas na área reservada para recuperação, seja pelo plantio que foi realizado no início do projeto ou de forma natural. Angiquinho, Candeia, Alfavaca, Jitirana, Jurema Preta, Unha de Gato, Urtiga, são algumas das novas espécies identificadas nesta avaliação, totalizando cerca de 80 espécies diferentes, com um aumento de 45% no número de animais nativos e um aumento em 20% na diversidade de espécies vegetais.

Outra ação na área foi avaliar a capacidade de suporte da Caatinga para o pastoreio de animais de médio porte, como caprinos e ovinos. Consta no relatório que “os resultados apontam que em todas as Comunidades o perímetro do Recaatingamento já tem uma condição melhor para pastagem do que o lado de fora, variando na diferença de 4,5% em Curral Novo, no município de Juazeiro e até 58,6% em Fartura, em Sento Sé”, consta no relatório.

Para Luís Almeida, colaborador do Irpaa e integrante do Projeto, um aspecto que merece destaque é a educação ambiental colocada em prática pelas próprias famílias a partir da ação do projeto. “Para os moradores, o principal benefício do Recaatingamento foi o respeito pela terra e a educação ambiental, questionando algumas práticas que eram tidas antes como comuns, dentre elas a queimada de cactáceas para o oferecimento do gado bovino, sendo um traço cultural e de manejo há mais de 80 anos. Hoje, as maiorias das comunidades não fazem mais essa prática. A comunidade depois do Recaatingamente já tem outra perspectiva com o meio ambiente”, aponta Luís. Ele diz ainda que é visível o “aparecimento de uma diversidade de plantas, assim como o aparecimento de novos animais que estavam quase em extinção, e estão aparecendo nestas áreas por conta da preservação”.

Na comunidade de Pedrinhas, em Remanso, que as ações iniciaram em 2015 a partir do anseio da organização local de mulheres, o projeto também tem trazido diversos resultados de forma indireta para a comunidade, como explica dona Marli Alves Passos, “para nós aqui foi um incentivo muito grande. Depois que chegou o Recaatingamento na comunidade até os jovens observaram que tem que cuidar. Foi a partir do Recaatingamento que hoje a gente tem filhos estudando na Efas [Escola Família Agrícola de Sobradinho]. Depois do Recaatingamento, eles viram também que não é só tirar a planta, mas botar também. Não é só acabar, mas também conservar. Eles dizem para os outros que não pode tirar madeira, não pode vender, não pode caçar”, avalia Dona Marli. Esta comunidade também optou em investir na criação de abelha, aliando a preservação da Caatinga com a apicultura, garantindo assim pasto apícola e contribuindo para a polinização das espécies.

A jovem Tarires Rodrigues Alves confirma e ainda informa que a partir da ação do Projeto ela tomou a iniciativa de reservar uma área de sua propriedade para recuperar a Caatinga que estava bem degradada. “Minha área é toda desmatada, o pessoal antes queimava. O solo está muito degradado e vejo que não tem como repor ele sozinho, aí estou fazendo a minha área de Recaatingamento, é pequenininha, mas estou fazendo. Estou com um plantio de 100 plantas nativas”, conta a jovem. Na avaliação dela, foi através do projeto que os jovens tem se interessado pela Caatinga. “Hoje os jovens conhecem muitas plantas da Caatinga e preservam a natureza e as futuras gerações também terão a oportunidade de conhecer”, afirma Taís, como é conhecida na comunidade.

O envolvimento das famílias é o que tem impulsionado de fato os resultados do projeto, inclusive gerando em outras comunidades o interesse de replicar a iniciativa. “Todas as Comunidades querem continuar o Recaatingamento e não têm a pretensão de abrir as cercas para que os animais voltem a pastejar, e sim, continuar preservando e recompondo a Caatinga”, aponta Luís ao destacar esse como um dos resultados do projeto.

Todo o processo avaliativo levou em conta o antes e depois da ação do Recaatingamento, onde as famílias, principais interlocutores desse processo, puderam identificar o que foi ou não viável nesta ação de preservação e recuperação da Caatinga. Também foram levadas em conta as questões naturais do clima desta região e seus impactos nas ações de plantio, uma vez que após 2009 o Semiárido Brasileiro tem vivido um período de estiagem, com chuvas abaixo da média.

Além desta avaliação do Recaatingamento, o Projeto Bem Diverso ainda prevê a realização de um Encontro com as 11 comunidades para apresentar esta avaliação e também construir um plano de sustentabilidade para a continuidade das ações do Recaantigamento, com previsão para acontecer até março deste ano. A Formação de Jovens Comunicadores também faz parte dos objetivos do projeto realizado pelo Irpaa em parceria com o Pnud e a Embrapa, que coordenam o Projeto Bem Diverso em todo o País.

Texto e Foto: Comunicação Irpaa
 


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