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Crianças, adolescentes e jovens de Juremal começam a se engajar na defesa do saneamento rural

Crianças, adolescentes e jovens de Juremal começam a se  engajar na defesa do saneamento rural

Com idades variadas de 04 aos 27 anos, crianças, adolescente e jovens da Comunidades de Olho D’água, região de Juremal, no município de Juazeiro, se dispuseram a sensibilizar a comunidade sobre a preservação ambiental e os impactos do descarte do lixo na Caatinga. Na manhã do dia 14 de fevereiro, com sacos e luvas de proteção, o grupo desceu para as margens do riacho, que corta a comunidade, para fazer um mutirão de coleta dos resíduos sólidos jogados neste local. Em pouco mais de 30 minutos foram retirados do riacho quase 100 kg de ‘lixo’, como sacos plásticos, pneus, restos de garrafas de vidros, latas de metal, tecidos, dentre outros.

Após a retirada deste lixo, o grupo reuniu outras pessoas da comunidade para debater o assunto e discutir como resolver esta questão. Érica Luana Santos, jovem que participou da ação, explica que o mutirão foi apenas um alerta dos/das jovens, adolescentes e crianças para os/as adultos e idosos/as sobre o quanto de lixo é produzido e lançado ao meio ambiente de forma imprópria, provocando uma reflexão sobre de quem de fato é a responsabilidade de garantir que o lixo seja descartado da forma correta. A expectativa, como explica Luana, é “que a partir dessa ação, a gente decida o que fazer com o lixo… levar isso para a associação e outras pessoas que não estavam presentes e fazer um abaixo assinado para os órgãos públicos para eles virem coletar aqui na comunidade”. Ela explica ainda que o intuito da ação não é culpar a comunidade, mas mostrar na prática a necessidade de que as pessoas se organizem para cobrar o cumprimento de um direito.

A presidente da associação comunitária, Jairce Trindade Duarte, reconhece que há a queima do lixo e também tem pessoas que jogam na mata, já que não tem outra opção por falta da coleta municipal, mas ela argumenta que o mutirão foi necessário para a comunidade refletir como resolver a questão de forma mais mais estruturante e permanente. “Agora sabemos que temos o direito de ter a coleta da prefeitura. O próximo passo é fazer um ofício e enviar a secretaria responsável pela coleta do lixo”, informa Jairce.

A jovem Luana esclarece que a iniciativa partiu do grupo após debater em uma roda de aprendizagem realizada pelo Irpaa, através do Projeto Pró Semiárido. Ela informa que já tem planos para reutilizar alguns dos materiais coletados, como pneus e garrafas para montar canteiros, criando e decorando uma praça em um local já escolhido pelo grupo. Uma nova reunião discutirá os detalhes e o planejamento, que também será feito através de mutirão.

Maiara Carvalho, colaboradora do Irpaa que atua na comunidade através do Pró Semiárido, esclarece que o objetivo de realizar este momento foi também para sensibilizar as pessoas sobre o reconhecimento do direito básico de terem seus resíduos domésticos sendo coletados em sua comunidade e recebendo a destinação adequada, conforme preconiza a lei do Saneamento básico (11.445/2007). Maiara acrescenta que, infelizmente, uma das opções das pessoas das comunidades rurais é queimar o próprio lixo, já que no momento, só há coleta na sede do distrito de Juremal, que fica a 24km da comunidade.

“A ação também é para problematizar porque esse direito não é garantido. As comunidades também produzem lixo. O ato, além de sensibilizar para reduzir o consumo, também é para provocar que eles precisam ir atrás dos seus direitos”, esclarece Maiara. A ausência da coleta dos resíduos e o seu devido tratamento é a realidade da maioria das comunidades rurais do país, que estão à margem dos investimentos públicos, o que provoca uma série de problemas ambientais, mas também de saúde pública. Assim também prevalece para os demais serviços do saneamento, como o abastecimento de água potável, a coleta e tratamento de esgoto e controle de vetores.

Maiara argumenta que a temática do meio ambiente e da educação ambiental, com foco na coleta e tratamento do lixo doméstico, extrapola o tema produtivo, mas que condiz com a necessidade das comunidades, “é preciso tocar nestas questões também com as comunidades, além do aspecto produtivo, esse aspecto do lixo, do meio ambiente, é evidente nas comunidades”, conclui.

O grupo da comunidade de Olho D’água é acompanhado pelo Irpaa através do Projeto Pró Semiárido, que é uma ação da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), órgão da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia, com recursos oriundos de contrato assinado entre o Governo do Estado e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

Texto e foto: Comunicação Irpaa


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