Empreendimentos da agricultura familiar na Bahia assessorados pelo Projeto Semiárido Produtivo II se reúnem em Juazeiro e planejam ações iniciais

Produção de queijo com leite caprino, mel, doces, sequilhos, beneficiamento de frutas da Caatinga; potencialização da horticultura, certificação orgânica participativa e das ações de uma central de cooperativas. Esses são apenas alguns exemplos das 26 iniciativas que serão apoiadas pelas ações do Projeto Semiárido Produtivo II na Bahia. Todas são de empreendimentos coletivos da agricultura familiar, que têm como protagonistas associações e cooperativas localizadas em 14 municípios baianos: Campo Alegre de Lourdes, Campo Formoso, Canudos, Casa Nova, Curaçá, Jaguarari, Jacobina, Juazeiro, Pilão Arcado, Ponto Novo, Remanso, Sento Sé, Sobradinho e Uauá.

Seguindo o cronograma de atividades do projeto, foi realizado um encontro estadual com representantes dos empreendimentos. O evento aconteceu em Juazeiro nos dias 25 e 26 de agosto tendo como objetivo integrar os beneficiários, apresentar detalhes do projeto e planejar as primeiras ações em campo. Nesse sentido, durante o primeiro dia de programação, houve a apresentação geral do projeto, da equipe do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa) e dos grupos produtivos que serão apoiados na Bahia. O momento contou ainda com a participação, via internet, de representantes das instituições parceiras do Projeto, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras.

Durante o encontro houve espaços dedicados à apresentação de cada empreendimento, com ênfase no que cada um produz. Um dos momentos de destaque foi a socialização das atividades da Central de Comercialização das Cooperativas da Caatinga (Central da Caatinga), uma beneficiária que, através das ações do projeto, também deve impactar e alcançar diretamente grupos produtivos filiados à Central. Atualmente, a entidade agrega diversas iniciativas da agricultura familiar e oferece aos associados e parceiros, por exemplo, espaços de comercialização, serviços de fabricação e fornecimento de ração com suplementação alimentar para as criações de famílias agricultoras. 

O técnico de apoio à gestão e acesso a mercados da Central da Caatinga, Jorge Trindade, destaca que foi muito importante os diálogos realizados com o Irpaa e parceiros durante o processo de pré-seleção dos grupos, porque eles aconteceram com uma “escuta qualificada das comunidades”. Além disso, Jorge reconhece que esse encontro com os demais empreendimentos  foi uma oportunidade de fazer contato direto com novos grupos. “A Central hoje tem 15 cooperativas filiadas, mais de 20 grupos que têm relação direta na comercialização, organização da produção e assessoria; mas outros grupos mais distantes a gente não tinha essa relação”, enfatiza. 

Através do apoio desse projeto, a Central da Caatinga pretende potencializar o setor de logística. “A expectativa é muito grande, muito animadora para nós porque nós temos alguns contratos hoje já em curso, com PAA, PNAE e no mercado tradicional; e que a gente tem umas limitações de logística, com transporte, armazenamento e distribuição. A gente acredita que esse projeto vai suprir essas lacunas, as dificuldades. A gente acredita que vai dar um impulso muito grande para a gente se fortalecer”, complementa Jorge Trindade.

Ainda durante a apresentação realizada na parte inicial do evento, representantes do BNDES e da Petrobras enfatizaram que esperam muitos resultados positivos, principalmente no fortalecimento dos territórios. Flávia Araújo Félix, contadora e integrante do Departamento de Inclusão Produtiva e Educação do BNDES, afirmou que as ações vão resultar em “uma produção maior, mais regular, com uma qualidade melhor e que ela possa chegar até o consumidor”. Além disso, ela enfatiza que a proposta é valorizar e integrar os empreendimentos:

“A gente pensou muito no território, fortalecendo os empreendimentos e o território. Não à toa são 25 municípios recebendo atuação do projeto em três estados, são 34 empreendimentos coletivos; então é uma oportunidade, vai ter espaço para que vocês troquem, se articulem e assim possam estar fortalecendo uns aos outros também, é isso que a gente espera com o Projeto”.

O gerente de projetos sociais da Petrobras, Wellington Carvalho, destacou que o Semiárido Produtivo II “é uma parceria que nos enche de orgulho, de satisfação, uma articulação e acordo de cooperação técnica que começou há dois anos e que agora está em execução através desse projeto (…) Esperamos que seja um projeto de muitos frutos e muitos resultados para a região”.

Na sequência de atividades houve a apresentação da equipe do Irpaa, inclusive com a participação de integrantes de outro projeto que está em execução e apoia diversos grupos produtivos no território: o Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica (ECOFORTE). Durante esse momento, a coordenadora geral do Irpaa, Nívea Rocha, reafirmou a importância das políticas públicas e da defesa da Caatinga, pontuou a necessidade da garantia de direitos que ainda são negados às populações do Semiárido e agradeceu às instituições parcerias que fazem investimentos e que fortalecem a coletividade. Nesse sentido, Nívea reforçou:

“Território para a gente é lugar de saberes, cultura e de potencialidades locais. Então, esse projeto, a gente reafirma que é a política do cuidado, que promove a sustentabilidade, fortalece a coletividade e emancipa os sujeitos. É nessa perspectiva que a gente celebra esse momento”.

Além de apresentar outras ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e dos grupos produtivos, o segundo dia do evento foi dedicado ao planejamento das atividades; estão previstas para o mês de setembro as primeiras reuniões nas comunidades para assinatura dos termos de compromisso, realização de diagnósticos e elaborar planos de investimento. 

Durante a avaliação, os/as representantes dos grupos assessorados pontuaram que estão animados/as para iniciar o cronograma de ações em campo e ver a concretização do sonho de ter as atividades sendo desenvolvidas com mais força ou potencializar o que antes estava apenas nos planos. 

“O melhoramento da casa de beneficiamento de cera vai ajudar mais ainda esse pessoal, porque, além deles terem conhecimento para melhorar a produção, aperfeiçoar isso eles também vão conseguir produzir melhor. E tendo esse investimento a gente consegue ir ampliando isso na associação, nesses espaços da gente”, afirma Aquira Lacerda, integrante da Associação de Fundo de Pasto da comunidade Lagoa do Gado, em Campo Alegre de Lourdes.

A presidente da Associação Movimento Mulheres de Sobradinho, Aldercilene Gomes, também destaca o que espera do projeto e enfatiza o quanto esse apoio deve fortalecer as ações junto às associadas. “A nossa expectativa é que a gente consiga dar uma impulsionada nessa reativação da horta, tanto na produção de hortaliças quanto nas plantas medicinais e o beneficiamento delas. Porque o nosso trabalho é que a gente dê às mulheres uma autonomia financeira para que elas tenham sua independência. Então, esse projeto é importante, veio numa excelente hora e a gente espera realmente atingir nosso objetivo”. 

Os demais estados com ações previstas no projeto também vão seguir esse mesmo cronograma de evento. Em Alagoas o Encontro estadual acontece nesta terça-feira (1), no Sítio Jacaré, em Igaci. No estado de Sergipe o evento será realizado em Poço Redondo, na próxima quinta-feira (3).

O Semiárido Produtivo II está sendo executado pelo Irpaa, em parceria com o BNDES e a Petrobras.

Texto e fotos: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa

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