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História e cultura: elementos que fortalecem a identidade de um povo

História e cultura: elementos que fortalecem a identidade de um povo

Assim como o nascer do sol para o mundo, a história traz luz ao conjunto de informações que compõem a identidade do ser humano. Parte dessa identidade circula como sangue pelas veias através da cultura, elemento fundamental para a compreensão das sociedades. Foi justamente a cultura o tema escolhido por um grupo de jovens de Canudos-BA para fortalecer a identidade cultural presente no município onde foi constituída a maior experiência de vida comunitária do Brasil.

O grupo Raízes Culturalizadas Nordestinas, formado por jovens das comunidades Sítio Antônio Josina e Poço da Pedra I, apostou na produção de vídeos sobre cultura como forma de valorizar o seu lugar. Segundo o jovem integrante do grupo William Vale, a juventude não gostava muito de falar em cultura, mas isso começou a mudar nas comunidades onde há atuação do coletivo. “Hoje em dia a gente vê um grupo de jovens aqui se desenvolvendo e voltado para essa temática de resgate e valorização da cultura no seu município”, conta orgulhoso William. “São jovens que falam sobre cultura, que valorizam a cultura e pensam no resgate da cultura, não só que esse resgate fique na comunidade, mas que se expanda para outras comunidades do município”, continua.

O grupo, criado em 2020, foi recentemente selecionado em um edital da Coordenadoria Ecumênica de Serviço - Cese, entidade que atua na promoção, defesa e garantia de direitos no Brasil. Dentre as ações do projeto estão previstas a realização de oficinas, mapeamento das manifestações culturais e a realização do festival cultural. Com essas atividades, o projeto “Resiliência Cultural - Fortalecimento da identidade, cultura popular e comunicação através da juventude” tem a intenção de fortalecer a formação de jovens e começar a pensar na geração de renda como forma de garantir a permanência dos/das mesmos/as em suas comunidades.

A primeira oficina do projeto aconteceu nos dias 02 e 03 deste mês, na comunidade de Sítio Antônio Josina. Foi o debate da cultura, a produção de vídeos sobre a história e a cultura das comunidades para um canal no YouTube que atraiu a atenção de outras/os jovens como Ana Flávia Oliveira, que participou pela primeira vez de um encontro com o grupo Raízes Culturalizadas Nordestinas. Assim como outras/os quinze jovens, ela estava na oficina sobre identidade cultural, promovida pelo grupo de jovens, em parceria com associação de moradores da comunidade e a Cese, com apoio do Irpaa e do Instituto Popular Memorial de Canudos – IPMC.

A oficina trouxe novos aprendizados para Ana Flávia, apresentou aspectos da história de Canudos que ela não conhecia. “Tô achando muito legal porque tô aprendendo muita coisa que eu não sabia sobre Antônio Conselheiro, sobre Canudos”, declarou a participante da oficina. Segundo ela, na escola até é feito o debate sobre a história de Canudos, mas de forma superficial, com forte influência dos livros. “Na escola não falava tanto como aqui está falando”, pontua Ana Flávia. A jovem aponta a metodologia utilizada no encontro como uma ponte para o aprendizado. “A gente aprende às vezes muito mais com a opinião das pessoas. Muitas vezes eles dão um exemplo diferente e a gente já entende mais do que lendo um livro”, explica a jovem que avaliou positivamente o primeiro encontro que participou.

Além da oficina de identidade cultural, o projeto pretende levar formação em educomunicação para jovens das comunidades Sítio Antônio Josina, Poço da Pedra I e Bom Jardim. O aprendizado deve servir de base para a realização de um mapeamento dos elementos e manifestações culturais presentes nas três comunidades, o que possibilitará a coleta de material para a produção de um festival de cultura, a ser veiculado no canal Raízes Culturalizadas Nordestinas no YouTube.

Esse envolvimento da juventude com a pauta da história de Canudos e a cultura empolgou Vanderlei Leite, Presidente do IPMC e um dos facilitadores da oficina. Ele revela já ter percebido a ausência da juventude nesse tipo de debate, mas se animou com as ações desenvolvidas pelo grupo de jovens. “Esse projeto é muito bem-vindo nesse sentido de envolver as Comunidades Tradicionais de Fundo de Pasto e a juventude nesse trabalho de mobilização, de identificação das culturas locais, que têm uma relação com a memória, com a experiência de Canudos”, avalia.

Para João Batista, também facilitador da oficina, “estudar a identidade cultural canudense, nutre o sentimento de pertencimento e mobiliza a comunidade como um todo, valorizando sua cultura, sua arte, seus modos de vida que existem em cada localidade”. Na opinião de João a iniciativa dos jovens aponta para uma forma de criar novos meios de valorizar as comunidades e dialogar outros temas com a juventude. “Eu vejo esse engajamento como uma oportunidade de compreender a vida como um todo”, expressa João.

 

Texto e Foto: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa
 

 


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