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Encontro de Agricultores e Agricultoras da comunidade de Caiçara discutem o Saneamento B?sico Rural

Encontro de Agricultores e Agricultoras da comunidade de Caiçara discutem o Saneamento B?sico Rural

A política pública de Saneamento Básico, que compreende o acesso à água potável, drenagem e manejo de água da chuva, coleta e tratamento adequado do resíduo do esgoto e do lixo, é pouco discutida e vivenciada nas comunidades rurais. Essa realidade também estava presente na comunidade de Caiçara, interior de Juazeiro, entretanto esse cenário começou a mudar com a chegada do projeto que debate a  Convivência com o Semiárido e Adaptação às Mudanças Climáticas.

Representantes das 23 famílias moradoras da referida comunidade participaram de dois dias de formação no Centro de Formação Dom José Rodrigues, com intuito de refletir e discutir o saneamento básico como um direito humano. O evento, realizado nos dias 08 e 09 de abril, pautou o saneamento apropriado às comunidades rurais, reuso de águas cinzas e do esgoto total para atividades agrícolas.

A formação abordou o debate do saneamento básico a partir de duas vertentes: saneamento como direito humano e saneamento enquanto tecnologias que possibilite a reutilização das águas para atividades agrícolas. Assim, foi discutido não só as questões sociais e ambientais, mas também as possibilidades de potencializar atividades produtivas através do reuso das águas cinzas e do esgoto total.

De acordo com Aldenisse Souza, colaboradora do Irpaa e membro do Movimento Popular da Cidadania – MPC, é preciso informar as comunidades, que elas “têm direito ao saneamento básico por completo, desde o acesso à água potável, até a questão do lixo, do esgotamento sanitário e o manejo da água de chuva”. Para Aldenisse, “a partir desse empoderamento ao direito a essa política pública, as pessoas vão se organizar, se responsabilizar do que é responsabilidade da comunidade e do que é do poder público e cobrar esse acesso que é direito humano”, afirma.

Além do debate teórico, as agricultoras e agricultores puderam conhecer na prática três tecnologias de reuso de água: Sistema Bioágua Familiar, Bacia de Evapotranspiração e o Reuso de Esgoto Total – Reator UASB. O Bioágua funciona captando água do chuveiro, da pia e das torneiras, as conhecidas águas cinzas. Captada essa água, ela passa por um processo de filtragem, em filtro biológico, posteriormente vai para um tanque, para ser reutilizada pelas famílias.

Já a Bacia de Evapotranspiração é uma tecnologia usada no tratamento de águas escuras, ou seja, água oriunda da descarga de sanitários. A partir do processo de fermentação anaeróbia dos dejetos, os resíduos humanos são transformados em nutrientes para plantas e a água só sai por evapotranspiração, portanto completamente limpa.

O sistema de Reuso de Esgoto Total – Reator UASB, utiliza tanto a água cinza como água escura – por isso se chama esgoto total. O tratamento biológico se dá através de um processo de fermentação anaeróbia via reator UASB e remoção dos sólidos suspensos, onde após a filtragem a água vai para as lagoas de polimento para ocorrer à eliminação de bactérias, ficando a água pronta para ser reutilizada pelas famílias.

O colaborador do Irpaa Clérison Belém defende que “o reuso é uma estratégia importante para as comunidades rurais do Semiárido”. Ele afirma que, após passarem pelos processos de filtragem, as águas cinzas, águas escuras, o esgoto de forma geral podem está sendo reutilizadas “nas plantas forrageiras, em frutíferas, nos quintais, garantindo alimentação para os animais e frutas paras a famílias”.

Para a jovem Danila Silva Santos, essa foi a primeira vez que a comunidade discutiu sobre o saneamento básico: “isso aqui foi o pontapé para na próxima reunião da associação a gente tocar na ferida ... pois o saneamento é um direito nosso, a gente precisa correr atrás”, afirma a jovem. Em relação às tecnologias, ela ressalta que a reutilização das águas escuras vai contribuir positivamente na vida das famílias, principalmente no tocante à atividade de criação das cabras e ovelhas. 

Convivência com o Semiárido e Adaptação às Mudanças Climáticas

Essa formação faz parte das ações do projeto que busca trabalha   a Convivência com o Semiárido e Adaptação às Mudanças Climáticas, executando pelo Irpaa, com apoio da Cáritas Alemã. O projeto vai trabalhar com ações na linha de Convivência com o Semiárido “para contribuir para que mais pessoas estejam cada vez mais compreendendo melhor as especificidades, os potenciais e limitações do clima semiárido e agora com o recorte também para as mudanças climáticas”, explica o coordenador do projeto André Rocha, ao citar a necessidade de adaptação não só ao clima semiárido, que já possui suas especificidades, mas considerando também as mudanças climáticas”,

A atuação do projeto acontecerá em três níveis: Nível local - Território Sertão São Francisco, com ação de formação e implementação de estrutura de uso didático e pedagógico-experimental de reuso de água, captação e manejo de água de chuva; Nível Estadual - em Pernambuco, trabalhando processo de formação modular, com turma de multiplicadores/as, agentes que realizam assessoria na linha da Convivência com o Semiárido; Nível de Semiárido – desenvolvendo ações de formações e mobilizações juntos a entidades e movimentos sociais parceiros.

As formações terão como temas: Saneamento Básico Rural, Educomunicação, Educação para o Clima, Água, Produção e Geração de Renda nesse contexto de clima semiárido e suas mudanças climáticas. Além de trabalhar no processo formativo, o projeto busca também contribuir na construção de políticas públicas que dialoguem com a proposta de Convivência com o Semiárido e de adaptação às mudanças climáticas.
 

Texto e Foto: Eixo Comunicação


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