Professores, coordenadores pedagógicos e gestores municipais de dez municípios participaram, no dia 20 de agosto, de uma formação territorial realizada na Escola Família Agrícola de Sobradinho (EFAS). O encontro reuniu representantes de nove municípios do Território de Identidade Sertão do São Francisco, além de Campo Formoso, localizado no Piemonte Norte do Itapicuru.
Com o tema “Fortalecendo práticas contextualizadas e territórios de aprendizagem”, a atividade promoveu o intercâmbio entre escolas acompanhadas pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), através de ações do Projeto DKA e reafirmou o compromisso coletivo com a Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido (ECSAB).
A programação começou com acolhida, mística e apresentação dos participantes. Em seguida, a análise de conjuntura partiu de uma pergunta orientadora: por que seguimos construindo uma educação contextualizada? A reflexão aproximou os desafios enfrentados pelas escolas das características sociais, culturais e ambientais dos territórios onde estão inseridas.

Um dos eixos do encontro foi o alinhamento do monitoramento realizado junto às escolas. O acompanhamento permite identificar como os princípios da Educação Contextualizada estão presentes nas práticas pedagógicas, nos projetos escolares e nas relações estabelecidas com as comunidades e suas práticas tradicionais. Também contribui para reconhecer avanços, dificuldades e possibilidades de continuidade em cada município.
Durante a roda de experiências, as escolas apresentaram iniciativas, ações e projetos desenvolvidos a partir da realidade local. Cada instituição teve um tempo para compartilhar seu percurso, permitindo que diferentes maneiras de trabalhar a Convivência com o Semiárido circulassem entre os participantes.
Delma de Jesus Alves, secretária escolar, e Lorena Farias da Silva Gois, coordenadora pedagógica do Educandário Municipal Nossa Senhora do Rosário, na comunidade Rosário, em Canudos, apresentam a experiência “Piquenique Literário: explorando as riquezas naturais no Rio Rosário”.

A iniciativa levou a leitura para além dos muros da escola, promovendo atividades ao ar livre nas proximidades do rio e relacionando literatura, natureza e cultura local. Poemas, fábulas, contos, textos fatiados, formação de palavras e jogos pedagógicos integraram a proposta, que buscou despertar o interesse pela leitura e ampliar o conhecimento dos estudantes sobre a própria realidade. Conforme registrado no banner, a experiência contou com a participação de toda a equipe escolar e proporcionou momentos de leitura mais dinâmicos, prazerosos e contextualizados.
Selma Dias Pereira, professora da Escola Municipal Tapagem, no povoado Tapagem, em Campo Alegre de Lourdes, descreve uma experiência de educação contextualizada desenvolvida com os estudantes: “A atividade foi realizada por meio de uma aula de campo, na qual os alunos observaram os elementos presentes no espaço onde vivem, como as plantas, os animais, o solo, a água e as plantações. Também refletiram sobre as formas de utilização do meio ambiente, principalmente sobre o descarte do lixo.”

A atividade evidenciou a diversidade das experiências construídas e a capacidade das escolas de produzirem respostas pedagógicas relacionadas aos seus contextos. Entre as potencialidades observadas ao longo do acompanhamento do Irpaa estão o fortalecimento da articulação entre profissionais e redes municipais, a valorização dos conhecimentos existentes nas comunidades e a ampliação do diálogo entre os conteúdos escolares e a vida cotidiana dos estudantes. O processo também possibilita que as escolas troquem experiências e fortaleçam uma rede territorial de aprendizagem.
No período da tarde, a EFAS apresentou sua experiência educativa. A partilha orientou uma reflexão coletiva a partir de três questões: “O que vemos?”, “O que isso significa?” e “O que aprendemos com isso?”. As perguntas ajudaram os participantes a analisar as práticas apresentadas e relacioná-las aos princípios da Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido.
O debate reforçou a compreensão de que o território também educa. Os modos de produzir, as relações comunitárias, a cultura, os saberes locais e as formas de convivência com as condições ambientais podem integrar o processo pedagógico e contribuir para uma aprendizagem vinculada à realidade.
A programação seguiu pelas áreas de produção e experimentação da EFAS, onde os estudantes conduziram uma trilha pedagógica sobre a Convivência com o Semiárido. Ao assumirem a apresentação dos espaços e das experiências, os jovens participaram como mediadores do conhecimento construído na escola.


A trilha tornou visível uma das principais ideias trabalhadas durante a formação: os processos educativos também acontecem nos espaços de produção, na observação do ambiente, na experimentação e na relação com o território. A experiência da EFAS mostrou como diferentes ambientes podem ser incorporados ao percurso formativo dos estudantes.
O acompanhamento realizado pelo Irpaa ganha consistência quando as experiências desenvolvidas nas escolas são compartilhadas, analisadas e retomadas no planejamento pedagógico. A articulação territorial contribui para consolidar uma educação que reconhece as potencialidades do Semiárido, dialoga com os conhecimentos e a defesa das comunidades tradicionais e amplia a participação dos estudantes na construção da aprendizagem no chão onde pisam.
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Texto e fotos: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa





