Recaatingamento é certificado como tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil

O Recaatingamento, metodologia de convivência com o Semiárido que vêm recuperando áreas degradadas e conservando a biodiversidade da Caatinga com a participação direta de comunidades tradicionais na região norte da Bahia, foi oficialmente certificado como Tecnologia Social na 13ª edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social.

A iniciativa, inscrita pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), integra o conjunto de 148 novas tecnologias sociais reconhecidas nesta edição.

As tecnologias certificadas, oriundas das cinco regiões do país, passam a compor a rede Transforma!, plataforma digital da Fundação Banco do Brasil que reúne metodologias comprovadamente eficazes na solução de desafios socioambientais.

O Nordeste registrou 32 certificações, com a Bahia liderando a região, ao totalizar 13 iniciativas reconhecidas — entre elas, o Recaatingamento. A lista completa pode ser conferida aqui.

De acordo com a Fundação Banco do Brasil, a seleção considerou critérios como efetividade, inovação, sistematização, interação comunitária, potencial de transformação social e possibilidade de reaplicação da metodologia em outros territórios. Na próxima etapa, serão divulgadas as iniciativas finalistas, e as vencedoras serão anunciadas em maio, durante evento promovido pela entidade.

Uma trajetória que nasce da coletividade

As primeiras discussões sobre o Recaatingamento surgiram no final da década de 1990 e início dos anos 2000, a partir da percepção de agricultoras tradicionais das comunidades de Fundo de Pasto de Curaçá, Uauá e Canudos, no norte da Bahia, no Território de Identidade Sertão do São Francisco.

Essas mulheres observaram o desaparecimento de umbuzeiros jovens e identificaram o superpastoreio como um dos principais impactos negativos sobre a regeneração da Caatinga. A partir desse diagnóstico, foram construídas ações coletivas voltadas ao manejo sustentável dos rebanhos, à recuperação de áreas degradadas e à definição de acordos comunitários para o uso responsável dos bens naturais.

Também se evidenciou que o acesso à terra em dimensão adequada às atividades produtivas era um fator determinante para enfrentar o superpastoreio e fortalecer a sustentabilidade dos territórios. Desse contexto emergiu a necessidade de cuidar da Caatinga de forma integrada, aliando recuperação ambiental, organização social e práticas produtivas adaptadas ao Semiárido.

Desde então, o Recaatingamento vem defendendo a “Caatinga em Pé” por meio da educação contextualizada e da articulação entre ações ambientais, sociais e produtivas, contribuindo para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e ampliar a resiliência dos povos do Semiárido.

Atualmente, o Recaatingamento é desenvolvido em 40 comunidades — entre Fundos de Pasto, Quilombolas, Indígenas e Assentamentos de Reforma Agrária — distribuídas em 14 municípios baianos, envolvendo diretamente mais de 900 famílias.

O reconhecimento como Tecnologia Social fortalece a legitimidade da metodologia e amplia suas possibilidades de replicação, reafirmando que a Convivência com o Semiárido é caminho concreto para restaurar ecossistemas, garantir soberania alimentar e assegurar direitos territoriais.

_
Texto e foto: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *