A produção de forragens para estoque, uma das práticas que facilita o manejo da criação durante o período da estiagem, já é uma realidade em Uauá. A iniciativa é da Associação Comunitária Agropastoril dos Pequenos Produtores de Lajes das Aroeiras, que está cultivando plantas como sorgo, andu forrageiro e milho de forma consorciada, em uma área adquirida pela associação em 2004.
O cuidado com a lavoura se dá de forma coletiva e planejada, muitas vezes a partir de mutirões. A irrigação é feita com água de uma barragem através de sistema de gotejamento, que gasta pouca água e reduz também a mão de obra. Os resultados desta prática são ainda poucos, pois o cultivo teve início recentemente, mas as famílias associadas já comemoram a conquista. “Assim a gente tá um pouco preparado pra mais um ano de seca, Deus nos livre de ter, mas se vier a gente está preparado”, diz Valdemar Rodrigues, um dos membros da associação que acreditou e se esforçou para tornar o projeto comunitário uma realidade em sua comunidade.
A primeira colheita foi de milho, usado como ração para os animais. A palha foi vendida, gerando um lucro de R$ 500, recurso investido na preparação do terreno para receber os novos plantios. Cerca de dez famílias estão sendo beneficiadas com a produção das forragens e já planejam expandir o projeto.
A partir de uma ação do Irpaa, foi construída ao lado da área da produção uma Unidade de beneficiamento e armazenamento da ração, além de um calçadão para secagem e trituração das plantas. Com investimentos da associação, as instalações estão sendo ampliadas, com vistas a garantir maiores resultados para a comunidade. “Mesmo com projetos, ajudas, a gente sabe que se a gente não faz, ninguém vai fazer pela gente”, afirma seu Valdemar.
O valor da Caatinga em pé!
A consciência da importância da Caatinga é visível no trecho percorrido até a área de cultivo das forragens. A vegetação densa e a não derrubada de árvores nativas na área dos 2 hectares irrigados mostra que a preservação do Bioma é uma preocupação das famílias. Além disso, na comunidade existe uma Unidade de Beneficiamento de Umbu, ligada à Coopercuc (Cooperativa Agropecuária Familiar de Uauá, Curaçá e Canudos), o que comprova a viabilidade do uso sustentável da Caatinga e da Convivência com o Semiárido para permanência das famílias do campo e melhoria da qualidade de vida das mesmas.
Veja aqui depoimento de Valdemar Rodrigues
Texto e fotos: Comunicação Irpaa




