O Encontro de Planejamento e Monitoramento do Projeto Agenda 2030 no Semiárido Baiano, realizado entre os dias 19 e 21 de outubro, nos municípios de Feira de Santana, Teofilândia e Santaluz, reuniu organizações parceiras para prestar contas, problematizar os resultados, mensurar aprendizados e projetar a sustentabilidade das ações diante da complexa realidade sociopolítica da região. O encontro contou ainda com a participação de Kristina Kroyer, da Horizont3000, entidade parceira de cooperação internacional, que acompanhou as discussões e contribuiu para as reflexões sobre os desafios e perspectivas do projeto.
A programação foi marcada pela apresentação das trajetórias, dos gargalos operacionais e dos avanços de quatro organizações contratadas pelo projeto: Central da Caatinga, Associação Ciranda das Mulheres (ASCIM), Associação Comunitária Mantenedora da Escola Família Agrícola de Sobradinho (AMEFAS) e o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR-Regional). Em meio à exposição de dados, acervos fotográficos e contextualização territorial, as entidades apresentaram o impacto real das metas alcançadas na vida das famílias rurais.
“O projeto Agenda 2030 contribuiu fortemente para o desenvolvimento institucional da Central da Caatinga, fortaleceu as ações direto com suas cooperativas e associações filiadas, além de empreendimentos de mulheres. Colaborou diretamente para famílias que acessam políticas públicas de segurança alimentar e nutricional, que fazem parte diretamente do quadro de acompanhamento da Central da Caatinga”, afirmou Maria Luzia Santana, que atuou nas ações da organização.

Jacy Barreto, integrante do MMTR-Regional, destacou que a execução do projeto fortaleceu a capilaridade e a legitimação do movimento em novos municípios. “Contribuiu bastante para o nosso crescimento vai ficar marcado, porque esse é um dos primeiros projetos que o movimento estava executando”, frisou Jacy.
Na mesma linha, Veraneide Silva apontou o desafio de instrumentalizar a pauta global dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na prática comunitária do movimento de mulheres: “Essa experiência foi totalmente nova para nós, nós não tínhamos feito ainda nada nesse sentido relacionado diretamente aos ODS”.
Bruno Silva, diretor da AMEFAS, enfatizou a importância da assessoria técnica qualificada e da pedagogia da alternância: “através dos trabalhos, sobretudo, de extensão rural, temos realizado atividades no processo de orientação de algumas tecnologias sociais, onde a Amefas pode realizar seu trabalho levando conhecimento para as famílias”.
Durante o balanço do terceiro ano de execução, IRPAA e MOC confrontaram o planejado com o executado, apresentando indicadores quantitativos e qualitativos de resultado. O debate aprofundou a análise sobre a incidência política exercida pelas entidades em conselhos de direitos, conferências e no diálogo por vezes desafiador com as gestões municipais, abrindo espaço para reflexões honestas sobre os entraves burocráticos, os limites orçamentários e as lições acumuladas ao longo do processo.
Reflexão temática e vivência territorial
Para além dos relatórios, o evento promoveu grupos de trabalho temáticos focados nas sistematizações produzidas pelo IRPAA e MOC. Divididos em eixos como Mulheres, Educação Contextualizada, Saneamento Rural e Juventudes, os participantes analisaram criticamente como evitar que os impactos gerados se diluam com o fim dos aportes financeiros, desenhando estratégias de autogestão e resistência frente ao cenário político e climático futuro.
No campo prático, a comitiva esteve no município de Santaluz para verificar a viabilidade e o manejo comunitário de tecnologias sociais, como o Sistema de Tratamento de Esgoto com Reuso de Água. O grupo também visitou o Assentamento Rose, onde debateu o papel do Recaatingamento como ferramenta central de conservação bioma-específica e combate à desertificação, em um diálogo direto com as lideranças locais.
“As duas atividades são muito cruciais para para combater a degradação ambiental e também trazem uma sensibilização sobre a importância da caatinga. Foi bom ver como todas essas ações se encaixam para para alcançar essa meta de uma convivência melhor com o semiárido, simplesmente para para ter uma vida boa nesse espaço aqui, sobretudo nesse contexto da crise climática que estamos enfrentando em todo mundo e também aqui”, destacou Kristina Kroyer.
Ao articular teoria, prestação de contas e vivência de chão, o intercâmbio reafirmou que o desenvolvimento sustentável no Semiárido depende da construção coletiva, da autonomia dos sujeitos locais e do fortalecimento das redes de Convivência com o Semiárido.
O projeto Agenda 2030 no Semiárido Baiano é uma iniciativa realizada conjuntamente pelo MOC e IRPAA, com o apoio da organização não-governamental austríaca Horizont3000 e financiamento da União Europeia (Comissão Europeia), Sei So Frei Graz, DKA e Agência Austríaca de Desenvolvimento (ADA).
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Texto: Lorena Simas- Irpaa
Fotos: Kívia Carneiro- Moc










